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Ser vítima de bullying ou um bully. O que preferia que o seu filho fosse?
Opinião Viver 2 min. 14.10.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

Ser vítima de bullying ou um bully. O que preferia que o seu filho fosse?

Diário de uma mãe imigrante a mil

Ser vítima de bullying ou um bully. O que preferia que o seu filho fosse?

Foto: Unsplash / Zhivko Minkov
Opinião Viver 2 min. 14.10.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

Ser vítima de bullying ou um bully. O que preferia que o seu filho fosse?

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Ou bates ou levas. Na escola e fora dela. É a institucionalização da violência. É por isso que o bullying é uma praga para a nossa sociedade.

A violência na escola, e fora dela, resume-se a isto: ou bates ou levas. O que é que eu prefiro para o meu filho?

Coloquei a pergunta lá em casa depois do testemunho de uma portuguesa desesperada à Rádio Latina, cujo filho é vítima de bullying há vários meses. Abandonada pelos professores e pela direção da escola, a família apresentou queixa à polícia.  É mais uma família que está sem apoios e sem ter a quem recorrer.

Este assobiar para o lado é a solução implícita que nos dão escolas, ministérios, e a sociedade, em geral: "Se ele bateu, acerta-lhe também".

Mas nós também falhamos. Violência para castigar, reguadas na escola, coças em casa. "E não lhe fez mal nenhum!" Comentários depreciativos sobre pessoas gordas, magras, mesmo junto aos nossos filhos.

A juntar à violência real, a TV e a Internet também não ajudam.

E assim o bullying acontece, embrulhado num casualidade entre crianças insolentes, com traços perversos e sádicos, contra os frágeis e os cromos.

Enquanto isto, congratulam-se os países e Governos com as boas posições no ranking de PISA e pelos níveis de desenvolvimento elevado de países como o Luxemburgo. Mas quanto ao bullying? Zero.

Vemos situações como estas acontecer no autocarro ou na rua. E o que fazemos? "Nada". O mesmo disse-o uma mãe em direto no programa da Rádio Latina, cuja filha foi violentada durante anos por um grupo de colegas da escola. Inclusive no autocarro onde adultos seguiam as suas viagens diárias. Nada.

Sim, enquanto adultos, também falhámos. Ao virar a cara. E mais ainda professores, diretores de escola - formados em pedagogia - quando são eles a perguntar aos pais "se têm alguma ideia-milagre" de como parar um caso de bullying na escola.

Mais. Todos falhámos ao desvalorizar medos e preocupações. "Limpa as lágrimas", "faz-te homem (ou mulher)", "um homem a chorar? Tem juízo".

As associações repetem vezes sem conta: é preciso falar, aceitar, ouvir, valorizar quando uma criança diz que algo se passa. Ou quando um pai ou mãe pedem ajuda.

Mas de que me vale fazer tudo isto se a Escola não o fizer? De que me vale tudo isto se um adulto virar a cara enquanto um grupo de jovens agride o meu filho no autocarro?

De que me vale tudo isto se eu enquanto adulta continuar a fazer comentários depreciativos sobre os outros junto ao meu filho?

Se continuarmos a não fazer nada a solução vai ser sempre uma de duas: ou bates ou levas.

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