Escolha as suas informações

Não, não dou banho ao meu filho todos os dias
Opinião Viver 2 min. 18.03.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

Não, não dou banho ao meu filho todos os dias

Diário de uma mãe imigrante a mil

Não, não dou banho ao meu filho todos os dias

Foto: Pixabay
Opinião Viver 2 min. 18.03.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

Não, não dou banho ao meu filho todos os dias

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Quando vivi nos Países Baixos vi o banho diário ser subestimado. Em Portugal sinto que o assunto no que toca sobretudo aos bebés ou crianças mais pequenas é sobrestimado. No Luxemburgo encontrei o meio-termo.

Não tenho dúvidas que sou uma mãe imperfeita. E que esta crónica irá ser objeto da minha desonra. Perdoem-me as minhas amigas e mães portuguesas, mas esta é a minha visão, sendo que sou fã incondicional d’“o que for melhor para a mãe e para o bebé”. Mas se há coisa que a emigração me ensinou foi que não existe só preto e branco. Há espaço para o meio-termo. O banho das crianças é, para mim, um destes tópicos. 

Quando vivi nos Países Baixos vi e ouvi algumas vezes as pessoas a torcerem o nariz ao banho diário (duche a sério, com água a correr e com lavagem de cabelo). Mesmo quem vai ao ginásio não vê forçosamente a necessidade de tomar um banho a seguir.

Em Portugal o banho é sagrado. Então se for dia de missa ou de ir ao médico carreguem no gel de banho. Bebés ainda com semanas, dias de vida, são desde logo habituados ao banho diário, cabelo incluído. 

No Luxemburgo, lá está, o tema anda lá pelo meio. É comum pediatras e enfermeiras recomendarem o banho (integral) apenas uma ou duas vezes por semana aos bebés de colo e crianças mais pequenas. Sobretudo no inverno, em que a criança não transpira, ou pouco. A roupa suja muito, é certo, mas o corpo em si, está pouco exposto. 

No caso do meu filho Martim tenho a sorte de esta ainda ser mais a regra do que a exceção. O seu esfíncter poupa-me a muitos banhos (para já ainda usa fralda), suja-se pouco a comer, e vomitou apenas uma vez em dois anos e sete meses (cruzes credo, batam na madeira!). Tudo o resto: urina, cagadas até ao pescoço, baba em demasia, ou peixe colado nos fios de cabelo (particularmente se esse peixe for bacalhau) é mergulho óbvio pela certa. E praia, claro. 

Não raras vezes deparei-me com o espanto (ainda que disfarçado) de amigas ou familiares quando digo que não dou banho ao Martim todos os dias. Surpreendentemente um dermatologista português disse-me isto há vários anos sobre os banhos dos adultos, sobretudo no inverno: “A pele tem defesas naturais que se destroem com sabonetes, gel de banho e champôs. Evite o chuveiro integral todos os dias”. Gravei estas palavras até hoje, mas o que é que eu faço? Tomo banho todos os dias. 

Mas o Martim não. Regra geral, banho certo certo é duas vezes por semana. Sempre que não há cagadas, bodies com cheiro persistente a urina, ou areia do parque que já chegou à fralda. Eu mãe me confesso: sou fã incondicional da toalhita. 

“Ah o banho é importante para criar o hábito e as rotinas na criança desde cedo”. Completamente de acordo, mas assim como se cria o hábito de ir ao ginásio três vezes por semana, porque não o hábito de tomar banho duas vezes por semana enquanto for humana e odoriferamente possível? 

Com o Martim a grandir, este esquema tem obviamente os dias contados. Mas vou aproveitando enquanto dura. Tanto quanto sei, os amigos da creche continuam a aproximar-se dele sem repúdio, ele continua feliz, a sua pele idem e o ambiente agradece. E as minhas costas também. 

 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.