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Vespa asiática detetada pela primeira vez no Luxemburgo
Sociedade 4 min. 28.09.2020

Vespa asiática detetada pela primeira vez no Luxemburgo

Vespa asiática detetada pela primeira vez no Luxemburgo

Foto: DR
Sociedade 4 min. 28.09.2020

Vespa asiática detetada pela primeira vez no Luxemburgo

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Governo pede que sejam comunicados todos os avistamentos destas vespas, caracterizadas por terem patas amarelas e um corpo de grandes dimensões e mais escuro que o das restantes espécies.

Foi detetada pela primeira vez no Luxemburgo a presença da espécie invasora conhecida como "vespa-asiática". Apesar do governo já ter lançado o alerta para este desafio natural em 2019, só em setembro deste ano é que esta espécie foi avistada, primeiro na localidade de Junglinster e depois em Ingeldorf e Esch-Sur -Alzette.

A vespa velutina nigrithorax, mais conhecida como "vespa-asiática" é uma espécie exótica, nativa da Ásia, e suspeita-se que tenha sido introduzida acidentalmente em França por volta de 2004. Desde então colonizou grande parte da Europa, desde Portugal, onde provocou mortes, até ao norte da Alemanha. 

Em caso de avistamento deste inseto, a Administração da Natureza e das Florestas ou o Museu Nacional de História Natural (MNHNL) devem ser contactados diretamente através da base de dados do MNHNL ou por e-mail para vespa@neobiota.lu. No aviso deve ser indicado o endereço ou coordenadas geográficas do sítio de observação e anexar uma fotografia para validação. A espécie pode ser confundida com outros insectos como a vespa europeia. 


Três mortes em 26 dias por picadas de vespas e abelhas
Vítimas mortais aconteceram a norte de Portugal. País regista aumento de vespas asiáticas.

A destruição dos ninhos pode ajudar a reduzir os danos causados pelas vespas, conhecidas por matarem as populações de abelhas locais. Este tipo de intervenção deve ser realizado por agentes especializados. Segundo o Governo, nos próximos meses será elaborado um plano de ação em colaboração com os atores envolvidos para limitar o incómodo da espécie e a sua expansão no território luxemburguês.

Ao Contacto, em 2019, o Pierre Weicherding, na altura médico-chefe da Inspeção Sanitária da Direção de Saúde luxemburguesa explicava que "a vespa asiática, normalmente, é menos agressiva do que as vespas comuns ou abelhas quando se encontra longe do ninho. Quando se encontra perto do ninho, os níveis de agressividade aumentam substancialmente podendo, então, causar danos consideráveis".

"Além do perigo dos ataques que empreendem quando se encontram perto dos ninhos, as vespas asiáticas representam um perigo para a biodiversidade, com destaque para o impacto negativo que causam, destruindo as colmeias de abelhas para se alimentarem", lembrou Weicherding.

A vespa-asiática, além de patas amarelas, têm um corpo de maior dimensões que as restantes espécies de vespas.
A vespa-asiática, além de patas amarelas, têm um corpo de maior dimensões que as restantes espécies de vespas.
DR

Morfologia da vespa asiática

Segundo dados da Associação NATIVA-NATureza, a vespa-asiática ou velutina "é uma vespa de grandes dimensões: o corpo das rainhas pode atingir os 3 cm e o das obreiras 2,5 cm. A cabeça é preta com face laranja-amarelada". O corpo "é castanho-escuro ou preto aveludado, delimitado por uma faixa fina amarela e um único segmento abdominal quase inteiramente amarelado-alaranjado". "Os ninhos primários têm entre cinco e dez cm de diâmetro, são redondos ou em forma de pêra, com cerca de 50 a 80 cm de diâmetro, e são geralmente feitos em árvores altas, em áreas rurais e por vezes urbanas".

Além disso, "alimentam-se de vários insetos como moscas, traças, abelhas e outras vespas, atacando colmeias em grupo, sobretudo no verão". A maioria dos casos de picadas "deve-se a ninhos enterrados ou perto do solo que sejam perturbados por vibrações" em casos como "limpezas da vegetação, aparo de sebes, regas, limpeza de fachadas ou muros com jatos, passagem por caminhos estreitos rodeados por vegetação, etc". Por outro lado, "os ninhos mais altos, de forma geral, só em casos de corte do seu suporte é que poderão criar problemas".

Para o portal português STOPVespa, "não existe nenhum método de controlo eficaz para eliminar a vespa-asiática. A instalação descontrolada de armadilhas e a destruição dos ninhos é prejudicial para a biodiversidade, principalmente de insetos polinizadores".

Em termos de métodos, "a destruição dos ninhos deve ser feita por técnicos habilitados para limitar a sua dispersão. Não devem usar-se armas de fogo nem destruir parcialmente o ninho. Isto porque dissemina as vespas que constituem assim novos ninhos".

As picadas são perigosas? O que fazer?

"A picada da vespa asiática, sendo apenas uma, não difere da das vespas normais ou das abelhas", refere o portal. No caso de picadas múltiplas, "deve procurar-se socorro urgente, mesmos não sendo a pessoa alérgica, devido à quantidade de veneno que pode afetar alguns dos órgãos vitais, inclusive a longo-prazo". Poderá ainda consultar mais informações sobre a vespa asiática aqui.

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