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Equinócio de outono. Astrologia, rituais e tradições
Viver 5 min. 22.09.2021
Estações do ano

Equinócio de outono. Astrologia, rituais e tradições

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Equinócio de outono. Astrologia, rituais e tradições

Fotos: DR
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Equinócio de outono. Astrologia, rituais e tradições

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
O equinócio de outono, ou Mabon, é celebrado esta quarta-feira, dia 22 de setembro, às 21h20 (do Luxemburgo) em todo o hemisfério norte.

Os dias serão mais curtos, as cores das árvores começam a mudar, a natureza prepara-se para uma intensa transformação e enquanto isso as frutas e os legumes amadurecem. Eis que chega o outono ao norte do planeta: está na altura de colher o que se plantou e preparar para o inverno. 

"Nos equinócios estamos numa das fases do ano onde o Sol cruza o equador nos seus pontos este e oeste estabelecendo o ponto de equilíbrio entre os dias e as noites. No caso do Hemisfério Norte as noites vão progressivamente aumentando a partir do equinócio de outono, dando lugar e primazia às questões sociais e coletivas, o dia simboliza o individual e a noite o coletivo", escreve o astrólogo Luis Resina.

"Astrologicamente, o equinócio do outono é celebrado quando o Sol se move para os zero graus de Balança na roda do zodíaco. Os equinócios e solestícios marcam sempre a "volta da roda" aos zero graus dos signos cardinais: Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio", comenta ao telemóvel Katie Emma, professora de astrologia australiana a residir no Porto, em Portugal.

"No dia de hoje, temos o mesmo tempo de luz e escuridão, o que significa um tempo de equilíbrio e descanso terreno. Colhemos as sementes semeadas no início do ano, e agora passamos a um ciclo de descanso, reflexão e restauração em preparação para o próximo inverno, tempo de escuridão", explica. 

Katie Emma é professora de astrologia na escola que fundou, Temple of Cosmic Astrology. É australiana mas reside em Portugal há três anos.
Katie Emma é professora de astrologia na escola que fundou, Temple of Cosmic Astrology. É australiana mas reside em Portugal há três anos.
DR

A jovem emigrada em Portugal e fundadora da escola Temple of Cosmic Astrology , já celebrou três equinócios de outono em Portugal, um deles criando um ritual aberto ao público. "Entretanto veio a pandemia", comenta.

Explica que "tradicionalmente trata-se de uma celebração de Colheita, em que damos graças por tudo o que temos cultivado, recebido e experimentado até este momento do ano. Neste espaço de gratidão, ganhamos sabedoria através da reflexão e celebramos tudo o que foi alcançado, o que nos irá alimentar e sustentar durante os meses de inverno". 

Apesar de Portugal ter uma enorme raiz de cristianismo, Katie tem reparado que há muito interesse nas tradições naturalistas e pagãs "sinto que algumas destas tradições estão ligadas à cultura daqui, especialmente aquelas pessoas que ainda têm uma profunda ligação com a terra e as aldeias de onde são originárias".

Em termos de rituais, é uma óptima altura para "arrumar e criar espaço", aconselha. "É o momento perfeito para limpar o espaço, a casa e mesmo oferecer ou vender as coisas que já não se precisam. Abrir todas as janelas e portas, limpar o ar com ervas tradicionais locais. Também pode queimar incenso (de preferência canela). Se tiver um altar, adicionem-se alguns itens como folhas de outono, sementes, maçãs, nozes, abóboras e cabaças para honrar a virada da estação. E para quem gosta de cozinhar, cozer maçãs e abóboras para nutrir o corpo é uma excelente ideia".

São várias as tradições à volta das mudanças de estação. "Nalgumas culturas tradicionais celebrava-se o Equinócio de Outono como o começo do ano civil, tal foi o caso, na antiga tradição Hebraica e nalguns reinos do antigo Egipto", contextualiza Luis Resina.

A lua cheia mais próxima do equinócio do outono, que calhou esta segunda-feira, chama-se Lua da Colheita, uma vez que por esta altura os agricultores já teriam os seus cereais, tomates, abóboras, sementes de girassol prontos para serem pesados e vendidos, celebrando-se a "segunda colheita". O Mabon, termo que segundo Jason Mankey autor do livro "A Roda do Ano: Rituais para círculos, solitários e covens ", só começou a utilizar-se na década de 70, dava-se quando o gado era abatido e conservado (salgado e fumado) para fornecer comida suficiente para o inverno. No Pólo Sul, celebrariam a primeira aparição do sol dentro de seis meses. Contudo, no Pólo Norte os povos preparavam-se para seis meses de escuridão. Durante a época medieval, a Igreja cristã substituiu os solstícios pagãos e as celebrações do equinócio por ocasiões cristianizadas. 

Em Inglaterra, todos os anos, no dia 22 ou 23 de setembro, druidas e pagãos reúnem-se em Stonehenge de manhã cedo para marcar o equinócio de outono e para ver o nascer do sol por cima das pedras antigas. É uma celebração que reúne as tribos da Nova Era da Inglaterra (neo-druidas, neo-pagãos, Wiccans) com famílias comuns, turistas e viajantes por muitos considerado um momento ritualistico e espiritual. 

Este é o terceiro dos quatro "pontos do céu" da nossa Roda do Ano e é quando o sol faz um perfeito acto de equilíbrio com a Terra. 

Para Maria João Mega, terapêutica holistica e sistémica e sacerdotisa da Mãe Divina, este equinócio de outono é particularmente importante. Além de se aproximar do seu retorno solar (aniversário), é o primeiro que celebra desde que se mudou de Portugal para Bruxelas, aos 57 anos de idade. 


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"Celebro este equinócio de uma forma muito simples, em meditação e através de agradecimento ao Sol, à Terra. O dia e a noite são iguais em qualquer parte do mundo, então essa perspectiva de um certo equilibrio entre aquilo que é a noite e o dia, transportam-me para a simbologia do dia que representa o Sol, o masculino, o Espírito. E a noite que representa o feminino, a alma, a Lua", reflete ao telemóvel. 

"Esta ligação à Natureza e aos seus ciclos é importante, porque se reflete nos nossos órgãos, no nosso corpo. Não é por caso que é nesta altura que nos cai o cabelo. É como as folhas, há uma renovação em que o velho sai de nós para haver um renascimento no próximo equinócio da primavera", explica. "É um momento mágico no planeta Terra e é aquele que corresponde a um momento de inspiração lento. A Natureza é que nos ensina a respirar e as estações do ano associam-se ao inspirar e respirar, a sínstole e a diástole.

Trata-se, sobretudo, de "um momento que convida à introspeção, ao recolhimento, ao balanço daquilo que foi o ciclo anterior". Maria João Mega lembra que esta é também a data em que se celebra o São Miguel arcanjo,"preside este equinócio, protector de todas as nações que traz uma consciência de purificação e limpeza".

A palavra latina para Equinócio significa "tempo de dias e noites iguais". Depois desta celebração, a chegada ao inverno fará as temperaturas descer. A noite conquistará o dia, está na hora do recolher.

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