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“Não trabalho para ganhar prémios, os fãs é que são os meus prémios”
Viver 6 min. 02.11.2017 Do nosso arquivo online
Nelson Freitas

“Não trabalho para ganhar prémios, os fãs é que são os meus prémios”

Nelson Freitas atua este sábado no Hall du Deich, em Ettelbruck.
Nelson Freitas

“Não trabalho para ganhar prémios, os fãs é que são os meus prémios”

Nelson Freitas atua este sábado no Hall du Deich, em Ettelbruck.
Viver 6 min. 02.11.2017 Do nosso arquivo online
Nelson Freitas

“Não trabalho para ganhar prémios, os fãs é que são os meus prémios”

Depois de ter ganho no passado 21 de outubro três das quatro nomeações dos prestigiados African Entertainment Awards USA, na cidade norte-americana de Nova Jérsia, Nelson Freitas volta a atuar este sábado no Luxemburgo.

Nelson Freitas é um dos músicos lusófonos mais influentes da atualidade. Depois de ter ganho no passado 21 de outubro três das quatro nomeações dos prestigiados African Entertainment Awards USA, na cidade norte-americana de Nova Jérsia, o cantor e produtor musical holandês de origem cabo-verdiana volta a atuar este sábado no Luxemburgo. A poucos dias do concerto que promete encher o Hall du Deich, em Ettelbruck, o Contacto “interrompeu” a gravação do novo single de Nelson Freitas para uma entrevista.

Neste momento [quinta-feira, dia 26 de outubro] está num estúdio em Londres a gravar um novo EP e um novo single. Pode levantar um pouco do véu para os seus fãs?

A gravação do EP está pronta. Estou agora a gravar o vídeo de um novo single que, em princípio, deverá sair em meados de novembro. Não há uma data certa, mas este EP tem quatro músicas inéditas com dois vídeos.

Na passada semana esteve nos Estados Unidos para receber os prémios de Melhor Artista Masculino, Melhor Colaboração, com o tema “Break of Dawn”, com Richie Campbell, e ainda Melhor Artista PALOP nos African Entertainment Awards USA 2017, em Nova Jérsia. Só lhe faltou ganhar uma categoria.

Sim, era a categoria People’s Choice, o voto do público. Mas entre quatro categorias, ganhar três é muito bom. Não me posso queixar.

Na última edição do Cabo Verde Music Awards, o Nelson superou todas as expectativas ao conquistar o prémio de Melhor Álbum do Ano, Melhor Kizomba, Melhor Colaboração e Melhor Videoclip. A juntar-se a estes prémios nos EUA, é a confirmação de que é um dos mais bem-sucedidos artistas da atualidade?

Digo sempre que isto é fruto do trabalho. Mas eu não trabalho para ganhar prémios. Para mim, os fãs é que são os meus prémios, porque quando os oiço a cantar ou os vejo a chorar durante um concerto, isto é que o melhor prémio. Ganhar os outros prémios é um bónus, um extra.

Foto: Manuel Dias

No próximo sábado vai atuar no Luxemburgo, no Hall du Deich, em Ettelbruck. Que novidades vai trazer para os seus fãs?

Vai ser a primeira vez em que vou estar ao vivo com a minha banda completa. Vai ser um concerto a não perder.

Que outras novidades vai haver?

Provavelmente vou cantar uma ou duas músicas novas, do novo projeto. Os meus fãs não podem faltar.

Músicas do EP que está a gravar.

Sim.

Imagino que os sucessos “Bo tem mel” e “Miúda Linda” não vão faltar.

Isso nunca. São músicas que tenho de cantar durante a vida inteira.

O videoclipe “Miúda linda” foi o mais visto em Portugal em 2016, com 18,8 milhões de visualizações. Atualmente já ultrapassou os 43 milhões de visualizações. Esperava esse sucesso?

Não. Nunca se sabe o alcance de uma música, como é que ela vai bater. Essa música é prova do que fazem os fãs. São os fãs que levam essa música desse jeito. Nessa música, “Miúda linda”, fiz o que faço em todas as músicas: dou o meu melhor, 100%. Depois, os fãs é que fazem dela um sucesso. Por isso é que digo que os meus prémios são os fãs.

