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Milionário muda vida de menino que estudava à luz da via pública
Viver 2 3 min. 01.06.2019

Milionário muda vida de menino que estudava à luz da via pública

Milionário muda vida de menino que estudava à luz da via pública

Foto: Facebook/Municipalidad Distrital de Moche
Viver 2 3 min. 01.06.2019

Milionário muda vida de menino que estudava à luz da via pública

Víctor fazia os trabalhos de casa à luz dos candeeiros públicos, até que um dia um milionário de 31 anos, que vivia a 14 mil quilómetros de distância, mudou a sua vida.

A história tem todos os ingredientes para dar um filme. A mãe do pequeno Víctor Martín Angulo Córdova, de 12 anos, não tinha dinheiro para pagar a conta da luz, da sua humilde casa, feita apenas de tijolos de cimento, sem porta da rua nem vidros nas janela e de apenas uma assoalhada. O telhado era apenas de folha de zinco. Víctor fazia os trabalhos de casa à luz dos candeeiros públicos, até que um dia um milionário de 31 anos, que vivia a 14 mil quilómetros de distância, mudou a sua vida.

Víctor Martín Angulo Córdova não era um menino normal. Tinha de sair à rua para fazer os trabalhos de casa, na cidade de Moche, no Perú.  Sob a luz do candeeiro público fazia os deveres escolares, umas vezes sentado na calçada, outras deitado no passeio. As imagens captadas por uma câmara de vigilância mostram a figura de Víctor empenhado nos estudos à luz amarela da via pública.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Como contou, mais tarde num programa de televisão peruano, foi assim que durante muito tempo estudou. Em casa nem sempre havia dinheiro para a luz. A mãe, trabalhadora na área da reciclagem, ganha muito pouco para sustentar dois filhos, Víctor e a irmã mais nova.

Mesmo sem se saber nada da sua história de vida, ou sequer o seu nome, as imagens de Víctor tornaram-se virais na internet. E o menino viu-se de repente a ser convidado e protagonista de programas de televisão, a dar entrevistas à comunicação social, e foi até recebido pelo presidente da câmara Moche. Ao mesmo tempo foi nomeado embaixador de Leitura por uma universidade de Lima, a propósito de um programa nacional de incentivo à leitura.  

Num país onde cada cidadão lê apenas um livro por ano em média, como revela a reportagem da rede de televisão peruana Latina, o menino que estudava à luz da via pública é o adolescente perfeito para ser nomeado embaixador de Leitura. "Não posso viver ser ler", admitiu Víctor.  "Estou muito feliz, nunca pensei ser escolhido para embaixador e ganhar esta medalha, tudo porque saí de casa porque não tinha eletricidade e fui para a rua ler", disse o jovem na reportagem.

Mas o espanto não ficou por aqui. A 14 mil quilómetros do Perú, no Bahrein, o vídeo do jovem a estudar à luz das velas impressionaram Yaqoob Yusuf Ahmed Mubarak, milionário de 31 anos. Mubarak comoveu-se pelas afinidades que encontrou entre si (Mubarak era pobre em criança) e o menino peruano, e resolveu ajudá-lo. Falou com um dos seus assessores, que reside no México, e pediu-lhe para procurar Víctor.

A procura não foi fácil mas Mubarak conseguir localizar o jovem. Voou então até ao Perú e foi bater à porta da casa de Víctor. O árabe, o menino peruano e o assessor mexicano passaram o dia juntos como mostra uma das reportagens feitas pelos guias locais. E até leram deitados no passeio.

Na humilde casa de Víctor e olhando para as condições, Mubarak mandou construir uma nova habitação com dois pisos, ali mesmo, dando à família melhores condições de vida. "Fico muito feliz por eles me ajudarem a construir a minha casinha humilde, que nunca deixará de ser", disse o menino à jornalista da rádio peruana RPP. 

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Ao mesmo tempo, Mubarak entregou 2000 dólares (1793 euros) a Víctor, uma ajuda para a família. O menino riu e disse: "tantos papéis". O milionário árabe comprometeu-se também a ajudar a melhorar o colégio onde estuda Víctor. "Estamos a estudar com o diretor do colégio de Moche e o presidente da câmara as reais necessidades do colégio", revelou o assessor do milionário, anunciando a oferta de todo o equipamento para uma sala de computadores que terá o nome do menino.

"Muito obrigada, não tenho muitas palavras para lhe agradecer", afirmou Víctor no palanque do colégio, aquando da visita do árabe à instituição escolar. Victor já não vai estudar à luz da via pública. E o que quer ser quando for grande? "Polícia, para acabar com a corrupção e com as notícias como 'namorado mata namorada'", afirmou aos media peruanos. 

Paula Santos Ferreira