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Video. "Tiraram a vida da minha filha e foi uma criança que a matou!"
Sociedade 3 min. 15.05.2021

Video. "Tiraram a vida da minha filha e foi uma criança que a matou!"

Video. "Tiraram a vida da minha filha e foi uma criança que a matou!"

Sociedade 3 min. 15.05.2021

Video. "Tiraram a vida da minha filha e foi uma criança que a matou!"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Marjorie, de 17 anos, foi assassinada, com uma facada no coração, por um rapaz de 15 anos, na Île-de-France. Inconsolável, a mãe deu um testemunho questionando "porque uma criança matou a sua filha?"

Marjorie, de 17 anos, foi assassinada por tentar defender a irmã que estava a ser vítima de assédio nas redes sociais pelo adolescente, de 15 anos. O crime aconteceu na sexta-feira à tarde, em Ivry-sur-Seine, quando Marjorie confrontou o alegado assassino,  e este foi a casa buscar uma faca voltando para a ferir mortalmente no coração. Depois fugiu mas foi preso pela polícia pouco depois em Massy, Essonne.

Horas depois em lágrimas, a mãe de Marjorie dava um testemunho emocionante à comunicação social questionando como pode uma criança matar outra criança.

"Hoje tiraram a vida da minha filha. Foi uma criança que a matou. Ele nem era ainda um adulto", disse esta mãe, aos jornalistas, com uma das filhas ao seu lado, amparando-a. “Ele é uma criança. Tudo o que quero dizer é: 'Porquê? Por que é que essa criança assassinou minha filha?!"

"Quando eu cheguei, ela estava caída no chão. Havia sangue por todo o lado, tentei reanimá-la", diz esta mãe, custando-lhe a falar e realçando que a sua filha só queria defender a irmã mais novoa. Mais tarde vinca: “A minha filha não era uma delinquente. A minha filha era uma excelente aluna. Ela queria ser engenheira”.

Naquela tarde Marjorie tinha ido ter com a irmã que estava a ser vítima de bullying do adolescente de 15 anos, nas redes sociais. O encontro teve lugar na esplanada central da zona habitacional Pierre-et-Marie-Curie, um bairro de edifícios altos. 

De acordo com as primeiras investigações, o homicídio está ligado a uma rivalidade nascida nas redes sociais, explicou uma fonte policial. "A minha irmã não era uma delinquente, tinha vindo apenas para resolver um problema relacionado com a minha irmã mais nova. Ela tinha vindo para acalmar a situação", disse Cynthia, 33 anos, irmã mais velha de Marjorie, à AFP.


França. Quando os gangues são de miúdos que matam miúdos
Em 15 dias, foram mortos dois jovens de 14 anos, e outros cinco ficaram feridos, em cinco batalhas de grupos de menores nos subúrbios de Paris. Três especialistas franceses explicam ao Contacto as razões e os perigos desta espiral de violência juvenil.

Keïra e Aicha, 14 anos, duas amigas da irmã mais nova de Marjorie, declararam que o suspeito "tinha criado um grupo de snapchat naquela manhã" sobre a irmã mais nova da adolescente. 

"Marjorie não gostava quando as pessoas falavam mal da sua irmã mais nova. Ela veio cá para falar com ele". Então, contaram os dois amigos, "ele foi a sua casa, pegou numa faca, voltou e apunhalou-a no coração", descrevem as duas adolescentes à AFP. O suspeito é alguém "um pouco excitado, que dá nas vistas, é um pouco a estrela da cidade", continuam. De acordo com as jovens "foi expulso da escola no ano passado". 

Bullying mortal

 O presidente da Câmara Municipal de Ivry-sur-Seine, Philippe Bouyssou, disse à AFP que a vítima tinha "tentado a mediação junto do jovem que tinha atacado violentamente a irmã mais nova da adolescente nas redes sociais". "Isto é o resultado de uma forma de assédio nas redes sociais", lamentou o autarca. "Estou profundamente entristecido e chocado que este tipo de situação possa conduzir a tal tragédia", frisou  Philippe Bouyssou declarando que tinha enviado "todo o seu apoio" à mãe da vítima. 

A polícia judiciária de Val-de-Marne está encarregue da investigação. Em Março, no Val d'Oise, outro departamento da Ile-de-France, uma estudante de 14 anos foi violentamente espancada e depois atirada para o Sena durante uma disputa com um casal de namorados da sua turma em Argenteuil. 

Os dois jovens da escola, que estão sob investigação por homicídio, foram objeto de um processo disciplinar por assédio à vítima. A adolescente tinha visto o seu telefone pirateado e fotografias dela em roupa interior afixadas no Snapchat. 


Governo garante que não há gangues juvenis no Luxemburgo
O ministro da Segurança Interna, Henri Kox, garantiu não se pode falar de gangues de jovens no Luxemburgo como se encontram "em países vizinhos".

A região da Île-de-France debate-se também com o problema sério da rivalidades entre bandos de jovens, com confrontos frequentes que já fizeram algumas mortes de menores, como o Contacto já retratou num longo artigo. Em Fevereiro, em Essonne, dois adolescentes foram mortos em duas rixas separadas e em Janeiro o jovem Yuriy foi espancado em Paris

Após estas tragédias, o governo anunciou a adoção de um plano para tentar conter este fenómeno, que não é novo mas que encontrou uma nova dinâmica e crescimento de violência com as redes sociais.

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