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Vacina para cancros do pulmão, intestino e pâncreas com resultados prometedores
Sociedade 2 min. 23.10.2020

Vacina para cancros do pulmão, intestino e pâncreas com resultados prometedores

Vacina para cancros do pulmão, intestino e pâncreas com resultados prometedores

Foto: AFP
Sociedade 2 min. 23.10.2020

Vacina para cancros do pulmão, intestino e pâncreas com resultados prometedores

O estudo britânico em ratos de laboratório alcançou resultados promissores.

Os investigadores do Instituto Francis Crick, em Londres, desenvolveram uma vacina para tratar e prevenir o cancro do pulmão, intestino e pâncreas, cujos primeiros ensaios laboratoriais em ratos mostraram ser prometedores.

Os investigadores pretendem apresentar os resultados deste ensaio no próximo domingo no 32º Simpósio EORTC-NCI-AACR, que se realizaria em Barcelona e que, devido à pandemia, terá de ser feito este fim-de-semana à distância com recurso a ferramentas digitais.

A vacina foi criada com o foco num gene chamado KRAS, que está relacionado com o desenvolvimento de muitos tipos de cancro, incluindo o cancro do pulmão, intestinal e pancreático.

O estudo foi conduzido por Rachel Ambler e outros investigadores deste instituto londrino. "Sabemos que, se o gene KRAS falhar, permite que as células comecem a multiplicar-se e a tornar-se cancerosas. Mais recentemente, aprendemos que, com a ajuda certa, o sistema imunitário pode ser capaz de retardar esse processo", afirmou Ambler numa declaração divulgada pelos organizadores da conferência.

"Queríamos ver se poderíamos utilizar este conhecimento para criar uma vacina contra o cancro que pudesse ser utilizada não só para tratar o cancro, mas para proporcionar uma proteção duradoura contra a doença com o mínimo de efeitos secundários", acrescentou Ambler.

Os investigadores criaram um conjunto de vacinas capazes de desencadear uma resposta imunitária contra a maioria das mutações mais comuns do KRAS. As vacinas são constituídas por dois elementos ligados, um fragmento da proteína produzida pelas células cancerígenas que têm o gene KRAS mutado e um anticorpo que ajuda a vacina a alcançar um tipo de célula do sistema imunitário chamado dendrítico, que ajuda o sistema imunitário a identificar e a destruir as células cancerígenas.

Os investigadores testaram a vacina em ratos que já tinham tumores pulmonares e em outros cujos tumores foram induzidos. Estudaram os ratos para ver se o seu sistema imunitário respondia à vacina e também procuraram ver se os tumores diminuíam ou se nem sequer se chegavam a formar.

Nos ratos com tumores, 65% dos que foram tratados com a vacina ainda estavam vivos 75 dias depois, em comparação com 15% dos que não tinham recebido a vacina. No caso de ratos em que os tumores foram induzidos, 40% dos que receberam a vacina estavam livres de qualquer tumor 150 dias depois, em comparação com apenas 5% dos não vacinados.

Ao vacinar os ratos, os investigadores descobriram que o aparecimento de tumores foi adiado em média por 40 dias. "Quando utilizámos a vacina como tratamento, vimos que ela retardava o crescimento tumoral em ratos. E quando a utilizámos como medida preventiva, vimos que não apareceram tumores durante muito tempo e em muitos casos nunca chegaram a aparecer", resumiu Ambler.

Alguns ensaios anteriores de vacinas contra o cancro falharam, afirmou, porque não foram capazes de criar uma resposta suficientemente forte do sistema imunitário para encontrar e destruir células cancerígenas.

"Esta investigação ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder ajudar a prevenir e tratar o cancro nas pessoas, mas os nossos resultados sugerem que a conceção da vacina criou uma forte resposta em ratos, com muito poucos efeitos secundários", concluiu.

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