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68% das pessoas prefere falar com um robot do que com o seu chefe sobre stress no trabalho
Viver 4 min. 08.10.2020

68% das pessoas prefere falar com um robot do que com o seu chefe sobre stress no trabalho

68% das pessoas prefere falar com um robot do que com o seu chefe sobre stress no trabalho

Viver 4 min. 08.10.2020

68% das pessoas prefere falar com um robot do que com o seu chefe sobre stress no trabalho

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Esta é a conclusão de um estudo realizado em 11 países sobre a saúde mental em tempos de covid-19. Para 82% dos inquiridos os robots já dão maior apoio do que os superiores humanos nestes problemas.

Este é o "pior ano de sempre" na vida de quem trabalha e que mais problemas de saúde mental trouxe aos trabalhadores, revela um novo estudo internacional realizado junto de 12 mil trabalhadores de 11 países, pela gigante do software Oracle e Workplace Intelligence, uma empresa de pesquisa e consultoria de recursos humanos. 

O estudo que integrou mais de 12 mil funcionários, gerentes, líderes de recursos humanos e executivos de nível C descobriu que a pandemia da covid-19 provocou problemas de saúde mental em 78% dos trabalhadores em 2020. O aumento do stress e a ansiedade no trabalho conduziram a esgotamentos e depressões no mundo inteiro. De salientar que os trabalhadores do Luxemburgo não fizeram parte desta investigação, mas os vizinhos franceses e alemães sim.

Robots mais eficazes do que os superiores

O estudo foi realizado junto de 12.347 mil trabalhadores de empresas do Reino Unido, França, Itália, Alemanha, EUA, Emirados Árabes Unidos, China, Japão, Índia, Brasil e Coreia do Sul.  

Os inquiridos garantiram que confiam mais nos robots para os apoiar nos problemas psicológicos do que nos próprios chefes e superiores. "68% das pessoas prefere falar com um robot em vez do que com o seu superior sobre o stress e ansiedade no trabalho e 80% aceitaria mesmo ter um robot como terapeuta ou conselheiro", lê-se no relatório divulgado na quarta-feira, 7 de outubro.

A justificação? A tecnologia da Inteligência Artificial (IA) ajudou 75% dos inquiridos na manutenção da sua saúde mental e na resolução de problemas psicológicos ligados ao trabalho. A eficácia, diminuição de carga horária e prioridade das tarefas foram as maiores vantagens apontadas pelos trabalhadores em relação à tecnologia. 


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Define-se como uma condição de saúde mental caracterizada por um estado de exaustão e um sentimento de saturação relacionados com o papel parental e tem consequências na qualidade da relação com os filhos. Uma investigação internacional, onde Portugal participa, estudou de que forma ele foi afetado pela pandemia.

Os benefícios apontados:

"Os principais benefícios observados foram: fornecer as informações necessárias para fazer seu trabalho com mais eficácia (31%), automatizar tarefas e diminuir a carga de trabalho para evitar o esgotamento (27%) e reduzir o stress ajudando a prioritizar tarefas (27 %)", refere o novo estudo.

"A AI também ajudou a maioria (51%) dos trabalhadores a encurtar sua semana de trabalho e permitiu que tirassem férias mais longas (51%). Mais da metade dos entrevistados disseram que a tecnologia de IA aumentou a sua produtividade (63%), melhorou a satisfação no trabalho (54%) e o bem-estar geral (52%)".

Perante as consequências nefastas que a pandemia trouxe à saúde mental, 75% dos 12 mil trabalhadores do estudo defendem que as empresas têm de desenvolver mais medidas de proteção e prevenção dos problemas psicológicos dos trabalhadores. Contudo, mais de metade, 51% confirmou que as suas empresas já tinham colocado à disposição dos funcionários serviços ou suportes de apoio nesta área devido à covid-19. 

Trabalho afeta vida pessoal

A pandemia veio afetar o nosso modo de vida e as formas de trabalho, e mais do que nunca os problemas profissionais tiveram impacto negativo nas relações familiares e o quotidiano. O estudo revela que 85% dos inquiridos declarou que os problemas de saúde mental derivados do trabalho, como o stress, ansiedade e depressão afetaram muito a sua vida pessoal e doméstica.

 Os 12 mil inquiridos apontaram como as piores consequências dos problemas trazidos pela epidemia a privação do sono (40%), problemas de saúde física (35%), problemas nas relações familiares (30%) e o isolamento dos amigos (28%).


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O teletrabalho, visto como uma das revoluções positivas desta crise sanitária tem também os seus efeitos negativos, alertam os trabalhadores. Sobretudo geraram um aumento da carga horária, com 35% dos inquiridos a declarar que passou a trabalhar mais 40 horas por mês do que se estivesse no local de trabalho. 25%  confessou ter tido mesmo um esgotamento devido ao excesso de trabalho.

No entanto, a maioria dos trabalhadores (62%) consideram agora esta forma remota de trabalho como mais atraente do que antes da pandemia justificando que desta forma "têm mais tempo para ficar com a família (51%), para dormir (31%) e trabalhar (30%)".

Empresas têm de apostar na saúde mental

"Com novas expectativas de teletrabalho a fronteira mais confusa entre a vida pessoal e profissional, o preço da covid-19 na nossa saúde mental é significativo - e é algo com que os trabalhadores de todas as indústrias e países estão a lidar", declara Dan Schawbel, sócio-gerente da Workplace Intelligence, no relatório.

"A pandemia colocou a saúde mental à frente e ao centro - é a maior questão de mão-de-obra do nosso tempo e será assim durante a próxima década", alertou defendendo que esta área da saúde tem de fazer parte da agenda das empresas e estas têm de encontrar novas soluções para combater este tipo de problemas nos trabalhadores. 


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Um em cada três residentes considera que a sua saúde mental se deteriorou durante a crise pandémica da covid-19. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado e publicado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (Statec).

"Com a pandemia global, a saúde mental tornou-se não só um problema maior na sociedade, mas também um desafio prioritário no local de trabalho. Tem um impacto profundo no desempenho individual, na eficácia da equipa e na produtividade organizacional. Agora, mais do que nunca, tem de ser tema central de discussão e os funcionários aguardam medidas e soluções dos seus empregadores nesta área", declarou Emily He, vice-presidente sénior da Oracle Cloud HCM, apontando a Inteligência Artificial como uma das formas de apoio aos trabalhadores nesta área de saúde prioritária.

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