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"Vejam, digam, parem!". Grão-Ducado lança campanha nacional contra o sexismo
Sociedade 3 min. 24.11.2022
Igualdade de género

"Vejam, digam, parem!". Grão-Ducado lança campanha nacional contra o sexismo

Ministra da Igualdade de Género, Taina Bofferding.
Igualdade de género

"Vejam, digam, parem!". Grão-Ducado lança campanha nacional contra o sexismo

Ministra da Igualdade de Género, Taina Bofferding.
Foto: Chris Karaba
Sociedade 3 min. 24.11.2022
Igualdade de género

"Vejam, digam, parem!". Grão-Ducado lança campanha nacional contra o sexismo

Laura BANNIER
Laura BANNIER
Esta campanha marca a primeira vez que o Ministério da Igualdade colabora com o Conselho da Europa. Luxemburgo torna-se o primeiro Estado a implementar as recomendações contra o sexismo de forma ampla.

"Vejam, digam, parem!". Estas são as três ações da nova campanha contra o sexismo, lançada na passada quarta-feira pelo Ministério da Igualdade entre os Mulheres e Homens. O objetivo é simples: ensinar os residentes a reconhecer o sexismo na vida quotidiana para encorajar a uma mudança estrutural de comportamento. 

Com esta iniciativa, o Luxemburgo torna-se o primeiro país membro do Conselho da Europa a aplicar amplamente as recomendações da instituição europeia sobre prevenção e combate ao sexismo. 

Fim do sexismo começa com a educação 

"O sexismo é omnipresente e diz respeito a toda a sociedade, em todas as áreas da vida", garantiu Taina Bofferding, Ministra da Igualdade, durante a apresentação da campanha. Por isso mesmo, foi necessário tornar visível estas ações através de múltiplos meios de comunicação. 

Para além do tradicional folheto informativo, que será distribuído em instituições, serviços sociais, municípios e escolas secundárias, foram produzidos sete vídeos sobre o assunto que serão transmitidos na rádio, televisão, redes sociais e em cinemas de todo o país. 

Há ainda um site informativo o seximos, dados e como este se manifesta diariamente, e destaca uma série de serviços destinados a ajudar as vítimas. 

Por exemplo, "80% das mulheres disseram ter experimentado 'mansplaining' ou 'manterrupting' (interrompidas por homens) no trabalho" ou "63% das mulheres jornalistas sofreram abuso verbal". 

Embora seja dirigida aos residentes luxemburgueses, esta campanha não nasceu no Luxemburgo. É o resultado de uma colaboração com o Conselho da Europa, que elaborou recomendações para prevenir e combater o sexismo em 2019. 

"Este é um documento inovador que convida os 47 Estados-membros a intensificar a luta contra este fenómeno generalizado e sistemático, tomando medidas legais", resumiu Caterina Bolognese, chefe da divisão da Igualdade entre Mulheres e homens no Conselho da Europa. 

O Governo do Grão-Ducado torna-se o primeiro de um país membro da instituição a implementar estas recomendações de uma forma ampla e visível. "Saudamos o Luxemburgo por dar o exemplo a outros Estados e vamos seguir de perto os resultados desta campanha", acrescentou Bolognese, salientando que "noutros países, apenas as ONG tinham abordado o assunto". 

Os inquéritos e grupos de trabalho que vão ser realizados têm como objetivo avaliar o impacto desta iniciativa, a fim de considerar o seu seguimento. 

"Poderíamos, por exemplo, criar ações dirigidas a grupos específicos", explica a chefe da divisão da Igualdade entre Mulheres e homens no Conselho da Europa.  Mas, por enquanto, vão esperar até ao final de 2023. 

Todos conhecemos o sexismo 

Esta campanha pretende demonstrar que o sexismo ainda faz parte da vida em sociedade.

"Estas são experiências que são conhecidas de todos nós, e que devem ser denunciadas através desta campanha, tais como o assédio nas ruas, a falta de representação das mulheres nos meios de comunicação, ou a redução das mulheres políticas à sua aparência física", sublinhou Taina Bofferding. 

Embora o sexismo possa assumir a forma de piadas aparentemente inofensivas, estas não estão isentas de consequências na sociedade. O julgamento, o reforço de estereótipos, ou mesmo a violência e a agressão podem resultar deste fenómeno, que é considerado normal. "O sexismo é feito pela sociedade. É por isso que também vejo esta oportunidade como a possibilidade da sociedade se livrar dele de vez", concluiu a ministra, sublinhando que era, portanto imperativo que "todos pudessem tomar medidas". 

(Artigo original publicado no jornal Virgule e editado por Ana Patrícia Cardoso.)

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