Escolha as suas informações

"Raisparta" o vírus
Opinião Viver 5 min. 01.12.2021
Dicas/Educação

"Raisparta" o vírus

Dicas/Educação

"Raisparta" o vírus

Ilsutração: Alexandra Brito
Opinião Viver 5 min. 01.12.2021
Dicas/Educação

"Raisparta" o vírus

Ana Cristina LOPES BARBOSA
Ana Cristina LOPES BARBOSA
Dicas para lidar com o impacto das infeções, quarentenas e isolamentos na vida dos mais pequenos.

(Ana Cristina Barbosa, psicóloga e Alexandra Brito, professora)

As crianças estão a ficar doentes, positivas a este vírus dum catano! Se ainda não estiveram ou estão, interrogamo-nos quando acabará por acontecer, porque todos os dias há nota de novos casos, de isolamentos, de indicações para quarentena.

Esta semana tínhamos previsto continuar com a autonomia. Todavia, valores mais altos se levantam... Neste caso, infelizmente, falamos dos valores de infeção de covid, que têm aumentado nas últimas semanas e que têm, desta feita, atingido significativamente as nossas crianças e jovens. 

Estamos há quase dois anos nisto. Um isto que nos virou a vida do avesso várias vezes e que começávamos a acreditar que poderia estar a ficar relativamente "controlado", mas que, ao que parece, está de novo a começar a tirar-nos o tapete dos pés. 

Com a doença e os seus brutais impactos, primeiramente humanos, mas também socioeconómicos, instalaram-se barricadas de opiniões extremadas e divisões na sociedade. Mas há algo que acreditamos que nos une a todas e todos: o CANSAÇO, a FRUSTRAÇÃO, o MEDO, pelos nossos filhos, por nós, pelo nosso presente e pelo nosso futuro. E é de mães para mães e pais exaustos e assustados, que enviamos estas palavras, sem querer discutir qualquer posição ou escolha.   

As crianças estão a ficar doentes, positivas a este vírus dum catano! Se ainda não estiveram ou estão, interrogamo-nos quando acabará por acontecer, porque todos os dias há nota de novos casos, de isolamentos, de indicações para quarentena. A antecipação deste cenário é em si mesma já uma dor de cabeça que nos tem moído. É o pesadelo anunciado do eventual retorno ao teletrabalho combinado com a escola à distância, engaiolados entre quatro paredes, numa situação digna de levar as famílias à loucura...  paira no ar o receio do aperto das medidas decretadas e que isso aconteça também no Natal, que é para a maioria de nós um dos poucos momentos de reencontro com a família e os amigos distantes.  

A nossa cabeça de adultos anda a ruminar com tudo isto e mais, e lá se vai o sono, a paciência e o bom humor, "abespinham-se" as tripas, soltam-se os fígados onde se pode, inclusive redes sociais a fora… mesmo os mais otimistas de nós, escondidos por trás de um sorriso e uma piada, trazemos um aperto que não se vê. Em casa a miudagem é esponja destas nossas emoções à flor da pele; nas escolas e noutros espaços que frequentam, os miúdos encontram as emoções de outras pessoas e a confusão, o mal-estar e a incerteza de todos (principalmente dos adultos) neste momento. 


Crianças poderão começar a ser vacinadas durante as férias de Natal no Luxemburgo
As primeiras doses do fármaco para a Europa estão previstas chegar a 20 de dezembro, sendo que o Luxemburgo deverá receber 18 mil doses numa primeira entrega.

E entretanto chega uma notificação: há caso(s) positivo(s) na turma, a nossa cria é caso contacto, ah afinal é caso contacto alto risco, há que seguir as instruções dos responsáveis de saúde que parecem demorar uma eternidade… há que testar, que será que vai acontecer? E o coração num nó que não desata durante o tempo todo, porque podemos ter toda a informação do mundo, saber com o cérebro que normalmente com as crianças não se passa nada de mais, mas é o nosso filho, a nossa filha, e este vírus tem-nos numa incógnita que sentimos qual roleta russa. Como nós, muitos miúdos ficam na expectativa, ansiosos… é normal que estejam, porque, o que quer que seja esta doença, tem os adultos assustados e o mundo às avessas - é porque é grave, sentirão ou pensarão alguns! 

Pronto, o positivo chega … e faz-se do medo força para fazer o que houver a fazer. Ter Covid implica ainda (ridiculamente, acrescentamos nós) um quê de estigma social, que os pequenos também sentem - não houve cuidado, vai contagiar alguém?! Se têm sintomas, há a preocupação de como vai evoluir, se não tem sintomas há a necessidade de ajudar a desconstruir "o estar doente sem estar doente". Independentemente disso, havendo mais irmãos, mais familiares em casa, há os dilemas quanto ao isolar…  Como se isola uma criança doente, ou uma criança positiva e assintomáticamente confusa? Ora, nestas alturas vemos, sem grandes dilemas, corações postos ao alto de mães e pais que sabem que há abraços e colos que são como oxigénio, e a seu próprio risco e até com vulnerabilidades, dão o conforto que não têm. 


Ensinar a dar antes de receber
Para nós o calendário do advento tornou-se uma estratégia boa e divertida para ajudar a recuperar o verdadeiro espírito da época, seja no cariz religioso, para quem o tiver, ou no caráter humanista, de reforço de valores como a família, a comunidade, a paz, a solidariedade.

A nossa sorte é que as crianças, na sua inocência e otimismo, são muito resilientes e nos ajudam a nós a sê-lo também. Adaptaram-se às máscaras, à escola e aos amigos à distância, saboreando depois cada retorno à proximidade.  É vivendo que se aprende a fazer limonada dos azedumes e este é definitivamente um dos limões azedos deste tempo.  São os afetos e o humor, os "medicamentos" que prescrevemos, brincando, como os ouvimos brincar com os testes covid: "Ah tirei negativa no teste"; "Ah eu tirei positiva… pelo menos posso passar de ano"; "Tiraste positiva no teste, mas deve ser uma positiva muito baixa, porque não tens sintomas!" Em casa, podemos fazer telefone de copos com um fio de 3 metros de distância e, na mesma divisão ou divisões diferentes, brincar às mensagens secretas, à batalha naval, xadrez com as coordenadas, etc. 

Podemos deixar recadinhos surpresa, estratégicos pela casa, para os surpreender e fazer muitas videochamadas para os avós, tios e amigos, para nos sentirmos todos juntos. Mas vamos também falar sobre o que estamos a sentir e pôr por palavras as coisas difíceis, para depois tentar olhar carinhosamente para as pequenas coisas boas que este mau momento também possa estar a trazer e, sobretudo, vamos tentar cuidar uns dos outros, fazendo da humanidade algo melhor, pelos e para os nossos filhos.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Dicas de Educação
Como em tudo, primeiro definimos com eles as regras, mostramos como se faz, depois acompanhamos enquanto fazem connosco, posteriormente supervisionamos quando fazem por si, em ganhos progressivos de confiança e responsabilidade.
Todas as emoções são do mais instintivo que temos e são fundamentais, mesmo aquelas que ao sentir não são tão agradáveis, pelo que importa aceitá-las como tal e aprender, bem como ensinar, a geri-las…