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Estudo. 81% dos habitats europeus em declínio acentuado
Viver 3 min. 19.10.2020

Estudo. 81% dos habitats europeus em declínio acentuado

Estudo. 81% dos habitats europeus em declínio acentuado

Foto: Schutterstock
Viver 3 min. 19.10.2020

Estudo. 81% dos habitats europeus em declínio acentuado

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Na véspera da discussão de mudanças à política agrícola na Europa, um vasto estudo da Agência Europeia de Ambiente dá conta da perda de biodiversidade.

Cerca de 81 % dos habitats naturais na União Europeia encontram-se em mau estado, de acordo com um relatório da Agência Europeia de Ambiente (AEA). E, entre eles, são as turfeiras, os pântanos, os prados e as zonas de dunas os mais degradados. 

O relatório da agência da União Europeia (EU) divulgado hoje, dia 19, é mais um alerta sobre a degradação rápida dos ecossistemas e a necessidade urgente de inverter a tendência. E foi considerado, pelo comissário europeu do Ambiente, Virginijus Sinkevičius, como o mais completo «exame de saúde» da natureza alguma vez feito na UE. Um check-up no qual o património natural surge em má forma.

Feito com a colaboração de 200 mil pessoas - dos quais 120 mil em voluntariado – distribuídas pelos vários países, este relatório é considerado a maior base de dados sobre a natureza na UE e, inclui ainda o território do Reino Unido.

Hans Bruyninckx, diretor executivo da AEA, salientou que esta nova avaliação, O Estado da Natureza na União Europeia, “mostra que a salvaguarda da saúde e resiliência da natureza da Europa e do bem-estar das populações requer alterações profundas à forma como produzimos e consumimos os alimentos, gerimos e utilizamos as florestas e construímos cidades”.

O relatório refere que apenas 15% dos habitats apresentam um bom estado de conservação. Quanto às zonas marinhas, o estudo refere que há grandes falhas de capacidade de avaliação, motivo pelo qual o desconhecimento sobre os ambientes aquáticos europeus é grande.

De acordo com Hans Bruyninckx, é urgente haver “uma melhor implementação e aplicação das políticas de conservação e um enfoque na recuperação da natureza, bem como numa ação climática cada vez mais ambiciosa, em especial nos setores dos transportes e da energia”.

Estratégia de Biodiversidade 2030

Para o diretor da agência europeia do ambiente, a implementação da Estratégia de Biodiversidade para 2030 - um plano de ação apresentado pela Comissão Europeia em maio, para proteção de 30% do território europeu até ao fim da década - é fundamental para inverter a tendência.

Virginijus Sinkevičius salientou que este estudo “mostra muito claramente que continuamos a perder o nosso sistema de suporte de vida. Temos que urgentemente pôr em ação os compromissos da nova estratégia de biodiversidade europeia para reverter o declínio em benefício da natureza, das pessoas, do clima e da economia”.

A pressão da agricultura

No relatório refere-se que “a agricultura intensiva, a expansão urbana e as atividades silvícolas insustentáveis constituem as principais pressões sobre os habitats e as espécies.” Amanhã o Parlamento Europeu irá votar alterações à Política Agrícola Comum (PAC). A agricultura é a área mais fortemente subsidiada da União Europeia e, segundo os ambientalistas, a PAC tem sido um dos principais motores da perda de biodiversidade na Europa. A alteração da agricultura fortemente industrializada e intensiva para um objetivo de 25% de agricultura biológica a atingir em 2030 é uma das propostas da Comissão Europeia para travar a extinção de espécies na Europa.

 Segundo o relatório da AEA, as outras ameaças para a natureza são as alterações climáticas, a poluição do ar, da água e do solo e a caça e pesca não sustentáveis. Estas ameaças são aumentadas pelas alterações de rios e lagos, pela captação de água em barragens e pela presença de espécies invasoras.

O regresso do lobo é bom


Luxemburgo “está preparado” para o regresso do lobo
O Luxemburgo está preparado para o regresso do lobo. São palavras da ministra do Ambiente, Carole Dieschbourg, ouvida esta semana no Parlamento sobre o ressurgimento recente daquele predador em território nacional e as medidas do Governo para proteger agricultura e pecuária. Subsídios e indemnizações são as principais medidas.

  Mas se as zonas costeiras e húmidas estão entre as mais degradadas, algumas áreas florestais conheceram uma recente proteção, é o caso das florestas, que permitiram o regresso dos lobos de zonas de onde tinham desaparecido como é o caso da Alemanha, Bélgica e Luxemburgo. 

Houve ainda melhoria do número de algumas espécies de aves, como entre os grous, os papagaios vermelhos e o abutre barbudo.   

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