Rita Andrade

“Não devemos colocar a nossa alimentação nas mãos do doutor Google”

Rita Andrade trocou a apresentação de televisão pela profissão de nutricionista.
Rita Andrade trocou a apresentação de televisão pela profissão de nutricionista.
Foto: Diana Tinoco

O que nós somos é feito daquilo que comemos. Cada pessoa é um caso diferente e para cada um de nós deve haver formas diversas de comer corretamente, garante a nutricionista que nos habituamos a ver nos ecrãs de televisão em outros preparos.

Rita Andrade viveu a maior parte da sua vida profissional na televisão, passou 13 anos frente às câmaras. Começou muito cedo em direto no “Curto-Circuito”, passou por muitos programas da SIC, como o “Fama Show”. Há seis anos decidiu mudar de vida. Hoje tem uma clínica e é nutricionista. Da televisão à alimentação vão várias pessoas que dão o início a esta conversa olhando para o verão e todos os outros dias.

Largar uma carreira na televisão para ser nutricionista alterou radicalmente a sua vida. Porquê essa decisão?

Em 2011, já passaram seis anos, tomei a decisão que ia mudar a minha vida. Foi algo de muito pensado e refletido. Dirigi-me à Universidade e perguntei o que era necessário fazer para me inscrever no curso de Ciências da Nutrição. Sempre tive esta vontade muito grande de saber mais e de estudar cientificamente este tema e não me ficar pelo Doutor Google, por livros de algibeira ou por blogues e conversas, que têm algumas informações válidas, mas que não te obrigam a saber bioquímica, biofísica, genética e nem te obrigam a estudar de uma forma séria e sistemática o corpo humano e todas as áreas do conhecimento que permitem compreender o metabolismo e usar da melhor forma a alimentação para o nosso bem-estar e saúde.

Essa queda para prevenir doenças é um defeito de família? A sua irmã é médica.

Tenho alguns médicos na família. Sempre me interessei pela nutrição. Na minha adolescência eu ganhei algum peso. A alteração hormonal não foi simpática para mim [risos]. E isso não me fazia sentir bem, acho que o facto de ter tido durante dois ou três anos uma autoestima mais limitada, uma dificuldade em gerir essas alterações metabólicas que estavam a acontecer, também me aguçou, desde muito cedo, a curiosidade sobre aquilo que era o nosso organismo e o impacto que a alimentação tem na nossa cabeça.

Isso não corresponde a uma visão às vezes distorcida de si própria? Disse uma vez numa entrevista que tinha feita a capa de uma revista masculina, como forma de combater a sua imagem de “Maria Rapaz”. Assim de repente custa a perceber que se pareça com um rapaz.

[Risos] Sou Maria Rapaz até hoje. Eu gosto de jogar à bola com o meu filho. Se tivesse uma rapariga não sei como seria, porque nunca gostei de brincar com bonecas. Sempre fui muito mais de correr, jogar à bola, do que de brincadeiras ditas de miúda. A escolha das Ciências da Comunicação foi feita numa determinada fase – eu sempre gostei muito de comunicar e do meu trabalho em televisão, mas fiz cinco anos de direto com o “Curto-Circuito”, depois fui para a casa mãe [SIC é o canal principal em relação à SIC Radical, onde passava o “Curto-Circuito”], em que fiz desde o “Fama Show” aos “Globos de Ouro”, “O Não Há Crise”, as entregas dos Óscares, o Circo do Mónaco, corri ali bastantes programas que me deram muito prazer de fazer e crescer profissionalmente. Mas o meu coração pedia outras coisas, e aí surgiu a concretização de um desejo de estudar Ciências da Nutrição e em 2011, tomei essa decisão.

Em televisão a margem de progressão não é limitada a partir de certo tempo?

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Nuno Ramos de Almeida, em Lisboa

(Leia a entrevista na íntegra na edição do Contacto desta quarta-feira)

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