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Não gosta de abraços? A ciência explica porquê

Não gosta de abraços? A ciência explica porquê

Foto: Shutterstock
Viver 3 min. 01.05.2019

Não gosta de abraços? A ciência explica porquê

Se é das pessoas que não gosta de contacto físico, saiba que um abraço pode fazer bem à saúde - literalmente.

É possível que não saiba explicar porque gosta de abraçar os outros. Ou se, pelo contrário, detesta essa proximidade. Segundo os especialistas, tal poderá estar relacionado com a educação de cada um. 

Um estudo publicado na revista Comprehensive Psychology concluiu que as crianças que foram educadas por pais que dão abraços frequentes, tornam-se adultos que gostam de abraços. Na conclusão, pode ler-se: "o abraço é uma parte importante do crescimento emocional da criança".  

Crescer num ambiente afetuoso ou num ambiente sem contacto físico tem, desta forma, repercussões psicológicas no futuro de cada um de nós, consideram os especialistas. "A nossa tendência para interagir fisicamente - seja abraços, uma palmada nas costas ou simplesmente dar o braço a alguém - é o resultado das nossas experiências durante a infância", explica à revista norte-americana TIME Suzanne Degges-White, professora da Universidade de Illinois. 

Suzanne Degges-White faz também a comparação inversa. "Se cresceste numa família onde não havia contacto físico, se os teus pais não te abraçavam de forma regular, é provável que cresças sem essa faceta física nas tuas relações. E podes fazer o mesmo aos teus filhos."

Os investigadores denotam, também, que crescer num ambiente afetuoso ou num ambiente sem contacto físico tem repercussões psicológicas no futuro de cada um de nós. Muitas vezes, no sentido oposto. "Crescer sem contacto físico pode ter o efeito oposto e deixar a pessoa sedenta de proximidade. Vão acabar por procurá-la nas relações adultas. Por vezes, em demasia", explica a investigadora.

A autoestima também tem influência no facto de gostarmos ou não de abraços. Suzanne Degges-White diz que "pessoas que se sentem confortáveis com o contacto físico com outros, normalmente têm mais confiança em si. Em contrapartida, quem sofre de ansiedade social pode ficar mais hesitante em interagir com afeto, mesmo com amigos". 

Se é das pessoas que não gosta de contacto físico, saiba que um abraço pode fazer bem à saúde - literalmente. Num outro estudo de 2015, a Carnegie Mellon University chegou à conclusão de que abraços ou outras formas de afeto ajudam ao bom funcionamento sistema imunitário. A investigação baseou-se na hipótese de que as pessoas que se sentiam amadas tinham menos propensão para ficarem doentes e os resultados parecem confirmar as expectativas dos investigadores. 

Entre os resultados verificou-se que os níveis de imunidade eram maiores em pessoas que aliviavam o stress através do contacto físico com entes queridos. Aquela expressão "um abraço cura tudo" parece, assim, não estar muito longe da realidade.

Por outro lado, os abraços estão muito ligados à cultura em que cada um está inserido. Um estudo do Greater Good Science Center, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, veio confirmar estas diferenças. Por exemplo, os povos latinos são mais calorosos? Numa das conclusões, as pessoas nos Estados Unidos ou Inglaterra abraçam menos que em França ou Porto Rico, verificaram os investigadores. Parece que é mesmo verdade.