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As batalhas que deixei de travar com meu filho
Opinião Viver 22.07.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

As batalhas que deixei de travar com meu filho

Ilustração.
Diário de uma mãe imigrante a mil

As batalhas que deixei de travar com meu filho

Ilustração.
Foto: Shutterstock
Opinião Viver 22.07.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

As batalhas que deixei de travar com meu filho

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Há coisas que lhe dou de barato. Ou, como diz o pai: "dou-lhe abusos".

Se acha que as crianças de três anos não têm problemas e amarguras, então não conhece o meu filho.

Consigo entender, juro. Quem nunca ficou de trombas porque se esqueceu de um objeto pessoal muito querido num sítio e quando lá voltou já era?! 

Não deve ser muito diferente da tristeza em esquecer na creche os doudous com que se dorme todos os dias.

Isto tornou a acontecer esta semana, mais uma vez, no pior dia para acontecer: o dia em que os termómetros chegaram aos 38 graus no Luxemburgo.

E foi um drama. A tomada de consciência do problema aconteceu ainda no autocarro. Seguiu-se uma choradeira com muitas (muitas!) lágrimas a escorrerem-lhe pelas bochechas fofas. Eu a tentar conter o drama e o autocarro todo a olhar para mim. Lá o consolei e prometi que voltaríamos à creche.

Tinha duas opções: deixá-lo chorar, não ir buscar os peluches, e transformar a minha noite num inferno; enfrentar o calor abrasador, voltar à creche e atrasar tudo o que tinha para fazer.

Optei pela segunda. Depois de um dia de trabalho confesso que não tenho inteligência emocional para lidar com o choro. Sobretudo quando vem acompanhado por aquele tom fininho de voz. Fico logo em transe psicótico.

Por isso mesmo há coisas que lhe dou de barato. Ou, como diz o pai: "dou-lhe abusos".

Foram os doudous, mas podiam ser milhentas outras coisas.

Quer dormir com o Winnie the Pooh gigante dentro do berço que por si só tem o tamanho da cama?

Quer levar as Crocs em vez das sapatilhas?

Sair sem casaco quando está claramente fresco?

Não quer sopa ou a comida que está na mesa? (Certo, mas também não há mais nada a não ser água.)

Quer a fralda para fazer cocó?

Que assim seja.

A estas batalhas eu nem hesito na resposta. Tudo menos aquele chorar de fininho. 

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