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A maior carga que as mães ainda carregam
Opinião Viver 2 min. 18.11.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

A maior carga que as mães ainda carregam

Diário de uma mãe imigrante a mil

A maior carga que as mães ainda carregam

Foto: Unsplash
Opinião Viver 2 min. 18.11.2022
Diário de uma mãe imigrante a mil

A maior carga que as mães ainda carregam

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Desde que fui mãe o simples ato de pensar tornou-se absolutamente desgastante.

Sabem aquelas mães dos filmes, histéricas e descabeladas, a gritar e espernear furiosamente no meio da sala, que está um autêntico alvoroço de brinquedos, tupperwares e livros espalhados pelo chão?!

Pois bem, esta sou eu. E não raras vezes.

Depois do primeiro trabalho, fora de casa, o segundo não é menos extenuante.

Ao fim do dia, chego com o cérebro feito num oito, e estou a tentar concentrar-me afincadamente na resposta à pergunta: o que fazer para o jantar?

Nesse exato momento, o meu filho está a martelar uma porta ou a chorar de fininho porque não consegue encontrar aquele brinquedo específico.

O meu cérebro está prestes a explodir.

Sim, chama-se carga mental e não cessa desde o momento em que expulsei o meu filho das minhas entranhas.

Desde que fui mãe o simples ato de pensar tornou-se absolutamente desgastante.

Pensamos, pensamos, pensamos a toda a hora. Ideias para o jantar, a lista das compras do supermercado, marcar consultas, pediatras, reuniões na creche, não esquecer as vitaminas da criança, ideias para o fato de Halloween, etc.

Há ainda a carga de pensamentos inerentes à minha pessoa: o que vou vestir amanhã, não esquecer de marcar consulta para mim. Tentar ler um livro.   

De tal forma que já não consigo viver sem os lembretes no telemóvel. Com alarme, e daqueles para me lembrar estupidamente que tenho de enviar um email. Não demorará muito a criar lembretes para me lembrar de comer.

No que toca a cargas parentais, é certo e sabido que a balança ainda pende para elas. Mas não sei o que é pior, se a física ou a mental.

É como quando eles dizem: "diz-me só que ingredientes queres que eu faço a sopa".

Ou "faz a lista que eu vou ao supermercado". Ou então, "diz-me que roupa queres que ele leve amanhã que eu preparo".

Não. Errado!

É como diz uma amiga: "eu não quero ajuda, eu não quero é ter de pensar".

Há uns anos atrás, num café em Roterdão, vi num postal um dos melhores lamentos sobre a mudança que a internet trouxe ao cérebro humano. "I miss my pre-internet brain". [tenho saudades do meu cérebro pré-internet].

Mas, atualmente, eu já só tenho é saudades do meu cérebro pré-mãe.

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