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Vacinação de crianças menores de 12 anos continua a dividir opiniões
Sociedade 5 min. 24.11.2021
Covid-19

Vacinação de crianças menores de 12 anos continua a dividir opiniões

Áustria arrancou com projeto-piloto em 200 crianças com idades entre os 5 e os 11 anos.
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Vacinação de crianças menores de 12 anos continua a dividir opiniões

Áustria arrancou com projeto-piloto em 200 crianças com idades entre os 5 e os 11 anos.
Foto: AFP
Sociedade 5 min. 24.11.2021
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Vacinação de crianças menores de 12 anos continua a dividir opiniões

Lusa
Lusa
À semelhança de Portugal e outros países europeus, no Grão-Ducado a faixa etária com maior incidência de casos é atualmente dos 0 aos 14 anos.

A vacinação contra a covid-19 de crianças menores de 12 anos, sobre a qual a Agência Europeia do Medicamento deverá pronunciar-se na quinta-feira, continua a dividir as opiniões médicas e científicas.

À semelhança com Portugal e outros países europeus, no Grão-Ducado a faixa etária com maior incidência de casos é atualmente dos 0 aos 14 anos. Por exemplo, no último balanço semanal das autoridades luxemburguesas, a maior taxa de incidência verifica-se entre as crianças dos 0 aos 14 anos, com 339 casos por 100.000 habitantes. 

Este era, aliás, um dado previsto em setembro pelo o Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças com o regresso às aulas. E perante o aumento do número de casos nas últimas semanas na Europa, voltou o debate sobre o alargamento da vacinação às crianças com menos de 12 anos (entre 11% e 12% da população nacional).


Cientistas temem aumento exponencial de casos no Luxemburgo
O pior cenário possível, segundo os cientistas, é que as vacinas deixem de funcionar mais cedo do que o previsto, sobretudo se entretanto surgirem novas variantes. Atualmente, 100% dos casos no Luxemburgo devem-se à variante Delta.

Até agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem assinalado que "não adianta vacinar crianças quando há profissionais de saúde, idosos e pessoas de alto risco no mundo que ainda estão à espera da primeira dose".

De visita a Lisboa, a 19 de outubro, o diretor regional para a Europa da OMS, Hans P. Klüge, admitia que a decisão de vacinar as crianças abaixo dos 12 anos demoraria "um pouco", dado que "as evidências ainda não são robustas o suficiente".

Entre os especialistas portugueses, as opiniões dividem-se. De um lado, profissionais como o epidemiologista Henrique Barros ou o perito em saúde pública Francisco George defendem a vacinação das crianças com menos de 12 anos, mal a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente, como "medida fundamental de proteção".

Do outro lado, Jorge Amil Dias, presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos, tem manifestado reservas ao alargamento da vacinação, considerando que "ainda não há evidência que [o] justifique".


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A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) anunciou a 18 de outubro que começaria a avaliar a administração da vacina Comirnaty, da farmacêutica Pfizer/BioNTech (atualmente autorizada em pessoas com 12 ou mais anos), em crianças entre os 5 e os 11 anos.

Outras duas vacinas para crianças abaixo dos 12 anos estão já a gerar dados: Spikevax (Moderna) e Vaxzevria (AstraZeneca). O parecer da EMA deve ser conhecido na quinta-feira e será depois transmitido à Comissão Europeia, que emitirá uma decisão final.

Os países que já estão a vacinar os mais novos 

A generalidade dos países tem optado por não vacinar as crianças antes dos 12 anos, mas há exceções, desde a China, epicentro do vírus Sars-CoV-2, em dezembro de 2019. Em junho deste ano, o regulador chinês autorizou a administração de duas das suas vacinas - Sinopharm e Sinovac - em crianças entre os 3 e 17 anos e, em agosto, aprovou outra marca.

O Camboja já está a usar as vacinas chinesas em crianças entre os 6 e os 11 anos. Cuba também já começou a imunizar crianças pequenas, com as vacinas produzidas nacionalmente, e a Venezuela iniciou a vacinação de 3,5 milhões de crianças entre os 2 e 11 anos, com a cubana Soberana II.

O Chile tornou-se no primeiro país da América Latina, e o segundo no mundo (a seguir à China), a autorizar o uso da vacina chinesa CoronaVac em crianças e, na Argentina, a vacina da Sinopharm pode ser administrada em crianças a partir dos 3 anos.

O caso de maior notoriedade de vacinação infantil é o dos Estados Unidos, onde a taxa de imunização global é baixa e os casos de infeções em crianças aumentaram dramaticamente desde que a variante Delta se propagou no país. Também o Canadá já aprovou a vacina infantil da Pfizer e, à semelhança dos Estados Unidos, reduziu as doses para um terço da quantidade administrada a adolescentes e adultos.

Também Israel começou esta semana a vacinar crianças entre os 5 e os 11 anos.

Na Europa – atualmente a única região geográfica com aumento de casos de infeção –, ainda são poucos os casos de administração em crianças menores de 12 anos. A par com a maioria dos Estados europeus, o Luxemburgo aguarda o parecer da Agência Europeia do Medicamento, que espera ser favorável.


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A luz verde da Agência Europeia do Medicamento está iminente. EUA e Israel já começaram a administrar a vacina aos mais novos.

Duas centenas de crianças com idades entre os 5 e os 11 anos começaram a ser vacinadas em Viena, capital da Áustria, como parte de um projeto-piloto, mas o alargamento à escala nacional está dependente da luz verde da EMA. Em Itália, aguarda-se a mesma indicação para dar início à vacinação a partir dos 5 anos.

Já na Alemanha, que enfrenta a maior incidência semanal de infeções desde o início da pandemia, ainda não se recomendou a vacinação de menores de 12 anos e isso não deve acontecer antes de meados de dezembro.

O mesmo é expectável em Portugal, onde a Comissão Técnica da Vacinação - que aconselha a Direção-Geral da Saúde sobre as estratégias de imunização contra a covid-19 - ainda não recomendou que os menores de 12 anos sejam vacinados. O Governo  de António Costa tem evitado pronunciar-se sobre a matéria, adiando uma decisão para depois do parecer da comissão e da decisão da EMA. Já a Madeira anunciou que vai avançar com a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos, se esta for autorizada pela EMA, para responder aos surtos que têm surgido nas escolas.

Ainda que a EMA emita um parecer favorável à vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos (e que a Comissão Europeia o valide), tal não implica que os Estados avancem nesse sentido, tratando-se apenas da indicação do regulador sobre a segurança e a eficácia da vacina.

(Com Catarina Osório)

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