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Investigação revela que: Hitler tinha o projecto de sequestrar o papa Pio XII
Viver 2 min. 05.08.2014 Do nosso arquivo online

Investigação revela que: Hitler tinha o projecto de sequestrar o papa Pio XII

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Investigação revela que: Hitler tinha o projecto de sequestrar o papa Pio XII

A ideia de Hitler era “uma conjura antipapal, um plano como o que tinha acontecido há mais de um século, com Napoleão contra Pio V e Pio VI”, escreve o jornalista Mario del Ballo, autor de um livro que explica a conjura anti-papal, agora publicado em Portugal.

O jornalista que conduziu a investigação afirma que Adolfo Hitler, no Verão de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, projectou “raptar” o papa Pio XII.

Mario del Ballo apresenta esta tese na obra de investigação “Quando Hitler quis raptar o papa. Os segredos revelados do Arquivo Secreto do Vaticano”, publicada pelas Edições Paulinas.

“De facto, ao que parece, Adolfo Hitler tinha projetado invadir o pequeno Estado [do Vaticano] e até prender e deportar o pontífice [Pio XII]”, afirma Ballo. Todavia, como afirma o autor, o projeto foi suspenso “quando já faltava muito pouco para o executar”.

Adolfo Hitler dirigia os destinos de uma Alemanha em expansão bélica, que já ocupara a Áustria, a Checoslováquia e outros países como a França, a Bélgica e a Holanda.

O motivo da “irritação” do líder nazi com o pontífice terá sido a publicação da encíclica “Mit brennender Sorge” (“Com profunda preocupação”), na qual se denuncia “a repressão da liberdade religiosa, [e] o culto idolátrico da raça”.

“Dissemos vigorosamente que nós, os católicos, não podemos banir os sábios ensinamentos do Antigo Testamento”, afirmou Pio XII, citado por Ballo.

“’Espiritualmente, somos todos semitas’, dirá o papa alguns meses depois”, remata o autor.

“Mit brennender Sorge” foi publicada em Março de 1937, e é uma das raras encíclicas publicadas em alemão, tendo sido impressa secretamente na Alemanha e lida em todos os templos católicos, o que motivou perseguições a vários religiosos e seguidores da Igreja de Roma.

“Tenho de agir pela paz, mesmo correndo um risco como este [a conjura contra Hitler] para eliminar a loucura nazi”, escreveu Pio XII, citado por Ballo.

O papa reagiu também de forma “fria” e com relutância à capitulação dos bispos austríacos, que três dias depois da entrada pacífica de Hitler na Áustria, assinaram uma declaração de apoio ao que se apresentou como “a integração austríaca no Reich germânico”.

O cardeal-arcebispo de Viena, Teodoro Innitzer, líder da Igreja austríaca, acrescentou à sua assinatura uma saudação nazi, tendo sido de imediato chamado ao Vaticano, e motivou uma forte repreensão e repulsa de Pio XII que o acusou de “ingénuo”, e questionou se nunca lera "uma página" da obra "Mein Kampf", na qual Hitler expõe a sua doutrina nacional-socialista.