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Vídeo. Conheça o pequeno Einstein belga, de 11 anos, que já terminou a universidade
Sociedade 6 1 8 min. 21.10.2021
Prodígio

Vídeo. Conheça o pequeno Einstein belga, de 11 anos, que já terminou a universidade

Laurent Simons, 11 anos, numa aula da Universidade de Antuérpia onde concluiu o Curso de Física, em 2020, com elevada distinção.
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Vídeo. Conheça o pequeno Einstein belga, de 11 anos, que já terminou a universidade

Laurent Simons, 11 anos, numa aula da Universidade de Antuérpia onde concluiu o Curso de Física, em 2020, com elevada distinção.
Foto: DR
Sociedade 6 1 8 min. 21.10.2021
Prodígio

Vídeo. Conheça o pequeno Einstein belga, de 11 anos, que já terminou a universidade

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Laurent Simons é o segundo aluno mais jovem do mundo a concluir a universidade. Em entrevista vídeo ao Contacto, este menino prodígio famoso, fala sobre o mestrado em Física, em Antuérpia, os amigos e como quer tornar os humanos imortais.

Edição de vídeo: Catarina Osório

Laurent Simons é belga, tem 11 anos, adora estudar embora não perca muito tempo com a cabeça enfiada nos livros. Assiste às aulas online, em parte por culpa da pandemia, faz os trabalhos de casa e depois vai brincar com os amigos da sua idade, jogam online, vêm filmes dos heróis da Marvel, jogam basquetebol ou divertem-se nas pistas de Go Karting. Contando assim a sua vida é quase igual à das crianças da sua idade. Mas, em parte não é.

Continuemos a apresentação: Laurent Simons concluiu o bacharelado de Física, na Universidade belga de Antuérpia, no ano passado, com 11 anos, sendo o segundo licenciado mais jovem de sempre, a nível mundial. Agora, está a frequentar o mestrado em Física, na mesma universidade, mais um passo para o seu objetivo: prolongar a vida do ser humano, até à imortalidade.

A proeza académica de Laurent tem sido notícia mundial, com as mais reputadas televisões e jornais internacionais a entrevistar e escrever sobre esta criança sobredotada, dotada de um QI de 145 (quociente de inteligência). Um "génio" já comparado aos físicos Stephen Hawkings, que possui um QI de 160, e Albert Einstein, a quem se atribui o mesmo QI, embora na verdade este autor da Teoria da Relatividade, nunca tenha feito um teste para avaliar a sua inteligência. Para ser menos abstrato, refira-se que as escalas de inteligência mais prestigiadas, como a de Wescheler, consideram "sobredotados" as pessoas com QI acima de 130, e a de Stanford-Binet classifica de "génios", os QI a partir de 140.

Sente-se o pequeno Laurent Simons um génio? "Não me sinto especial. Sou apenas o Laurent", diz a sorrir o menino belga ao Contacto, na videoconferência via Zoom, a partir da sua casa em Amesterdão, onde vai compartilhando a conversa com a sua mãe, Lydia Simons, sentada ao seu lado. Até o seu cão Joe, o pastor alemão, chamou a atenção, com tropelias na sala para ser apresentado também, na entrevista.

Laurent conta que se sentia uma criança comum, até que "na escola começaram a dizer que era especial". Com uma capacidade cognitiva muito acima da média, o menino deu passos gigantes no percurso escolar, entrando para a primária aos quatro anos, terminando o ensino secundário, aos oito anos, com um programa adequado para ele, que completou em menos de dois anos. Seguiu-se então o bacharelato em Física, concentrado em dois anos, o último concluído na Universidade de Antuérpia, com distinção máxima, e uma nota de 85%.

Lydia Simons conta que, na realidade, não se "assustou" com a notícia de que tinha um filho sobredotado, com um elevado QI. "Penso que confiei na sua personalidade e não vi problemas, mas claro que me questiono se o encaminho no sentido certo, se lhe dou as oportunidades que merece", confessa a mãe. Tudo tem corrido bem. "Laurent separa muito bem as coisas, é difícil explicar, mas brinca com os amigos, sem mencionar o trabalho na universidade, e estou muito contente que ele consiga separar os dois mundos". Laurent confirma que a universidade e os amigos "são dois universos distintos" que não mistura, "quando estou com os meus amigos nunca falo da universidade", e quer mantê-los assim.

Os dois mundos de Laurent

Muito por causa da pandemia, Laurent Simons tem assistido às aulas online. "Como tem 11 anos ainda não pode ser vacinado, pelo que não convém ir à universidade2, explica Lydia Simons, além de que "seria estranho para ele" estar nas aulas presencialmente, "pois os outros estudantes do mestrado têm 24 ou 25 anos". "São muito mais velhos do que eu e acho que não tenho mais nada em comum com eles", admite o menino.

