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Comer insetos secos? União Europeia aprova
Viver 2 min. 04.05.2021

Comer insetos secos? União Europeia aprova

Comer insetos secos? União Europeia aprova

Foto: Pixabay
Viver 2 min. 04.05.2021

Comer insetos secos? União Europeia aprova

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Os países aceitaram que farinha de larvas secas possa estar nos pratos europeus. Os insetos são vistos como uma resposta à fome e à poluição provocada pela carne de vaca.

A nível mundial, comer insetos não é novidade, mas ainda repugna os estômagos ocidentais. No entanto, os pedidos para que os insetos passem a fazer parte das dietas dos países ricos ocidentais tem crescido nos últimos anos. 

Desta vez, o aval chegou dos 27 países da UE. A decisão formal será adotada nas próximas semanas, de acordo com a luz verde dada esta terça-feira pelos 27 Estados-membros. E constitui a primeira vez, e ao abrigo da regulação das Novas Comidas, que os insetos são autorizados a fazer parte do menu oficial da UE.   

Estes surgem como uma alternativa à carne, cuja produção industrial representa um risco sanitário e de pandemias e uma fonte importante de emissões de gases com efeito de estufa. E são ainda uma resposta à capacidade de a Europa se alimentar sem recurso a importações para suprir as necessidades mínimas.

O pedido de utilização de larvas secas, que poderão assumir a forma de farinhas e serem processadas em diversos tipos de alimentos, como bolos, massas e bolachas, foi entendido pela CE como seguro. Por isso, no futuro, é possível que os supermercados europeus comercializem vários produtos com farinha de inseto entre os ingredientes listados.

Os princípios da regulação de Novas Comidas exigem que a introdução de um novo alimento na dieta seja seguro para os humanos; devidamente etiquetado para não induzir em erro; e que na intenção de substituir outra comida não seja nutricionalmente desvantajoso para o consumidor.

Ao abrigo desta regulação já foram aprovados, por exemplo, krill da Antártida, produtos agrícolas de países terceiros como sementes de chia, e comida derivada de novos processos de produção, como a aplicação de raios UV a leites, por exemplo. A utilização de carne de laboratório – ainda em fase de desenvolvimento na Europa – deverá passar também por este crivo.

A aprovação dos Estados-membros para que a farinha de inseto possa ser comercializada nos mercados europeus sucede a uma avaliação da Agência Europeia de Segurança Alimentar. E especificamente à conclusão de que a ingestão de larva seca (tenebrio molitor larva), cujos principais componentes são proteína, gordura e fibra, sob a forma de snack ou como farinha, é seguro para a população em geral. Pode no entanto causar reações adversas a pessoas alérgicas a crustáceos e a ácaros.

A estratégia geral europeia "Do Prado ao Prato", que define em traços largos a produção alimentar na UE nos próximos anos, já tinha identificado os insetos como fonte de proteína de transição para um sistema alimentar mais sustentável – com um menor peso da proteína animal tradicional, altamente poluente. 

O consumo de insetos – prática comum em países africanos e asiáticos – é também recomendado pela FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) como uma fonte segura e nutritiva de proteína e um recurso importante para reduzir a escassez alimentar e o problema da fome.

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