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Saiba o que fazer em Budapeste antes do jogo
Viver 7 min. 14.06.2021
Euro2020

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Saiba o que fazer em Budapeste antes do jogo

José REIS DOS SANTOS
José REIS DOS SANTOS
Um roteiro para conhecer a capital húngara em poucas horas.

Qualquer jogador de futebol vos dirá que muito do que depende de como se entra num jogo depende do aquecimento para o jogo. São aqueles 30 minutinhos antes da partida, os tais que mutas e muitos nunca vêm, pois encontram-se geralmente ainda concentrados em escolher entre mais uma bifana ou uma entremeada na roulotte fora do estádio, enquanto pedem mais uma mini. Temos, pelo menos em Portugal, o hábito de entrar nos últimos minutos, assim que raramente assistimos aos momentos em que as equipas se preparam, o que o fazem na esmagadora maioria dos casos, perante bancadas despidas. Em todo o caso, estes momentos são decisivos para que os músculos aqueçam, para que se evitem lesões desnecessárias, para que se afinem táticas ou se testem as condições de um ou outro jogador que poderá estar em dúvida até à última hora. Mesmo para os comuns mortais, hoje cada vez mais dedicados às practicas desportivas, o período prévio de aquecimento antes da dedicação atenta à sua actividade de eleição, é decisiva. Alongamentos, pequenas corridinhas, e outros exercícios, preparam o corpo e a mente para a intensidade que se antevê. No mesmo sentido deve ser considerado um momento de descompressão após tamanha dispensa de energia, para reequilibrar, novamente, corpo e mente.

No caso do jogo de amanhã, experiência que se espera de grande intensidade para os cerca de 5000 portugueses que vão estar em Budapeste, sugerimos também que se preparem devidamente e que procurem retirar a melhor experiência, futebolística e cultural, da cidade que vos está a receber: Budapeste. Assim sendo, sugiro, dependendo do tempo, que uma optima caminhada com uma excelente panorâmica da cidade pode ser o complemento perfeito para uma manhã antes do dia do jogo, uma espécie de aquecimento que começando no centro da cidade, passará pela ilha margarida, cruza para Buda, vos ofereça um diálogo ao longo do Duna (Danúbio) até à ponte da Liberdade (Szabadság Hid), vos cruze novamente para Pest de forma a encontrar o Grande Mercado Central e vos deixe na estação de metro de forma a facilmente irem para o estádio ou para a fan zone onde se concentrarão os portugueses. Recordem-se que o jogo é as 18.00. Sugerimos que se inicie este percurso na Basílica de São Estevão (Szent István-bazilika), bem no coração da cidade. Aqui parem no Essência, restaurante do Chef Tiago Sabarigo e tomem um primeiro café na sua esplanada e caminhem até ao rio pela praça da Liberdade (Szabadság Tér), hoje um dos pontos da cidade onde se pode assistir aos jogos do Europeu e onde em 2016 a comunidade portuguesa na cidade se sagrou campeã europeia de futebol, assistindo ao jogo no ecrã virado para o lado do obelisco soviético relativo à libertação de Budapeste em 1945, com a pena de não termos tido a oportunidade de nos arrepiar a ouvir o Nuno Matos. A praça é o antigo centro financeiro da cidade, hoje ainda albergando o Banco Nacional, a antiga bolsa e a Embaixada Americana, a recente estátua de Reagan (em agradecimento pelo triunfo sobre a Guerra Fria), e o polémico memorial das vitimas da ocupação nazi. Muitos aficionados de series mais atentos, poderão verificar que muitas cenas de filmes têm sido filmadas nestes espaços, recriando cheiros e tempos de outras épocas.

Daqui à praça do Parlamento são dois passos e recomendamos que desçam ao rio pela esquerda, de forma a apanharam a estátua do poeta József Attila. À sua esquerda encontra-se um dos mais monstruosos monumentos que assinalam a história tortuosa de Budapest: os sapatos no Danubio, que simbolizam a barbárie que o massacre mecanizado das populações judaicas, ciganas, LGBT e não só trouxeram à cidade as nuvens carregadas do holocausto durante o período da ocupação nazi sob liderança das Flechas Quebradas (1944-1945), e que atiravam estes pobres selecionados ao rio depois de retirados os citados sapatos.

