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O meu filho não vê televisão. E o seu?
Opinião Viver 2 min. 01.04.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

O meu filho não vê televisão. E o seu?

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O meu filho não vê televisão. E o seu?

Foto: Shutterstock
Opinião Viver 2 min. 01.04.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

O meu filho não vê televisão. E o seu?

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Apercebo-me que expor as crianças pequenas aos ecrãs tem mais a ver com a liberdade dos pais enquanto os filhos estão acordados do que propriamente com o fator educacional.

Mesmo antes de ser mãe nunca fui dada à televisão. Preferia sair de casa, apanhar ar fresco, ir para a galdeirice.  

Hoje em dia, ligo a tv nos meus 10 minutos de 'liberdade' no sofá ao fim do dia. É por isso que demoro uma eternidade para ver um episódio do que quer que seja.  

Quando o Martim nasceu li alguma coisa sobre o tema. E decidi que ia aguentar o máximo possível até lhe mostrar a caixa de pandora. Ou outro qualquer ecrã, no geral. Vários estudos recomendam limitar a tv até uma hora por dia entre os 2 e os 5 anos com supervisão de um adulto. Há especialistas que defendem mesmo nenhum tempo, zero, até esta idade.

Atualmente com dois anos e sete meses, é óbvio que ele passa algum tempo com ecrãs, em videochamadas com a família em Portugal ou quando o pai está longe. E claro que ele já viu televisão em casas de amigos, familiares, cafés, e mesmo em casa nem que seja por uns segundos quando acorda da sesta e nós, os adultos, estamos no sofá.

Mas confesso que nestas situações suo das mãos, como diz uma amiga. "Será que o ecrã vai provocar danos irreparáveis na sua retina?", "raios, menos 10 palavras que aprendeu!", "será que vai ficar viciado na tv para todo o sempre?".

Claro que não, é tudo menos isto.

Com o tempo, apercebo-me cada vez mais que expor as crianças pequenas aos ecrãs tem mais a ver com a liberdade dos pais enquanto os filhos estão acordados do que propriamente com o fator educacional.  

É no fundo a forma que os adultos arranjam para lidar com o ócio e o aborrecimento naturais da parentalidade e os tempos mortos. Ou mesmo a porta para uma liberdade em parte perdida para fazer o que nos apetece aqui e agora. Ou até para que os nossos filhos não sejam um fator de desconforto para os outros. 

Se queremos fazer algo em casa e eles não páram quietos? Televisão. Se estamos num convívio com amigos e queremos falar à vontade? Tablet. Se queremos estar descansados no avião ou no restaurante e evitar birras e choradeiras? Telemóvel. 

Sim, seria mais fácil, admito. Fiz as contas e ao todo são mais de 40 horas que passo acordada com o meu filho todas as semanas. Sem tv. Nem na pandemia com creches encerradas cedi à tentação. 

E até que não me tenho saído muito mal. Os meus tempos mortos são muito isto: brincar, desenhar, falar, ler cantar, dançar, até fazer ginástica juntos. Não ter televisão força-me a estar mais lá com ele e menos para o que menos importa. Racionalmente pensando, a loiça pode esperar, não é? 

Não julgo quem o faz. Eu optei por fazê-lo e admito que às vezes é duro. Penoso mesmo. Mas enquanto cozinho entre chutos na bola, enquanto dobro a roupa e conto histórias, ou vou ao parque e não olho para o telemóvel, estes momentos são um lembrete de que a infância só se vive uma vez.  

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