Mili-Tasch Fernandes no confessionário

 Mili-Tasch Fernandes foi a primeira portuguesa a trabalhar nas instituições europeias, ainda antes de Portugal aderir à então CEE.
Mili-Tasch Fernandes foi a primeira portuguesa a trabalhar nas instituições europeias, ainda antes de Portugal aderir à então CEE.
Foto: Guy Jallay

Mili Tasch-Fernandes chegou ao Luxemburgo em 1966, com 17 anos. Foi a primeira portuguesa a trabalhar nas instituições europeias, ainda antes de Portugal aderir à então CEE, e a primeira mulher a presidir o Cercle Culturel des Institutions européenes. É membro do conselho de administração da Abadia de Neimënster e da Fundação Robert Krieps. Em 2001, recebeu a comenda do Infante D. Henrique pelo seu trabalho na difusão da cultura e da língua portuguesa. Atualmente, é guia-conferencista no Museu Nacional de História e Arte, no âmbito da exposição “Portugal – Drawing the world”, sobre os Descobrimentos portugueses.

O que estava a fazer antes desta entrevista?

A reler “Via Orientalis”, uma publicação da Fundação do Oriente. Tenho passado a minha vida a ler. É uma evasão e um refúgio. Na minha infância, gravemente doente, passei um ano acamada. Os livros são as alegrias que a vida me roubou.

Quando era pequena o que é que queria ser quando fosse grande?

Médica. Ou cantora lírica. Sempre cantei em Portugal e no Luxemburgo fiz parte do Coro da Catedral. Momentos inesquecíveis de obras acompanhadas pela então Orquestra Sinfónica da RTL, dirigida pelo mestre Pierre Cao.

Que outra profissão faria se não fizesse o que faz?

Arqueóloga especialista em escrita cuneiforme e hieroglífica (que estudei um pouco….). O passo dado pelo Homem ao materializar as emoções, os sentimentos e facilitar a comunicação passando da oralidade a formas escritas, sempre me fascinou.

Se pudesse ter um super-poder, qual seria?

Erradicar a pobreza e as injustiças no mundo.

Se fosse homem seria...

Nunca pensei nisso. Sempre aceitei a minha própria materialidade de género.

Se fosse uma personagem histórica seria...

Isabel de Borgonha.

O defeito de que não consegue livrar-se?

Dizer não.

A qualidade de que mais se orgulha?

Perseverança.

Uma proibição que não suporta?

O amordaçar da liberdade de expressão.

Um livro?

“Memorial do Convento”, de José Saramago.

Um disco?

“Carmina Burana”, de Carlo Orff.

Um filme?

“Sonata de Outono”, de Bergman.

Prato preferido?

Tantos... sempre peixe.

Clube do coração?

Benfica.

Um lugar (país ou sítio)?

Alves (um dos meus apelidos), no norte da Escócia. Um pequeno povoado que descobri há alguns anos. Segundo o que averiguei, terá sido fundado por um pescador português que por ali ficou.

Que país nunca vai figurar no seu passaporte?

Tantos… não terei tempo de dar a volta ao mundo.

O lugar mais estranho onde já esteve?

Os mosteiros gregos de Meteora (nordeste da Grécia), fundados no século XIV pelo monge Atanásio. Construídos no cimo de penhascos rochosos e dificilmente acessíveis (alguns ainda em funcionamento), são um repositório deslumbrante de arte sacra e de valiosos manuscritos.

O pior e o melhor do Luxemburgo?

Pior: o clima. Mesmo após meio século é complicado habituar-me... Melhor: a facilidade e a rapidez em obter um documento.

Uma palavra que não gosta de usar?

Impossível.

A palavra (ou expressão) que mais usa por dia?

Sim.

Um autor (vivo ou morto) para escrever a sua biografia?

Biografia? Para quê? Nesta vida tudo é transitório.

Uma coisa que quer mesmo fazer antes de morrer?

Visitar o teatro de Epidauro e ler ali, em grego, um excerto de “Os pássaros”, de Aristófanes.

O que não pode faltar no seu epitáfio?

Apenas somos um grão de areia no Universo.

Depois desta entrevista vai…

Continuar a ler.

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