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Engessar pernas saudáveis
Opinião Viver 3 min. 17.11.2021
Dicas/Educação

Engessar pernas saudáveis

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Engessar pernas saudáveis

Ilustração: Alexandra Brito
Opinião Viver 3 min. 17.11.2021
Dicas/Educação

Engessar pernas saudáveis

Como em tudo, primeiro definimos com eles as regras, mostramos como se faz, depois acompanhamos enquanto fazem connosco, posteriormente supervisionamos quando fazem por si, em ganhos progressivos de confiança e responsabilidade.

Ana Cristina Barbosa, psicóloga e Alexandra Brito, professora

De cada vez que paramos um pouco e nos permitimos contemplar, com tempo, as nossas crias, qualquer que seja a sua idade, surpreendemo-nos com o quanto mudaram, o quanto cresceram em pouco mais que nada. Naquilo que nos parece ter sido há cinco minutos atrás, eram eles bebés de colo a sair da maternidade, estavam no primeiro dia de escola ou numa qualquer outra altura marcante do seu percurso. Na altura em que  o nosso colo era o remédio para todos os males, as nossas palavras eram a derradeira verdade e éramos sentidos e desejados como omnipresentes e omnipotentes pelos nossos filhos.

Apesar de sabermos bem que estão a crescer, olhamos para eles no dia a dia e parecem-nos os pequenos de sempre, secretamente queremos que permaneçam os e as pequenas de sempre, e frequentemente, sem nos darmos conta, fazemos por isso… precisamos de que precisem de nós, como desde sempre...

As crianças têm à nascença o melhor motor do mundo para o seu desenvolvimento: a curiosidade. Graças a essa curiosidade, observam e  exploram o seu entorno, começam a experimentar e a tentar fazer coisas por si, cada qual a seu ritmo e de acordo com os seus interesses. Sempre que haja oportunidades nesse sentido, vão aprender fazendo, sentindo-se cada vez mais capazes e tendo orgulho nisso.

O problema está quando os adultos “empecilham” este importantíssimo processo. Quando fazemos pelos bebés, crianças ou jovens algo que elas estão prontas para fazer ou começar a tentar fazer, estamos a dificultar o desenvolvimento, estamos como que a “engessar pernas saudáveis” a alguém que quer andar. Fazemo-lo muitas vezes por ser mais prático e rápido, na correria do quotidiano, fazemo-lo porque achamos que eles ainda não fazem suficientemente bem ou farão asneira, e queremos que fique bem, e fazemo-lo com a melhor das intenções porque achamos que os estamos a proteger e temos medo por eles... serão muitas mais ainda as razões pelas quais nos vamos tentando convencer de que ainda é o melhor fazer por eles. Mas o que é certo é que, bem vistas as coisas, estamos a impedir, a cada vez, a oportunidade de tentarem, aprenderem com as tentativas, treinarem e aperfeiçoarem a dita competência. Portanto, quando o fazemos temos de nos perguntar: isto é melhor para quem, quem é que estamos a tentar beneficiar, a eles ou a nós próprios?!

Obviamente que, quando aqui defendemos que o bebé, criança ou jovem devem ser protagonistas do seu desenvolvimento, sendo encorajados a seguir a sua curiosidade e a explorar o mundo aprendendo com a experiência, isto não significa que os adultos deverão ou poderão demitir-se deste processo. Se não fazemos por eles, o que podemos fazer então? Podemos ser andaimes que apoiam as crianças na sua própria construção, andaimes que se adaptam ao nível e ao ritmo em que a criança está, porque demasiado acima ou abaixo também não ajuda muito. Ser andaime significa garantir segurança, apoio, desafio e possibilitar meios e estratégias para que a criança vá fazendo cada vez mais por si própria.

Como em tudo, primeiro definimos com eles as regras, mostramos como se faz, depois acompanhamos enquanto fazem connosco, posteriormente supervisionamos quando fazem por si, em ganhos progressivos de confiança e responsabilidade, que como em qualquer aprendizagem de equilíbrio, vão ter avanços, recuos e pequenas quedas, que fazem parte do aprender. Nas próximas crónicas abordaremos formas práticas de estimular a autonomia em diferentes faixas etárias, da pequena infância à adolescência. 

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