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Sérgio Ferreira no confessionário
Sérgio Ferreira.

Sérgio Ferreira no confessionário

Foto: Lex Kleren
Sérgio Ferreira.
Viver 2 min. 01.03.2018

Sérgio Ferreira no confessionário

Quem não conhece a cara reconhece pelo menos a voz. Sérgio Ferreira foi jornalista e chefe de redação da Rádio Latina. Em 2012, trocou os microfones pelo cargo de porta-voz da ASTI, a associação de defesa dos direitos dos estrangeiros no Luxemburgo. O ex-locutor gosta de contar que foi “fabricado no Luxemburgo, a 50 metros da place de la Résistance, em Esch” mas foi nascer a Portugal. Os pais regressaram ao Luxemburgo, mas, aos quatro anos, Sérgio Ferreira voltou para Portugal, onde ficaria até aos 25. Regressou ao Grão-Ducado em 1998, a pensar ficar seis meses, mas vinte anos depois continua por cá.

O que estava a fazer antes desta entrevista?

A pensar que nunca gostei da ideia da confissão nem da remissão dos “pecados” por essa via.

Quando era pequeno o que é que queria ser quando fosse grande?

Tudo e mais alguma coisa, desde que fosse para mudar o mundo.

Que outra profissão teria se não fizesse o que faz?

Aquela que tive antes desta... jornalista de rádio!

Se pudesse ter um super-poder, qual seria?

Sei hoje que não é com “super-poderes” que lá vamos mas com empenho cívico, individual e coletivo, que podemos mudar algo!

Se fosse mulher seria...

Ainda mais feminista.

Se fosse uma personagem histórica seria...

Talvez Manuel Gomes Teixeira. Sem conhecer a fundo a sua vida e “obra”, a atitude deste Presidente português, que mandou tudo à fava por não aguentar os “tiranetes” que na época – como hoje, de resto – faziam de Portugal um lugar muito mal frequentado, fascina-me.

O defeito de que não consegue livrar-se?

A preguiça.

A qualidade de que mais se orgulha?

A capacidade de relativizar.

Uma proibição que não suporta?

Todas as que uma criança não consiga compreender.

Um livro?

Em vez de um livro, um documento: a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Devia ser de leitura obrigatória para todos os cidadãos.

Um disco?

“Manxiquaye”, de Tricky.

Um filme?

Os três primeiros da saga da Guerra das Estrelas, com os quais cresci! Mas por estes dias a “Força” está pelas ruas da amargura... É o lado negro que domina!

Prato preferido?

O cozido à portuguesa da minha mãe!

Clube do coração?

Sou pouco de clubismos, mas gosto de ver o Benfica a ganhar.

Um lugar (país ou sítio)?

Todos os que ainda não visitei.

Que país nunca vai figurar no seu passaporte?

Preferia que não existissem passaportes, nem fronteiras!

O lugar mais estranho onde já esteve?

Um centro de retenção para famílias com crianças, imigrantes “ilegais” na Holanda. Por mais que se tente dourar a pílula, uma prisão é uma prisão e nelas não cabem crianças.

O pior e o melhor do Luxemburgo?

A reduzida dimensão do Luxemburgo obrigar-nos a aguçar o engenho é positivo. O pragmatismo que nos faz esquecer alguns valores básicos é negativo!

Uma palavra que não gosta de usar?

Duas: “nunca” e “sempre”.

A palavra (ou expressão) que mais usa por dia?

Em vez de uma palavra ou expressão, saliento o enorme privilégio que é poder utilizar, no mesmo dia, várias línguas.

Um autor (vivo ou morto) para escrever a sua biografia?

Não me acho merecedor de tal coisa.

Uma coisa que quer mesmo fazer antes de morrer?

Ver as minhas filhas crescerem e tornarem-se adultas.

O que não pode faltar no seu epitáfio?

Quero lá saber do que se passa depois de esticar o pernil!

Depois desta entrevista vai...

Trabalhar.