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Nilton Martins no confessionário
Viver 4 min. 20.12.2017 Do nosso arquivo online
Entrevista

Nilton Martins no confessionário

Nilton Martins nasceu no Luxemburgo em 1982.
Entrevista

Nilton Martins no confessionário

Nilton Martins nasceu no Luxemburgo em 1982.
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Entrevista

Nilton Martins no confessionário

Já foi Freddie Mercury, agente da Polícia luxemburguesa, rufia, bombeiro... O ator Nilton Martins nasceu no Luxemburgo em 1982, filho de imigrantes portugueses.

Já foi Freddie Mercury, agente da Polícia luxemburguesa, rufia, bombeiro... O ator Nilton Martins nasceu no Luxemburgo em 1982, filho de imigrantes portugueses. Ficou conhecido com um papel em “Trouble No More”, um filme de culto do realizador luxemburguês Andy Bausch. O luso-descendente estudou em Paris, na Escola Internacional de Criação Audiovisual e Realização (EICAR). Além de ator, é diretor de casting no Luxemburgo.

O que estava a fazer antes desta entrevista?

A preparar projetos de cinema, publicidade ou teatro.

Quando era pequeno o que é que queria ser quando fosse grande?

Costumava dizer aos meus pais que queria ser bombeiro. Até recebi um enorme camião dos bombeiros que o meu tio restaurou. E já fiz o papel de bombeiro num filme do Andy Bausch, por isso consegui fazer o que queria ser em pequenino. 

Que outra profissão faria se não fizesse o que faz?

Camionista, mas só se pudesse viajar por toda a Europa.

Se pudesse ter um super-poder, qual seria?

Acho que cada ser humano já tem um super-poder: a energia para a família, a sua força de vida, a dignidade, o amor, a inteligência... Não é preciso mais nada, basta ajudarmos os outros e a nós mesmos a concretizar os nossos sonhos.

Se fosse mulher seria...

Meryl Streep, uma das melhores atrizes do mundo. E ela bate-se pelos direitos das mulheres e pelo direitos humanos.

Se fosse uma personagem histórica seria...

Winston Churchill, que se bateu pelo seu país na Segunda Guerra Mundial. Vi recentemente um documentário sobre ele e fiquei ainda com mais respeito por este grande senhor de charuto.

O defeito de que não consegue livrar-se?

Fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo. A vida é curta e quero fazer o máximo de coisas durante o tempo que tenho neste planeta, mas devia concentrar-me em dois projetos em vez de quatro ao mesmo tempo.

A qualidade de que mais se orgulha?

Respeito por cada pessoa.

Uma proibição que não suporta?

Qualquer uma que viole os direitos humanos. O sangue que nos corre nas veias é da mesma cor, somos todos iguais.

Um livro?

“O perfume”, de Patrick Süskind, que me marcou na adolescência. 

Um disco?

O musical “Notre Dame de Paris”, de Luc Plamondon. Vi o espetáculo duas vezes.

Um filme?

Escolher só um é difícil, mas “O padrinho”, “Rocky”, “Forrest Gump” e “A lista de Schindler” deram-me todos vontade de ser ator.

Prato preferido?

M&M’s. E a comida portuguesa (feita pela minha avó) será sempre a melhor. 

Clube do coração?

Não tenho um clube de futebol preferido, mas gostei de ver a Islândia no último Euro 2016 a mostrar que é possível chegar longe com força de vontade e espírito de equipa. E claro que fiquei muito orgulhoso por Portugal ser campeão europeu, e também por o Luxemburgo se ter batido muito bem durante o apuramento para o mundial.

Um lugar (país ou sítio)?

Adoro viajar e visitar a minha família em Portugal, mas nasci no Luxemburgo e o Luxemburgo é o meu país.

Que país nunca vai figurar no seu passaporte?

Questão estranha. Gostava de conhecer todos os países.

O lugar mais estranho onde já esteve? 

Não acho nenhum lugar estranho.

O pior e o melhor do Luxemburgo?

É um país pequeno e podemos desenrascar-nos facilmente. O que é pena neste país com tantas nacionalidades é que, como é pequeno, algumas pessoas acham que outras estão a mais. Avancemos juntos neste belo país (apesar de chover muito). Pela minha parte, não foi sempre fácil dizer “Ech si Lëtzebuerger” (“sou luxemburguês”), porque tenho cara de português. Mas sou luxemburguês e tenho origens portuguesas, e tenho orgulho em ambos.

Uma palavra que não gosta de usar?

“Problema”. Encontra-se sempre uma solução, ou pelo menos devemos tentar.

A palavra (ou expressão) que mais usa por dia?

“Il vaut mieux vivre avec des remords qu’avec des regrets” [Mais vale viver com remorsos do que arrependimentos por não ter tentado].

Um autor (vivo ou morto) para escrever a sua biografia?

Deixo as pessoas fazerem a sua própria biografia e julgamento sobre mim.

Uma coisa que quer mesmo fazer antes de morrer?

Não tenho “Bucket List”. Gosto que a vida seja uma surpresa e gostava de deixar uma marca no plano pessoal e cultural. Só quero não ter vivido em vão.

O que não pode faltar no seu epitáfio?

Nunca pensei nisso, mas preferia alguma coisa que desse alegria às pessoas que me são próximas.

Depois desta entrevista vai...

Continuar a trabalhar e concentrar-me no casting de um papel que gostava muito de interpretar, com um realizador que aprecio muito. E desejo um bom ano de 2018 para todos. 

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