Daqui para a direita, alo longo do rio, chegamos à ilha Margarida, sede esperamos que frutuosa da Seleção nacional que nos leve daqui a Wembley. Aqui podem entrar um pouco dentro da ilha, disfrutar do show da fonte sonora e beber alguma coisa num dos bares ao longo do rio, mas regressem rapidamente à ponte, pois o tempo é escasso. De volta à ponte margarida (Margit Híd), aproveitem uma das vistas mais privilegiados da cidade, a que se encontra virada para o castelo (à direita) e para o Parlamento (à esquerda) e fica bem no meio do rio. Cruzem para Buda, ou seja para a vossa direita e virem à esquerda, caminhando por toda o marginal (raqpart). Por este caminho vão encontrar diversas praças, esplanadas, cafés onde poderão fazer uma paragem rápida para picar e beber alguma coisa.

Isto de ir comendo antes de jogo pode ser uma boa ideia, pois sem saber que tipo de oferta gastronómica nos espera na fan zone, nem ter ideia do que nos espera no estádio, só vos posso confidenciar que já tendo estado em vários jogos e estádios na Hungria, incluindo no velhinho Puskás, e no último Hungria x Portugal (de 2017), no então novo estádio do Ferencváros, o Groupama Arena, um dos ex-libris do extenso projecto do governo húngaro de procurar levar de regresso às glorias do passado o futebol húngaro, em todas estas experiências, admito, senti-me um ser estranho. E não necessariamente por não ter nenhuma equipa a apoiar, ou por no caso do jogo de Portugal de estar no canto da equipa forasteira. Estranho por todas as referências que tenho das minhas décadas de estádios não me serem oferecidas. Não existe aqui o conceito de «roulotte», da bifana, da entremeadas ou mesmo das minis ou o belo do courato. Aqui vendem-se sacos de pevides. Ponto. Secas, com paprika ou com outra coisa qualquer que acabei por não entender bem. Recordo-me que acabei por comprar um saco de cada.

Regressando ao nosso warm up, ainda longo da marginal, enquanto disfrutam a vista de Peste, podem ir observando do lado de Buda a Igreja Matias (onde foi coroada a rainha Sisi), o castelo, o Bastião dos Pescadores (Halászbástya), cabendo-vos a decisão de quererem subir a cada um destes lugares emblemáticos, uma vez mais dependendo do vosso cronómetro. Continuando ao longo do rio, irão passar pelo fantasticamente recuperado Várkert Bazár, depois pelas termas turcas Rudas, mesmo ao pé da ponte Erzsébet, para depois entraram na parte da colina Gellért. Aqui podem encontrar o famoso hotel, com as também famosas termas, e cruzar a lindíssima ponte da liberdade de volta a Peste (Szabadság Híd) para se encontrarem em plena Universidade Corvinus e no Grande Mercado Central (Nagyvásárcsarnok), ponto de referência que merece entrada e para ver as bancas e voltar picar qualquer coisa rápida no primeiro andar. Depois, já a caminho para o estádio, sugerimos irem directos para Deak Ferenc Tér, via Astoria, passando pelo Muzéum Korut (e Museu Nacional, berço da Revolução de 1848-49), que depois se transforma no Károly Korut, onde no fim das mesma encontram a estação de Deak Ferenc Ter, de onde terão duas hipóteses: apanhar a linha amarela (M1), a linha de metro mais antiga da Europa continental, que vos leva para a praça dos Heróis (Hősök Tere, onde a estação seguinte vos levará às termas szechenyi), sitio da fã zone, ou a linha vermelha (M2) que vos trará directamente para o estádio Ferenc Puskás.

Segundo o Goggle Maps, este percurso contabiliza cerca de 3 quilómetros, com um tempo estimado, sem grandes paragens, de cerca de 3 horas. Sendo Budapest uma cidade bastante desportiva, tenham atenção e respeitam as bicicletas e quem ande a correr. O calor na cidade pode apertar, assim que hidratem-se. As limonadas são optimas, bem como os cappuccinos. As termas estarão abertas para quem tiver consigo a pulseira de entrada no jogo, sem que o ingresso de entrada nas mesmas esteja incluído. As ofertas de comida são muito extensas, de restaurantes a esplanadas a street food, assim que não terão dificuldades de selecionarem boas opções durante o percurso.

Em todo o caso, como em qualquer desporto, não gastem as vossas energias todas no aquecimento. Recarreguem, ou levem carregadores extras para que durante os 90 minutos na Puskás Aréna os cerca de 60.000 húngaros se espantem com a nossa energia, cânticos, coreografias – ensaiadas, espontâneas ou improvisadas – como se fossemos todas e todos desde miúdos dos No Name Boys, Juve Leo, Super Dragões, Furia Azul, Mancha Negra e todas as claques nacionais juntas, e desta amalgama emerja num bloco uníssono vermelho e verde a claque das quinas, diversa e colorida, sempre a saltar, sempre a cantar, sempre a apoiar Portugal. Até Wembley.

José Reis Santos

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