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Varíola dos macacos. ECDC aconselha países a rever disponibilidade de vacinas para a varíola
Sociedade 5 min. 24.05.2022
Monkeypox

Varíola dos macacos. ECDC aconselha países a rever disponibilidade de vacinas para a varíola

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Varíola dos macacos. ECDC aconselha países a rever disponibilidade de vacinas para a varíola

Foto: Getty Images/iStockphoto
Sociedade 5 min. 24.05.2022
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Varíola dos macacos. ECDC aconselha países a rever disponibilidade de vacinas para a varíola

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A empresa Bavarian Nordic, o único fabricante de uma vacina aprovada para prevenir o vírus Monkeypox, disse que está em conversações para fornecer vários países que identificaram casos. ECDC pede também monitorização dos animais de estimação e maior rapidez nos rastreios.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) apela aos países que revejam a disponibilidade de vacinas contra a varíola e intensifiquem os esforços para rastrear novos casos de infeção viral de varíola dos macacos (Monkeypox).

Os estados europeus devem "rever a disponibilidade de vacinas contra a varíola, antivirais e equipamento de proteção pessoal (EPI) para profissionais de saúde", afirmou o organismo, esta segunda-feira, em comunicado.


Centro europeu recomenda rastreio para varíola dos macacos
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) recomendou hoje aos países que atualizem os meios de rastreio e diagnóstico para o vírus Monkeypox, quando já existem 67 casos em nove Estados-membros da União Europeia (UE).

Segundo a agência Bloomerg, a empresa Bavarian Nordic, o único fabricante de uma vacina aprovada para prevenir a varíola dos macacos, disse que está em conversações para fornecer vários países que identificaram casos. A produção da empresa dinamarquesa poderá ser aumentada até 30 milhões de doses por ano, se necessário, garantiu o seu diretor financeiro Henrik Juuel.

Entretanto, o ECDC apelou também a uma maior rapidez na identificação, gestão e rastreio de contactos, assim como na comunicação de novos casos, devendo os países "atualizar os seus mecanismos de rastreio", bem como "a sua capacidade de diagnóstico".

Abstinência sexual e de contacto físico

As pessoas infetadas com o vírus Monkeypox devem permanecer isoladas até que as suas erupções cutâneas - um dos sintomas associados à infeção - cicatrizem completamente.

A abstenção de atividade sexual e contacto físico próximo são, por isso, recomendados pelo ECDC até que as erupções cutâneas cicatrizem. 

O organismo de saúde europeu salienta que o vírus é difundido através do contacto próximo entre pessoas, "especialmente no mesmo agregado familiar, incluindo potencialmente a via sexual". 

Animais de estimação podem ter de ser colocados sob quarentena

Em caso de infeção, as pessoas devem também reduzir os contactos com os seus animais de estimação.  

O ECDC sinaliza que "existe um risco potencial de transmissão entre humanos e animais na Europa" e, por isso, refere ser necessária "uma estreita colaboração intersetorial entre as autoridades de saúde pública humana e veterinária".


As erupções cutâneas são um dos sintomas desta doença viral.
OMS acredita que a transmissão do vírus Monkeypox pode ser interrompida na Europa
De acordo com Rosamund Lewis, especialista em varíola do programa de emergências da OMS, esta não é uma doença nova, uma vez que têm sido detetados casos de infeção pelo menos há 40 anos e que tem ainda “sido bem estudada na região africana”.

O objetivo é gerir a saúde dos animais de estimação expostos a uma possível infeção dos donos e impedir que a doença seja transmitida a animais selvagens. 

Até à data, não há registo na União Europeia (UE) de infeções em animais, sejam de estimação ou selvagens. 

Contudo, se for necessário, as autoridades de saúde pública devem articular-se com as autoridades veterinárias para assegurarem a aplicação de eventuais quarentenas ou a realização de testes a animais (neste caso mamíferos) de estimação que tenham sido expostos ou estejam em risco de exposição por contacto com caso próximo infetado com o vírus Monkeypox. 

"Os animais de estimação roedores devem, idealmente, ser isolados em instalações monitorizadas, que cumpram os requisitos de isolamento respiratório (por exemplo, em laboratório) e de condições de bem-estar animal (instalações governamentais, canis ou organizações de bem-estar animal)", refere o ECDC, acrescentando que esses animais devem ser testados, por PCR, antes do fim da quarentena. 

A eutanásia deve ser "um último recurso reservado a situações em que os testes e/ou isolamento não são viáveis", adverte o ECDC.

Segundo o organismo, para os outros animais de estimação mamíferos, o isolamento pode ser feito em casa se as condições da casa o permitirem. Ou seja, se existir um espaço cercado ao ar livre para cães, por exemplo, controlos veterinários regulares para avaliar o estado de saúde dos animais, a limitação do acesso a visitas e a capacidade para impedir que os animais de estimação saiam de casa.

Risco de transmissão para a população geral é baixo

A maioria das pessoas infetadas com a varíola dos macacos pode permanecer em casa com cuidados de apoio, explica ainda o organismo, que lembra que o risco de transmissão para a população em geral é, neste momento, baixo.

Embora a probabilidade de maior propagação do vírus através de contacto próximo, incluindo relações sexuais entre pessoas com múltiplos parceiros, seja considerada elevada, os riscos são muito baixos para a população em geral e os sintomas nos casos mais recentes têm sido ligeiros, refere o ECDC.  


Portugal é o primeiro país a sequenciar o genoma do vírus Monkeypox
Segundo o INSA, a sequenciação genética do vírus, endémico na África Ocidental e Central, "poderá ser fundamental para compreender a origem do surto e as causas para a rápida disseminação da doença", que é rara.

O organismo defende que as autoridades de saúde e outras estruturas das comunidades devem levar a cabo campanhas de informação e sensibilização, com orientações sanitárias, mas sem causar alarmismos desnecessários.  

"Deve ser mantido um equilíbrio entre informar as pessoas de maior risco, mas também comunicar que o vírus não se propaga facilmente entre pessoas, o risco para a população em geral é baixo."

União Europeia já confirmou 85 casos

Apesar do risco de transmissão ser baixo, a varíola dos macacos já esteve maioritariamente confinada a regiões de África.

A doença, que é um 'primo' menos perigoso da varíola que foi erradicada há cerca de 40 anos, é endémica na África Ocidental e Central. Mas o aumento de casos fora da área habitual de propagação é preocupante para os especialistas.  

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que foram reportados 92 casos confirmados e 28 suspeitos em 12 países fora do continente africano.


Só na União Europeia já foram confirmados 85 infetados em oito países (França, Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Portugal e Suécia), de acordo com o ECDC.  Entretanto, as autoridades de saúde na Dinamarca anunciaram também ter identificado um primeiro caso esta segunda-feira. 

Portugal reportou já 37 infeções, enquanto no Luxemburgo ainda não foi identificado nenhum caso, segundo a informação mais recente do Ministério da Saúde, atualizada no sábado passado. 

Foram também registados casos no Reino Unido, nos EUA, Canadá, Israel e Austrália.

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