OPINIÃO: CR3

Foto. AFP

Sergio Ferreira Borges

A minha admiração por Cristiano Ronaldo é imensa, não só pelas alegrias que ele já me proporcionou como jogador de futebol, mas também pelo filantropo que ele sabe ser. Não estou aqui para o criticar, mas apenas para deixar elementos para uma reflexão que me parece oportuna.

Não me sinto dono de pergaminhos que me permitam dar lições de moral a alguém, muito menos, a quem não mas pediu. Também não quero manipular consciências. Prefiro contribuir para a consolidação da opinião de cada um, mesmo que radicalmente diferente da minha.

Cristiano Ronaldo é pai de um casal de gémeos, de produção independente, com recurso a uma anónima barriga de aluguer, residente nos Estados Unidos. Quando ele teve o primeiro filho, ficaram muitos mistérios por esclarecer. Por mim, limitei-me a pensar que a criança teria nascido de uma qualquer aventura que o pai desejava manter em segredo. Passei, assim, pelo assunto que me foi completamente indiferente. Cada um tem o direito de resolver os seus assuntos, da maneira que entende ser a melhor.

Mas a reincidência já levanta outras questões. Por exemplo, no dia do nascimento dos gémeos, Cristiano Ronaldo nem sequer estava por perto, embora conte com o álibi do serviço à Seleção Nacional. O recurso a uma barriga de aluguer foi de imediato admitido. Soube-se, no entanto, que a mão de Cristiano já estava nos Estados Unidos, para trazer os netos.

A maternidade de substituição foi criada pela ciência e admitida pelos legisladores, para acorrer a casos de infertilidade, embora a lei americana seja muito mais permissiva que as legislações europeias. Nos Estados Unidos – com algumas nuances entre estados – a mulher que se sujeita a isso pode ser remunerada, até um montante de 200 mil dólares. Pelo contrário, em Portugal, esse esforço, como determina a lei, tem de ser exclusivamente benévolo, não dando lugar a qualquer tipo de recompensa financeira.

Em Portugal, dispararam os comentários. Personalidades, com responsabilidades na verificação das questões da ética da vida, já dizem que Cristiano Ronaldo não faz filhos e, em vez disso, prefere comprá-los. Isto é cruel para quem ouve e muito mais deve ser para Cristiano Ronaldo. Outros dizem que Cristiano quer filhos, mas que enjeita as respetivas mães.

As crianças vão crescer e um dia podem reclamar o seu direito de conhecer as mães. Nesse dia, Cristiano vai defrontar-se com um problema, aparentemente, sem solução. Concluirá então se o seu calculismo foi eficiente, ou se tudo não passou de uma leviandade, com um preço que a sua elevada fortuna não conseguirá pagar.

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