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Cientista português no Luxemburgo diz: Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio século
Viver 3 min. 08.06.2015 Do nosso arquivo online

Cientista português no Luxemburgo diz: Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio século

Luís Pedro Coelho

Cientista português no Luxemburgo diz: Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio século

Luís Pedro Coelho
Foto: Paulo Dâmaso
Viver 3 min. 08.06.2015 Do nosso arquivo online

Cientista português no Luxemburgo diz: Efeito do aquecimento global nos oceanos será “nefasto” e de consequências “imprevisíveis” no próximo meio século

O estado de saúde dos oceanos está cada vez mais “deteriorado” na sequência do aquecimento global. A água torna-se cada vez mais ácida por absorver mais CO2 e a poluição e pesca predatória causam impactos à vida marinha. Nos próximos 50 anos, os efeitos “são nefastos e imprevisíveis”.

O estado de saúde dos oceanos está cada vez mais “deteriorado” na sequência do aquecimento global. A água torna-se cada vez mais ácida por absorver mais CO2 e a poluição e pesca predatória causam impactos à vida marinha. Nos próximos 50 anos, os efeitos “são nefastos e imprevisíveis”.

O alerta partiu do investigador Luís Pedro Coelho, imigrante português no Luxemburgo, que há dois anos trabalha no projecto ‘Tara Oceans’, no Instituto Europeu de Biologia Molecular de Hiedelberg (EMBL), na Alemanha.

O projecto está em destaque no número de Maio da ‘Science Magazine’, uma das mais prestigiadas publicações mundiais do género. Luís Pedro Coelho, 34 anos, natural de Lisboa, investigador na área da biologia computacional, é o primeiro co-autor de um dos artigos científicos.

“O oceano é o maior ecossistema da Terra e ainda sabemos muito pouco sobre ele. Este projecto estuda plâncton à escala planetária e teve como objectivo recolher amostras dos microorganismos que povoam os oceanos. As amostras recolhidas revelam que cerca de 80% dos 40 milhões de genes referenciados no projecto eram, até agora, desconhecidos da ciência”, explicou, ao CONTACTO, o jovem investigador português.

Entre 2009 e 2013, o consórcio multinacional ‘Tara Oceans’ recolheu amostras de plâncton microscópico em 210 locais das maiores regiões oceânicas mundiais, em profundidades até aos dois mil metros.

“As alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global, preocupam quem estuda os microorganismos existentes nos oceanos, de onde provém cerca de metade do oxigénio que consumimos”, refere Luís Pedro Coelho, licenciado em engenharia informática no Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa e doutorado pela Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, no estado norte-americano da Pensilvânia.

A preocupação e a incerteza aumentaram nos últimos anos porque muitas espécies foram extintas em sequência do aquecimento dos oceanos. “As estimativas mais pessimistas dizem que nos próximos 50 anos as águas vão aquecer até cinco graus centígrados. A confirmar-se, tudo mudaria na vida dos oceanos com impactos nefastos e consequências imprevisíveis para a sobrevivência de espécies e sustentabilidade ambiental. Será, por exemplo, que os corais conseguirão resistir no próximo meio século?”, questiona o investigador. 

Foto: Paulo Dâmaso

Luís Pedro Coelho trabalha há dois anos no EMBL, no grupo de Peer Bork que analisa a comunidade microbiana usando metagenômica (estudo de metagenomas - material genético recuperado directamente a partir de amostras ambientais), diz que é preciso dar “mais importância” ao que se passa nos oceanos.

“Publica-se trinta vezes mais sobre a Lua do que sobre os oceanos mas o impacto dos oceanos nas nossas vidas quotidianas é muito maior. E nós maltratamos os nossos oceanos: há muito plástico, muita poluição e uma gritante pesca descontrolada”, lamenta.

Luís Pedro Coelho é um dos poucos portugueses que integram o grupo de 250 pessoas de todo o mundo que trabalham no projecto “Tara Oceans”. “Sinto-me orgulhoso por poder contribuir para este estudo. Dá muita motivação pessoal e profissional. Tenho sorte de trabalhar neste projecto”, confidencia.

Luís Pedro Coelho deixou a capital portuguesa há sensivelmente dois anos e meio rumo ao Luxemburgo, onde reside, por “razões familiares”. É casado com a actriz de teatro luso-luxemburguesa, Rita Bento dos Reis, com quem tem duas filhas: uma de 4 anos e outra com apenas seis meses de idade.

Agora, e apesar de “jogar na Champions” da investigação na área da biologia molecular a nível europeu, Luís Pedro Coelho confessa que gostaria de abraçar um novo “desafio” profissional: vir trabalhar para o Grão-Ducado, para o Centro de Investigação para Sistemas de Biomedicina (‘LCSB, Luxembourg Centre for Systems Biomedicine’) da Universidade do Luxemburgo.

“Seria a cereja no topo do bolo, pois o LCSB é já reconhecido um centro de excelência”, rematou Luís Pedro Coelho.

Paulo Dâmaso