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Editorial: Um Eldorado em contagem decrescente
Viver 2 min. 15.11.2017 Do nosso arquivo online

Editorial: Um Eldorado em contagem decrescente

Editorial: Um Eldorado em contagem decrescente

Foto:Gerry Huberty
Viver 2 min. 15.11.2017 Do nosso arquivo online

Editorial: Um Eldorado em contagem decrescente

Para a maioria dos europeus, alguém que vive no Luxemburgo provavelmente ainda trabalha num banco. Uma imagem criada ao longo de várias décadas em que o setor da banca cresceu exponencialmente, chegando às 212 empresas sediadas no Grão-Ducado. Algumas dessas instituições passaram a integrar a lista dos principais empregadores do país, com as convenções coletivas a garantirem que uma pequena fatia da riqueza que era criada – ou, em larga medida, desviada – era destinada aos empregados do setor. Um Eldorado com que milhares de jovens sonhavam. Até que chegou 2008…

José Campinho - Para a maioria dos europeus, alguém que vive no Luxemburgo provavelmente ainda trabalha num banco. Uma imagem criada ao longo de várias décadas em que o setor da banca cresceu exponencialmente, chegando às 212 empresas sediadas no Grão-Ducado. Algumas dessas instituições passaram a integrar a lista dos principais empregadores do país, com as convenções coletivas a garantirem que uma pequena fatia da riqueza que era criada – ou, em larga medida, desviada – era destinada aos empregados do setor. Um Eldorado com que milhares de jovens sonhavam. Até que chegou 2008…

Com a crise financeira prestes a completar uma década, o que resta deste setor?

Kirchberg, o bairro financeiro por excelência, continua a crescer, embora sem o vigor de outrora. O número de instituições bancárias caiu para 142, uma redução de 33%, desde o início da Zona Euro. Uma “cura de emagrecimento” que se tem vindo a acentuar sobretudo nos bancos comerciais, onde as plataformas digitais desempenham, cada vez mais, o papel de substituto das agências. Uma evolução inevitável qualquer que fosse o contexto, mas que a crise fez acelerar.

Os bancos de investimento, e sobretudo aqueles especializados nos fundos de investimento, continuam também em restruturação, com o objetivo de aumentar a sua rentabilidade. Uma estratégia que passa pela deslocalização, ou mesmo alienação, de algumas das atividades menos lucrativas.

Numa entrevista concedida à Bloomberg, em setembro deste ano, Vikram Pandit, responsável pela restruturação do Citibank durante a crise, preconizou o desaparecimento de um terço dos empregos neste setor até 2025. Thomas Frey, um dos mais conceituados futuristas norte-americanos, vai mais longe e antevê uma diminuição para metade até 2030, motivada pelos avanços tecnológicos e pela robotização do setor.

Mais comedido, o presidente do Banco Central do Luxemburgo (BCL), Gaston Reinesch, chamou a atenção esta terça-feira, em entrevista ao novo jornal digital Luxembourg Times, para o peso excessivo dos bancos no financiamento da economia da Zona Euro (cerca de 80%), deixando antever um reequilíbrio gradual desta atividade para níveis mais próximos dos da economia norte-americana (20%).

Apesar dos sinais inequívocos que apontam para o aproximar do fim de uma época dourada, a banca luxemburguesa resiste teimosamente, mantendo um nível estável de empregados e de ativos em relação aos anos que antecederam a crise. Quer isto dizer que o Luxemburgo, mais uma vez, ficará imune?

Difícil de imaginar. Por enquanto, as grandes mudanças jogam-se nos bastidores das verdadeiras sedes (não as fiscais). Mas quando passarem à fase de aplicação, poderão ser dramáticas. Tal como explicou recentemente Ewan MacLeod, chief digital officer do banco Nordea, em entrevista ao diário Luxembourger Wort, “nós sabemos que há muita coisa que vai mudar, só ainda não sabemos exatamente o quê”.

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