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Estes patos 'vão' a tribunal por fazerem muito barulho
Viver 3 min. 02.09.2019

Estes patos 'vão' a tribunal por fazerem muito barulho

Dominique Douthe e os seus patos e gansos

Estes patos 'vão' a tribunal por fazerem muito barulho

Dominique Douthe e os seus patos e gansos
AFP
Viver 3 min. 02.09.2019

Estes patos 'vão' a tribunal por fazerem muito barulho

O casal queixoso alega que quando visitou a quinta para a comprar era Inverno e havia menos patos na casa ao lado.

Depois do galo Maurice, que canta cedo demais na ilha de Oléron, e incomoda o casal vizinho, é a vez de cerca de cinquenta patos e gansos serem acusados, também em França, mas desta vez, em Soustons, Landes, por cacarejarem alto demais.

Estas são as aves acusadas de fazerem muito barulho
Estas são as aves acusadas de fazerem muito barulho
AFP

O processo contra estas aves foi também colocado por um casal de vizinhos, vindo da cidade, que comprou uma quinta ao lado daquela onde os patos e gansos vivem. 

E qual é a acusação? “O barulho incessante e outros incómodos que os meus patos causam", explicou à AFP Dominique Douthe, de 67 anos, a dona das aves.

Amanhã, Dominique vai a tribunal defender as suas aves, embora ambas as partes considerem que o julgamento deverá ser adiado.

 Dominique Douthe
Dominique Douthe
AFP

O processo gerou a polémica nesta comuna de 7.600 habitantes na costa sul de Landes.

Conflito tem um ano

“Este conflito começou há cerca de um ano, quando este vizinho adquiriu a propriedade", explicou Dominique Douthe contando que “duas vezes por semana ele vinha queixar-se do barulho das minhas aves”, isto aconteceu sistematicamente entre junho e outubro de 2018.

A justificação da queixosa

A mulher queixosa, que não quis ser identificada justificou à AFP que quando visitaram a propriedade, antes de a comprar, era “Inverno e os patos e gansos eram em menor número, logo menos barulhentos”.

“Tínhamos visto que existiam alguns animais. Só mais tarde, o ruído se tornou mais intenso", acrescentou.

O marido pediu a um especialista em ruído para encontrar uma solução. E ele encontrou: fazer um muro.

Só que o casal de queixosos não se trata apenas de barulho: "A quinta está localizada perto de um curso de água que desagua numa área Natura 2000, na qual é proibido existirem quintas". "O que achamos importante é o cumprimento das normas ambientais e foi isso que nos motivou a continuar: as normas devem ser respeitadas por todos", disse a mulher queixosa.

Habitantes contra casal forasteiro

Só que os habitantes estão contra a queixa deste casal forasteiro. Nesta pequena aldeia, "muitas casas têm um canto para a criação de aves. É mesmo assim, estamos em Landes", disse à AFP uma habitante que também possui algumas galinhas no seu quintal.

O dono dos gansos e patos acusados decidiu agir e contactou com várias associações de proteção animal, incluindo ‘30 Millions d’Amis’ e a ‘Fondation Brigitte Bardot’.

Petição a favor das aves

Foi lançada uma petição por um "Comité de Apoio aos Patos d’Hardy” que até sábado passado, dia 31 agosto já tinha reunido cerca de 5.000 assinaturas.

O galo Maurice conhece a sentença quinta-feira
O galo Maurice conhece a sentença quinta-feira
AFP

O caso motivou mesmo a intervenção da presidente da câmara de Soustons, Frédérique Charpenel. Na sua página do Facebook escreveu, no dia 30,  ser “absolutamente necessário, em Soustons e em toda a França, preservar as características da vida rural (agricultura, pecuária, pesca, caça, etc.)”. Porém, a autarca mostra-se contra o exagero das críticas ao casal de queixosos, justificando que se os habitantes perdessem um pouco do tempo a explicar os costumes da terra os recém-chegados poderiam integrar-se na aldeia e não “nos fariam perder a alma”.

A acusação contra os patos e gansos de Soustons junta-se a outras contra os ruídos rurais, como a do já famoso galo Maurice, cuja sentença será conhecida na quinta-feira, dia 5, em Rochefort.

AFP