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Stefane Guerreiro, a voz portuguesa de uma das rádios mais ouvidas na Suíça
Viver 3 min. 21.07.2020

Stefane Guerreiro, a voz portuguesa de uma das rádios mais ouvidas na Suíça

Stefane Guerreiro, a voz portuguesa de uma das rádios mais ouvidas na Suíça

Foto: Stefano Guerreiro
Viver 3 min. 21.07.2020

Stefane Guerreiro, a voz portuguesa de uma das rádios mais ouvidas na Suíça

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Nascido em Lausanne, na Suíça, filho de emigrantes da vaga dos anos 60, Stefane Guerreiro é a voz das manhãs da ONE FM, a segunda rádio mais ouvida na suíça francesa.

Lembra-se do gosto pelo mundo da televisão desde muito cedo. "Gostava imenso de ver televisão francesa, gostava imenso de um show parecido com o 'The Voice' atualmente", conta por telefone ao Contacto.

"Comecei a organizar no meu quarto esse tipo de concursos, que fazia sozinho, e sempre sonhei com isso". Entretanto chegou a rádio. Com 15 anos começou a trabalhar de forma voluntária numa rádio associativa em Lausanne, cidade onde moram os pais. 

Aos 18 anos saltou para uma estação privada onde começou a fazer locução num programa de entretenimento e a fazer diretos aos fins de semana. Mais tarde "ganhou o lugar à semana". Nesta altura combinava o trabalho com os estudos no bacharelato na área da comunicação, que acabou por abandonar. 

Apesar de pouco praticar, "apenas em casa com os pais", Stefane descreve-nos o seu frenesim diário num português perfeito. "Muito cansativo. Levanto-me às quatro da manhã, apanhar o comboio para Genebra [onde se situam os estúdios da rádio], e otimizo o tempo das viagens para trabalhar". Está em antena entre as 06:00 e as 09:00 e depois disso aproveita para preparar a edição do dia seguinte. 

Regressa a Lausanne por volta da hora do almoço para o seu segundo trabalho, um programa de televisão na "La Téle", um canal regional difundido nos cantões de Vaud e Fribourg. "Em tempo normal, sem covid, o programa era um jogo onde duas equipas se defrontam num encontro de badminton. Tem uma parte de perguntas sobre a região e outra com exercícios físicos. A equipa que tem mais pontos vai para uma final para uma caça ao tesouro", descreve. Mas esta última atividade teve de ser suspensa devido à pandemia em abril. 

O português divide o seu trabalho entre a rádio e a televisão. Na foto, em estúdio, no programa que dirige no canal regional francês "La Téle", difundido nos cantões suíços de Vaud e Fribourg.
O português divide o seu trabalho entre a rádio e a televisão. Na foto, em estúdio, no programa que dirige no canal regional francês "La Téle", difundido nos cantões suíços de Vaud e Fribourg.
Foto: Stefano Guerreiro

"Solidariedade, uma das coisas boas do vírus"

Durante cinco, seis semanas, entre março e abril, Stefane descreve uma situação idêntica à de muitos países europeus, com comércio e escolas encerradas. "O governo pediu aos cidadãos responsabilidade, mas não estávamos proibidos de sair de casa", conta. E fala numa "solidariedade" entre todas as comunidades, incluindo a portuguesa, de forma a aguentar o esforço. "Uma das coisas boas do vírus", considera. 

"Acho que para todo o português um pouco pelo mundo é difícil não poder abraçar".  Mas tem dúvidas se um dia iremos voltar à realidade antes da pandemia. Também como muitos, o animador esteve em teletrabalho a fazer os programas a partir de casa e só em junho regressou aos estúdios. 

Questionado sobre a existência de portugueses que optaram por não viajar para Portugal este verão, Stefane diz que conhece muitos que já o fizeram de carro e ele próprio vai de avião ainda este verão para estar com a família. E explica que por enquanto Portugal não está na lista de países a quem é imposta uma quarentena no regresso à Suíça. 

Apesar de reencontrar menos vezes a família no seu país de origem, Stefane faz questão de ir a Portugal sempre que pode e não exclui mesmo a possibilidade de lá morar. Numa mensagem positiva, Stefano refere que o seu exemplo mostra como com "suor e trabalho" é possível chegar ao topo, independentemente da nacionalidade. "Tenho orgulho em ter conseguido realizar o meu sonho, apesar de não ser suíço", refere mesmo. 

Com 27 anos, o animador tem a ambição de "chegar à televisão generalista francesa", ser o apresentador tal como os que via na televisão do seu quarto. Para terminar a carreira, "talvez em Portugal", onde é ouvinte assíduo de rádios Comercial ou a RFM, estações equiparadas à ONE FM. E, apesar da conversa ser por telefone, sentimos o entusiasmo quando destaca Pedro Ribeiro, ex-diretor de programação da Rádio Comercial como uma referência. "Ele é o líder da banda e a minha referência no meu trabalho aqui", remata.

(Com Agência Lusa)

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