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União Europeia quer arrefecer a Terra
Sociedade 5 min. 28.10.2021
Cop26/Conferência do Clima

União Europeia quer arrefecer a Terra

Cop26/Conferência do Clima

União Europeia quer arrefecer a Terra

Sociedade 5 min. 28.10.2021
Cop26/Conferência do Clima

União Europeia quer arrefecer a Terra

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Diplomacia, liderar pelo exemplo, parceria com Bill Gates para tecnologias revolucionárias e com Joe Biden para cortar no metano. E ajudar os países africanos a rejeitarem o carvão.

Promover uma redução mundial até 2030 de 30% de emissões de metano para a atmosfera, apresentar a parceria com Bill Gates de investimento em tecnologias futuras, divulgar uma parceria para a África do Sul acelerar a transição energética e apoiar em 100 mil milhões de euros a recuperação das florestas mundiais. São estas algumas das propostas que a União Europeia vai anunciar na COP26, a conferência mundial da ONU onde os países vão entregar os seus planos concretos para evitar uma catástrofe climática.

A COP26 começa em Glasgow, Escócia, no domingo, dia 31 de outubro, e acabará dia 12 de novembro com a assinatura da declaração final dos países. O que está em causa na COP26 é se a soma de todas as propostas vão chegar para que a temperatura do planeta não ultrapasse o aumento de 1.5 C no final do século. A partir deste valor, os cientistas consideram que a Terra tornar-se-á hostil para a vida humana. Segundo o cálculo da ONU, apresentado no "Emissions Gap Report - 2021", a 26 de outubro, se os países não aumentarem a ambição o mundo está destinado a atingir 2.7 C de aquecimento no fim do século.

Europa reduz 31% de emissões e aumenta 60% de riqueza

Na apresentação das propostas europeias, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, sublinhou que a União Europeia está na linha da frente, porque é atualmente o único continente que se comprometeu a atingir zero emissões em 2050, e que assinou uma Lei do Clima segundo a qual os 27 países têm que reduzir as emissões pelo menos em 55% até 2030. E a UE quer liderar pelo exemplo. "É nosso dever e responsabilidade mostrar ao resto do mundo que sustentabilidade e redução de emissões vão de mãos dadas com crescimento económico", disse a presidente do executivo europeu, salientando que a "UE  reduziu as emissões em 31% em relação a 1990 e ao mesmo tempo a nossa economia cresceu 60% neste período. Isto é uma mensagem importante de que a transição climática não impede a prosperidade".   

A 2 de novembro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente norte-americano, Joe Biden, irão assinar o Compromisso Global para o Metano, no qual os signatários prometem até 2030 reduzir em 30% as suas emissões (a partir dos valores de 2020).  


Vídeo. Um dinossauro entra na ONU: "Cidadãos, mexam-se!"
O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas lançou a campanha "Não escolhas a extinção", protagonizada pelo dinossauro Frankie que pergunta aos humanos qual a desculpa para subsidiarem os combustíveis fósseis.

O metano é considerado o gás com efeito de estufa mais potente (cerca de 80 vezes com maior potencial de aquecimento do que o dióxido de carbono) e, portanto, cortar a sua emissão é a forma mais rápida de travar o atual aquecimento do planeta.  Este compromisso sobre o metano, que segundo von der Leyen já tem o apoio de 60 países, irá abranger os três setores onde este gás se liberta: na energia, nas lixeiras e na agricultura (sobretudo nas explorações de gado bovino).

A Alemanha, o Reino Unido e a França, juntamente com a União Europeia no seu conjunto, irão anunciar uma parceria com a África do Sul para permitir que este país abandone mais depressa a dependência do carvão e faça a transição para energias renováveis, apoiando ao mesmo tempo as populações mais pobres. Von der Leyen disse que espera que esta aliança sirva de "molde" para outras que possam ajudar outros países a dar um salto muito rápido entre os combustíveis fósseis e energias renováveis.

Em parceria com o bilionário Bill Gates - e autor do livro Como Evitar um Desastre Climático - a União Europeia vai apresentar um projeto de financiamento das tecnologias revolucionárias do futuro para lutar contra as alterações climáticas. Em estudo estão novos combustíveis não poluentes para a aviação, hidrogénio verde de produção em larga escala, ou sistemas de captura direta de dióxido de carbono da atmosfera. Estes sistemas que captam CO2 e o enterram no solo já existem e são já considerados como fundamentais para garantir que as emissões sejam limpas da atmosfera antes de ultrapassarem níveis catastróficos, mas são ainda ineficazes e caros. Poderão ainda ser desenvolvidos novos tipos de projetos.  

China apresenta hoje o seu plano para a COP26

Embora "o ponto de partida" na COP 26 não seja bom, segundo admitiu von der Leyen, por o total dos países não terem apresentado até agora planos suficientemente ambiciosos para reduzir as emissões, a delegação da União Europeia, liderada pelo vice-presidente Frans Timmermans, espera ajudar a subir a fasquia. E reduzirem emissões para ainda ser possível as temperaturas globais pararem na meta de 1.5C. 


Da ativista ambiental mais reconhecida no mundo esperam-se palavras duras e verdades cruas contra os dirigentes internacionais.
Os presentes e os ausentes da COP26
Quase 30 mil participantes vão estar presentes na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), em Glasgow. Entre líderes mundiais, técnicos negociadores, empresas e cidadãos. Alguns nomes destacam-se pela ausência.

Como maior poluidor mundial, a proposta da China é fundamental. E ainda hoje, segundo foi anunciado, o governo de Pequim irá apresentar o seu muito aguardado plano para reduzir emissões. 

Embora o governo de Xi Jipeng tenha declarado que o gigante asiático vai atingir a neutralidade carbónica em 2060, ainda não disse o que vai fazer nos próximos anos, o que é crucial. E o facto de a China ter anunciado a abertura de novas centrais a carvão – para ultrapassar a atual crise energética mundial – faz temer que o maior poluidor não cumpra as promessas de alinhar com o resto do mundo. 

Há ainda outras lacunas que a UE, segundo foi hoje anunciado, quer ajudar a preencher. Falta, por exemplo, levar os países industrializados a cumprirem a promessa, assinada em 2015,  de reunir mil milhões de dólares por ano para ajudar os países em vias de desenvolvimento a fazer a transição energética. E segundo um estudo do governo canadiano, esse valor só será atingido em 2023. 

Von der Leyen, disse hoje, dia 28, que ainda tem esperança que na cimeira dos G20 - os 20 países mais ricos e que emitem 80% dos gases com efeito de estufa- deste fim de semana sejam apresentados novos compromissos para reduzir emissões. E que os líderes abram finalmente os cordões à bolsa para financiar as economias mais vulneráveis a darem passos de gigante do carvão para energias limpas. E já este ano.

Outro dos pontos em que a UE espera conseguir progressos é no do regulamento internacional sobre os mercados de carbono, ou como se medem e transacionam as emissões, para garantir uma avaliação rigorosa dos progressos. Este regulamento internacional está previsto no Acordo de Paris (assinado em 2015) e até à data ainda não foi criado. Este regulamento é considerado como algo que pode virar o jogo.

 

 

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