Um sucesso que permite ter concertos esgotados, encher salas como o Meo Arena ou o Coliseu em Lisboa e mais recentemente, em maio, o Olympia. O que sentiu ao pisar a mítica sala de espetáculos parisiense?

Foi uma sensação incrível. É uma sala espetacular e com o público a vibrar connosco daquela forma, não vou esquecer. Vou querer voltar mais uma vez ao Olympia.

Ainda no backstage, antes de subir a esse palco, sentia algum nervosismo?

Não era nervosismo. É sempre aquela ansiedade antes de entrar em palco. É algo natural ter essa ansiedade. Mas depois de 10 segundos no palco isso passou. São já muitos anos de estrada.

Foto: Manuel Dias

Quanto tempo leva de estrada?

Mais de 15 anos. Mas a sério e a solo há cerca de 10 anos, quando lancei o meu primeiro disco a solo em 2006 [Magic].

Cresceu a ouvir música tradicional de Cabo Verde em casa, sobretudo morna e coladeira, mas teve outras influências musicais.

Sim, em casa com os meus pais ouvia muita música de Cabo Verde. Na Holanda, onde cresci, ouvia também muito hip-hop e R&B no ambiente à volta de onde morava. Tinha também um tio DJ que passava muitas músicas de estilo zouk. Então, peguei em todos esses estilos e pus nas minhas músicas. É daí que sai a sonoridade de Nelson Freitas.

Esta mistura de influências é o segredo para ter um grupo de fãs que não tem fronteiras nem idades?

Faz parte do segredo. Canto vários estilos e em várias línguas e os fãs do mundo inteiro gostam disso. Tenho fãs de Cabo Verde, Portugal, Guiné, Angola, São Tomé, etc, que vão desde os quatro anos até à casa dos 60.

Já subiu ao palco com o ex-Fugees Wyclef Jean, Anselmo Ralph, tem trabalhos gravados com Richie Campbell ou Mayra Andrade. Com quem gostaria ainda de trabalhar?

Não sei. Neste momento estou a fazer uns trabalhos nos Estados Unidos. Fiz uma participação com o neto de Bob Marley [Skip Marley] que deverá sair em breve. O resultado ficou muito giro, mas não posso revelar muito mais para já.

Alguma mensagem para os fãs?

Para os fãs do Luxemburgo, França e onde quer que estejam, não percam este concerto do Nelson Freitas ao vivo, pela primeira vez com banda no Luxemburgo. Um até já.

Henrique de Burgo

O concerto de Nelson Freitas vai ter lugar no sábado, dia 4 de novembro, a partir das 21h, no Hall du Deich, em Ettelbruck. Bilhetes à venda na Rádio Latina, Épicerie Créole, restaurantes Métissage e Étoiles du Cap Vert, sede dos Veteranos do Norte, supermercado Primavera e talhos Ferreira. A entrada custa 25 €, o bilhete VIP 50 € e preços especiais para os mais jovens. Mais informações através dos tel. 621 740 041 e 621 494 412.

As escolhas de Nelson Freitas

Uma referência musical?

Michael Jackson.

Uma banda?

Coldplay.

Uma música?

“Human Nature”, de Michael Jackson.

Um filme?

Scarface.

Prato preferido?

Bacalhau, feito pela minha mãe.

Lugar de eleição?

Ibiza.

O melhor e o pior de Cabo Verde?

O melhor é o país em si. O pior... hum... Não vejo nada de pior.

O melhor e o pior de Portugal?

O melhor de Portugal é a comida. O pior é a hora de almoço e explico porquê. Sou uma pessoa bastante ativa e não tenho hora de almoço. Em Portugal quase ninguém trabalha à hora de almoço e quando quero fazer alguma coisa a essa hora fico nervoso porque tenho a necessidade de tratar disto ou daquilo no momento. Mas não dá, porque está toda a gente a almoçar.

Clube do coração?

Feyenoord de Roterdão, Holanda.

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