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Dicas para um bom regressso às aulas
Opinião Viver 4 min. 15.09.2021
Rentrée escolar

Dicas para um bom regressso às aulas

Rentrée escolar

Dicas para um bom regressso às aulas

Ilustração: Alexandra Brito
Opinião Viver 4 min. 15.09.2021
Rentrée escolar

Dicas para um bom regressso às aulas

Ana Cristina LOPES BARBOSA
Ana Cristina LOPES BARBOSA
Os conselhos de uma professora e de uma psicóloga para garantir um bom regresso à escola.

(Alexandra Brito (professora) e Ana Barbosa (psicóloga))

Aqui que estamos entre mães e pais e que mais ninguém nos ouve, o regresso das crianças à escola é um momento muito desejado por todos nós desde há várias semanas, e isto para não dizer, desde praticamente o segundo dia de férias! Depois de mais um ano vivido com confinamentos, teletrabalhos e escola à distância, combinados com o habitual cansaço de um final de ano, eram muito bem merecidos e necessários os nossos dias de descanso laboral. Porém, férias com crianças raramente são sinónimo de repouso.

A imagem idílica de um verão na praia, estendidos na areia, relaxadamente, na companhia de um bom livro e de uma bebida refrescante, rapidamente se esfuma no ar. Há que carregar sacos e mochilas com toalhas, brinquedos, lanches e toda uma parafernália de utilidade infanto-juvenil. Há que fazer castelinhos na areia, jogar raquetes, ir ao banho mesmo quando não apetece, pôr e repetir várias vezes o protetor solar, insistir com os chapéus, discutir por causa dos telemóveis e tablets, e lidar com quezílias entre irmãos, primos ou amigos...

Quem de nós já não sentiu ao chegar de férias que precisa mesmo de umas boas férias?! 

Claro que, lá para outubro, ao rever as fotos do verão, e nelas os sorrisos morenos e rasgados das nossas “pestes”, vai-nos dar a nostalgia de momentos únicos que vivemos com eles e que à distância têm um sabor redobrado - a insatisfação humana tem muito que se lhe diga! 

Mas lá está, neste momento a sensação é, entre outras, de algum alívio. 

E dizemos algum alívio porque temos, obviamente, consciência que o voltar à rotina é muito exigente também. Com os novos horários a cumprir, voltam os serviços de despertar, de catering personalizado, de táxi parental, de lavandaria e engomadoria, de acompanhamento ao estudo contrariado, entre muitos outros.


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Agora falando um pouco mais a sério, o início do ano escolar pode ser relativamente  tranquilo para quem já tem as crianças na escola em velocidade de cruzeiro, mas para quem tem os filhos a entrar nestas vidas pela primeira vez ou a transitar para um novo ciclo, esta fase tende a ser mais preocupante e a causar algumas ansiedades. São sempre momentos com muitas mudanças, desafios, expectativas e alguns receios à mistura. 

Apesar de estas transições serem universais e normais, há questões que podem implicar alguns problemas e que derivam essencialmente de dois tipos opostos de pensamento. O primeiro será acreditar-se que a adaptação à escola é automática, não se estando alerta e desvalorizando-se as dificuldades que crianças e jovens possam eventualmente sentir.

O segundo será sobrevalorizar a dificuldade destas fases, assustando as e os nossos estudantes, e criando involuntariamente dificuldades por profecias auto-cumpridas – ou seja, os adultos sentem e mostram os seus medos às crianças, elas ficam a senti-los e vivenciam a escola de uma forma negativa.

Aqui o grande segredo estará em fazer um esforço e pôr estrategicamente de lado as nossas convicções, confianças ou preocupações. Será importante parar, observar e escutar realmente a nossa criança ou jovem, tentando perceber a transição desde o seu ponto de vista (que não é o nosso) - como é que ela acha que é a escola? o que é que ele acha que vai fazer lá? que coisas quer aprender, o que receia? como é que vai ser com os amigos? etc. 

Cada criança ou jovem é uma pessoa diferente, com os seus próprios recursos psicológicos, a sua própria forma de pensar e viver as coisas, e não importa a idade ou o número de vezes que já tenha feito transições. Se porventura o estado de espírito for de tranquilidade e confiança, há que não partilhar os nossos receios e inquietações.

Se ele ou ela partilharem angústias e medos, é essencial validar e reconhecer as suas emoções, fazendo prova de empatia. Em vez do tradicional “não há razão para sentires isso, não tens que te preocupar”, que na verdade não resolve nada e só o fará sentir-se incompreendido, é preferível optar por algo como “pois, compreendo o que estás a sentir, é natural, vamos em conjunto tentar informar-nos como são de facto as coisas, e pensar em estratégias para te ajudar a enfrentar as situações”. 

Nas próximas semanas e à medida que vamos todos juntos entrando no ritmo do novo ano, estaremos aqui para partilhar desabafos e, vá lá, também algumas dicas para facilitar o processo de adaptação às novas rotinas escolares.

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