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Halima Aden, de refugiada a capa da revista Sports Illustrated

Halima Aden, de refugiada a capa da revista Sports Illustrated

Foto: Sports Illustrated
Viver 3 min. 01.05.2019

Halima Aden, de refugiada a capa da revista Sports Illustrated

Halima Aden viveu num campo de refugiados, no Quénia, até aos sete anos. Hoje desfila para grandes nomes da moda. Mas sempre com o véu islâmico.

Halima Aden, de 21 anos, fez história ao tornar-se a primeira modelo a posar de véu e burkini - mistura de burca com biquíni -  para a edição deste ano da famosa revista de fatos de banho Sports Illustrated. A queniana viveu num campo de refugiados até aos sete anos de idade e hoje desfila para as grandes marcas de moda mundiais. Na sessão de fotos a modelo deixa à mostra apenas as mãos e os pés. 

Os biquínis reduzidos costumam ser as peças de eleição das produções fotográficas protagonizadas por belas modelos da mais famosa revista de fatos de banho do mundo, a Swimsuit Sports Illustrated (SI). Desta vez, a publicação deicidiu quebrar a tradição. A modelo em destaque, Halima Aden, de 21 anos, trocou os biquínis pelos burkinis, e nunca dispensou o véu islâmico [também designado de hijab] na produção que fez para a revista. 

"Estamos absolutamente entusiasmados ao anunciar que Halima Aden é o mais novo membro da família Swimsuit [fatos de banho] da Sports Illustrated, fazendo história ao ser a primeira modelo muçulmana a usar um hijab e burkini na revista", declararam os responsáveis da publicação.

Ao mesmo tempo que é tida como uma rampa de lançamento para muitas modelos, a SI também é conhecida pela sua batalha a favor da inclusão social e da liberdade feminina. Desta forma, decidiu este ano, sem qualquer receio, apresentar nas suas páginas uma modelo com um burkini e o véu islâmico, derrubando muitas fronteiras. 

Além da beleza de Halima, a sua "história incrível também merece ser partilhada", vincou o editor da revista à People, MJ Day. "A sua beleza extraordinária faz-nos olhar para Halima, mas a mensagem dela faz-nos escutá-la. Não tenho dúvidas de que os milhões de pessoas que a vêem no fato de banho da SI serão tão inspirados e hipnotizados quanto nós. Estou confiante de que as pessoas verão algo delas mesmas refletidas em Halima Aden. E é isso que pode conduzir a mudanças significativas", considerou MJ Day.  

Halima Aden é americana e somali, e viveu até aos sete anos num campo de refugiados no Quénia. E foi neste mesmo país que a modelo protagonizou as imagens que aparecem na revista.

"Eu olho para a paisagem e só penso naquela menina de seis anos que era eu que neste mesmo país cresceu num campo de refugiados, saiu e foi viver o sonho americano e agora voltou ao Quénia e está a filmar nas partes mais bonitas do país. Não acho que se possa inventar uma história destas", disse a modelo num vídeo da SI durante a produção fotográfica. 

Foi nos EUA que a manequim adotou a religião muçulmana e começou a usar o véu. Aos 19 anos tornou-se notícia ao ser a primeira candidata a Miss Minnesota USA a usar véu e burkini, tendo chegado às semifinais da competição.  Em 2017, foi a primeira modelo com véu a aparecer na capa da edição de julho da Allure, uma das maiores revistas de moda e beleza americanas. Este ano, em março, foi também uma das três modelos negras com o véu islâmico a figurar na capa da Vogue Arabia.

Ao mesmo tempo, Aden já correu várias passarelas. Desfilou na Semana da Moda de Nova Iorque e de Milão, para nomes grandes da moda internacional, como Max Mara ou Alberta Ferretti.

Halima tornou-se a primeira modelo a usar o hijab a assinar um contrato com a reputada agência de modelos IMG, a mesma que representa manequins reputadas como Gigi Hadid, Gisele Bundchen e Ashley Graham.
Halima tornou-se a primeira modelo a usar o hijab a assinar um contrato com a reputada agência de modelos IMG, a mesma que representa manequins reputadas como Gigi Hadid, Gisele Bundchen e Ashley Graham.
Foto: AFP

"Começamos a ver políticas, empresárias, repórteres e outras mulheres de sucesso com papéis relevantes a usar hijab e é essa a mensagem que precisamos de passar", declarou recentemente a manequim, citada pela BBC. Além da moda, Halima dedica-se às causas sociais. É uma ativista pelos direitos de género na Somália, nomeadamente contra a mutilação genital feminina.