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Covid-19. Segunda infeção em doentes curados pode ser mais grave do que a primeira
Viver 3 min. 13.10.2020

Covid-19. Segunda infeção em doentes curados pode ser mais grave do que a primeira

Covid-19. Segunda infeção em doentes curados pode ser mais grave do que a primeira

Foto:AFP
Viver 3 min. 13.10.2020

Covid-19. Segunda infeção em doentes curados pode ser mais grave do que a primeira

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Um americano de 25 anos foi reinfetado pelo SARS-CoV-2 e desta vez teve de ser internado com suporte de oxigénio, revela um novo estudo científico que alerta para a fraca imunidade à doença e eficácia da vacina.

Um jovem de 25 anos, do estado do Nevada, nos EUA, acusou novamente positivo ao novo coronavírus, menos de dois meses depois do resultado idêntico do primeiro teste de um primeiro teste e após ser dado como recuperado da covid-19.

Este é o primeiro caso de reinfeção oficialmente registado nos Estados Unidos e alvo de um estudo agora publicado na revista científica The Lancet. Nesta segunda infeção, o jovem americano "sem outros problemas de saúde" apresentou sintomas mais graves que obrigaram à sua hospitalização e recurso a suporte de oxigénio.

O estudo explica que o jovem testou novamente positivo, 48 dias após a realização do primeiro teste de despistagem de abril, no âmbito testes oferecidos à comunidade de Nevada, porque apresentava sintomas de febre, tosse e diarreia. Em maio voltou a realizar o teste porque estava de novo com sinais visíveis da infeção, que lhe provocaram falta de ar.

Casos de reinfeção no Luxemburgo

Estes casos de reinfeção estão a surgir em vários países, nomeadamente no Luxemburgo. Paul Wilmes, investigador e porta-voz da 'task force' Covid-19 no Grão-Ducado já confirmou ao Contacto que no país já foram registados casos de pessoas infetadas pela segunda vez após terem sido tratadas e dadas como recuperadas.


Covid-19. Há casos de reinfeção no Luxemburgo
Trata-se de pessoas que foram dadas como curadas da doença mas ficaram de novo infetadas. E podem voltar a transmitir o vírus.

A revista The Lancet Infectious Diseases também já publicou estudos sobre casos de reinfeção em doentes curados na Bélgica, Holanda, Hong Kong e Equador. Neste caso dos EUA e o do Equador, a segunda infeção provocou sintomas mais graves do que a primeira. Nos restantes casos não houve maior gravidade.

Como se explica as segundas infeções?

Como é que estas pessoas já recuperadas e aparentemente saudáveis podem ser novamente infetadas pelo SARS-CoV-2? E sofrer de sintomas mais graves?

Existem três possibilidades, mas que ainda não podem ser comprovadas, revelam os autores do novo estudo. "Primeiro, uma dose muito alta de vírus pode ter levado ao segundo caso de infeção e induzido uma doença mais grave. Em segundo lugar, é possível que a reinfeção tenha sido causada por uma versão do vírus que era mais virulenta, ou mais virulenta no contexto desse paciente", revela a equipa de investigadores do Nevada.

A terceira causa está ligada à imunidade à doença. "Uma anterior exposição ao SARS-CoV-2 não se traduz em imunidade total", referem os autores do estudo realizado pelo laboratório estatal de saúde pública do Nevada. Para os cientistas os doentes já tratados podem ter um problema no mecanismo da eficácia de anticorpos, em que estes agravam as novas infeções. "Este mecanismo já foi encontrado anteriormente no betacoronavírus, causando síndroma respiratória aguda grave". Indica o estudo liderado por Mark Pandori, do Laboratório de Saúde Pública do estado do Nevada.

Imunidade e vacina eficaz

"A possibilidade de surgirem reinfeções pode ter implicações significativas para a nossa compreensão da imunidade à covid-19, especialmente na ausência de uma vacina eficaz", declarou este investigador à AFP. Por isso, Mark Pandori alertou para a necessidade de mais investigações nesta área, "para compreender quanto tempo pode durar a imunidade das pessoas expostas ao vírus e porque é que algumas destas segundas infeções, embora raras, se apresentam como mais graves".

A mesma opinião tem Akiko Iwasaka, professora de Imunobiologia e Biologia Molecular, Celular e do Desenvolvimento na Universidade de Yale, sublinhando que os resultados deste estudo do Nevada "podem ter impacto nas medidas de saúde pública". 


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Esta descoberta poderá representar um revés para quem defende uma estratégia contra a atual pandemia sustentada na aquisição de uma presumível imunidade após a doença ser superada.

Esta investigadora apelou à elaboração de mais estudos sobre os mecanismos da reinfeção. "Essa informação é fundamental para compreender que vacinas são capazes de atravessar esse limiar para conferir imunidade individual e de grupo", acrescentou Iwasaka, citada pela AFP.

Até à chegada de uma vacina eficaz, "os indivíduos que testaram positivo para o SARS-CoV-2 devem continuar a tomar precauções em relação ao vírus, mantendo o distanciamento social, usando máscara e lavando as mãos", apelou Mark Pondori.

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