De facto, quem olha e conversa descontraidamente com Laurent Simons vê nele uma criança, que em nada tem a ver com os estereótipos de génios, com livros sempre debaixo do braço, com diálogos complicados ou que gostam de se isolar socialmente, sem jeito e paciência para os comuns mortais. Não, Laurent não é um Sheldon Cooper, a personagem nerd de um físico genial, da famosa série "The Big Bang Theory", que faz rir milhões de fãs, com as suas incapacidades sociais. Lydia Simons conhece a série e vinca logo que, "o Laurent não é nada assim, não é estranho a nível social", gosta de conviver e "de estar com os amigos da idade dele".

Como o próprio menino conta todas as tardes está com os amigos online, "espero que eles cheguem a casa e façam os trabalhos escolares para nos ligarmos". Até parece "um pouco irónico que seja Laurent a esperar que os amigos façam os trabalhos de casa" para brincarem, refere a mãe sorrindo. E já lhe têm pedido "ajuda" nos trabalhos. "Houve uma vez em que estávamos em Marbella [onde vão de férias] e amigos dele foram lá ter, mas tinham de fazer os deveres escolares antes da diversão. De repente, os trabalhos ficaram despachados num instante", recorda Lydia Simons rindo, embora "não tenha achado correto", vinca olhando para Laurent que se ria também. Na Bélgica, nos tempos livres, antes da covid-19, ele e os seus amigos belgas, costumavam jogar basquetebol e ir para as pistas de Go-Karting. E, em anos de campeonato europeu ou mundial de futebol, têm mais um motivo de conversa, com Laurent a assistir aos jogos da sua "seleção belga" torcendo pela equipa.

"Com a covid-19 e a escola, eles tem estado sobretudo online, até porque não podem ainda levar a vacina e estamos a resguardá-los um pouco", explica Lydia Simons. Laurent está ansioso pela autorização da vacinação anti-covid abaixo dos 12 anos. "Está a chegar", acredita. Mas, se não for possível, a partir de 26 de dezembro, dia em que celebra 12 anos, já a poderá receber. Por falar em Natal e aniversário, Laurent já escolheu um dos presentes que quer receber. "Um e-reader", confidencia a mãe.

Chegar à imortalidade sem pressas

E depois de concluir o mestrado, o que Laurent quer fazer? "Quero continuar a estudar várias áreas, a física e a física quântica, bioengenharia, medicina, conhecer todas as áreas que preciso para atingir o meu objetivo que é prolongar a vida humana e chegar à imortalidade", refere a criança de 11 anos, sentada à nossa frente no ecrã de computador.

Com a sinceridade desarmante, Laurent confessa que ainda não sabe como irá atingir o seu objetivo, encontrar a fórmula da imortalidade. "Quero começar por construir partes do corpo humano artificialmente, criar partes mecânicas, do estilo cyborg" que possam substituir a maior parte dos órgãos doentes para prolongar a vida, "mas, neste momento, não sei como o irei fazer, nem como vou alcançar o meu objetivo da imortalidade, mas quero estudar para chegar lá".

Quer ir muito longe, mas um prémio nobel não está nos seus sonhos. "Não penso nisso, quero é estudar para tratar as pessoas e tornar os humanos imortais". Laurent Simons decidiu perseguir este sonho desde que foram diagnosticadas doenças cardíacas aos seus avós. "Quero ajudar os meus avós, mas também as outras pessoas", enfatiza.

Os pais e Laurent estão já preparados para correr mundo, e saltar entre várias universidades, onde o filho possa aprender com os melhores em cada uma das áreas para concretizar o seu sonho. "Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França", são alguns dos países onde Laurent gostaria de estudar. Os contactos com as universidades começaram já a ser feitos e há portas já abertas. "Já recebi convites, mas de momento não quero falar sobre isso", admite Laurent Simons.

Lydia e Alexander, irão acompanhá-lo sempre. "Eu sou gestora e o meu marido dentista. Tínhamos três clínicas, mas vendemos para estarmos disponíveis para o Laurent", sublinha a mãe. Por agora, dividem o tempo entre as duas casas que possuem, uma em Amesterdão e outra em Antuérpia, a uma distância de três horas de caminho. Vizinhos do Luxemburgo, a família está a planear umas mini-férias no Grão-Ducado. "Já atravessámos muitas vezes o Luxemburgo, e fizemos algumas paragens para apreciar a beleza das paisagens. Num futuro próximo estamos a planear uma visita ao país", conta Lydia pedindo conselhos sobre os locais obrigatórios a explorar.

Laurent e os pais ainda não sabem quanto tempo durará o mestrado, na Universidade de Antuérpia, pois o programa normal de dois anos é adaptado para o segundo licenciado mais jovem do mundo. O lugar no Livro de Recordes do Guinness pertence ao norte-americano, Michael Kearney, que com 10 anos, concluiu o curso de antropologia, na Universidade do Alabama, em 1994.

Laurent está entusiasmado com o mestrado e não tem pressa. Nem os pais que desejam que o filho tenha o melhor dos dois mundos, a investigação académica e a vida simples e descontraída, com os seus amigos. "Estamos muito orgulhosos do nosso filho. Laurent é o nosso milagre", realça a mãe olhando diretamente para Laurent, que por sua vez agradece "todo o apoio que os pais" lhe têm dado. E a todas as crianças deixa uma mensagem: "Sigam os vossos sonhos, eu estou a seguir o meu".

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