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Mercado de Natal de Estrasburgo. Champanhe, frango assado e pipocas proibidos
Viver 4 min. 17.10.2022
Qualidade

Mercado de Natal de Estrasburgo. Champanhe, frango assado e pipocas proibidos

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Mercado de Natal de Estrasburgo. Champanhe, frango assado e pipocas proibidos

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Mercado de Natal de Estrasburgo. Champanhe, frango assado e pipocas proibidos

DPA
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Não é só ao nível gastronómico que há exigências e seleções de produtos e artigos no mercado de Natal mais antigo do país vizinho.

A cidade de Estrasburgo tem sido notícia nos últimos dias depois de ter decretado a proibição de venda de champanhe, pipocas ou frango assado, entre outros produtos, no próximo mercado de Natal. Antes do famoso "Christkindelsmärik" a localidade fronteiriça enviou listas detalhadas de pratos e produtos autorizados e não autorizados, segundo o jornal Les Dernieres Nouvelles d'Alsace ( DNA ).

Num e-mail de informação é explicado que os pratos e objetos vendidos devem transmitir a autenticidade e tradição do Natal, bem como a identidade e qualidade locais, além de terem de ser ecologicamente responsáveis, segundo a autarquia liderada pelo Partido Ecologista. 

Quanto à proibição do champanhe original francês, Estrasburgo não quer proibir o brinde com o vinho espumante, mas deverá ser o vinho da Alsácia originário da região. Por exemplo, o 'Crémant d'Alsace' é mencionado na lista como alternativa.


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A cerveja quente de Natal é permitida, desde que seja oriunda de uma cervejaria artesanal. É proibido o gratinado de batata “tartiflette” com o queijo reblochon de Savoie, mas é autorizado o gratinado “munstiflette” com o queijo munster da Alsácia. 

Não é só ao nível gastronómico que há exigências e seleções de produtos e artigos. Botas, guarda-chuvas ou produtos de Natal para cães e gatos são proibidos, mas mealheiros ou conjuntos de palitos são permitidos.

Um regulamento que desperta mal-entendidos

As regras do "Christkindelsmärik" deste ano têm sido muito debatidas online. A aposta em produtos regionais merece aprovação, assim como o facto de se privilegiarem as especialidades alsacianas. “Mas e a proibição do frango assado?”, pergunta um dos internautas. Outro comenta que um gratinado com queijo munster "cheira muito mal". "Ok, então vamos para Colmar, outra grande cidade da Alsácia", diz ainda outro.

Perante toda esta agitação, a cidade de Estrasburgo especificou, entretanto, que pretende discutir com os comerciantes, durante o mercado de Natal deste ano, os produtos relativamente aos quais manifestou reservas. Uma comissão de seleção deverá estabelecer regras claras em janeiro para o mercado do ano seguinte. Quanto à proibição do champanhe, deverá ser discutida novamente depois do debate que provocou.

Documento de trabalho para responder a críticas

O deputado municipal Guillaume Libsig reagiu ao alvoroço em torno das listas de venda, que terão sido concebidas como um documento de trabalho, na sequência de críticas que têm sido feitas ao mercado. 

O mercado, que recebe cerca de dois milhões de visitantes anualmente, tem sido acusado, nos últimos anos, de ser como um "parque de diversões ao ar livre" ou um "supermercado para turistas", disse o deputado. 

Em resposta a estas críticas, uma comissão de seleção examinou a gama de produtos disponíveis atualmente. "Nem a cidade nem os expositores querem produtos baratos que prejudiquem a qualidade da cidade natalícia", referiu. "O que importa é a qualidade e a autenticidade dos produtos e a comissão quer garantir a procedência e a qualidade dos mesmos", acrescentou.

Cruzes por encomenda

Além da lista de produtos autorizados, o facto de a venda de cruzes no mercado de Natal só ser permitida mediante encomenda, de acordo com a lista "Decorações", provocou ainda mais polémica. As cruzes são referidas como "Croix JC" ("Cruzes JC-JC para Jesus Cristo).  

"Chama-se 'Christkindelsmärik', é mesmo o menino Jesus, não é?"

Anne-Pernelle Richardot, conselheira municipal socialista

"Ainda é um evento cristão, é chamado de 'Christkindelsmärik', é realmente sobre o menino Jesus, não é?", criticou a vereadora socialista Anne-Pernelle Richardot, em declarações ao DNS. Também o diário católico La Croix levantou críticas às reservas introduzidas pela comissão. 

No entanto, o deputado Libsig garantiu: "Respeitamos a identidade religiosa". Assim, crucifixos, presépios e similares vão poder ser vendidos desde que sejam de qualidade aceitável.


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Até agora, não houve protestos sobre o facto de o mercado de Natal mais antigo da França (está na 452ª. edição) ser encurtado uma semana por razões de poupança energética, no atual contexto de crise. 

Este ano, o evento realiza-se de 25 de novembro a 24 de dezembro. As luzes de Natal serão desligadas a partir das 23h, uma hora mais cedo do que era a norma, e serão desmontadas a partir de 8 de janeiro, uma semana antes do habitual.  

*Este artigo foi publicado originalmente no Luxemburger Wort.

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