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União Europeia promete vacina nos próximos 18 meses
Sociedade 4 min. 17.06.2020 Do nosso arquivo online

União Europeia promete vacina nos próximos 18 meses

União Europeia promete vacina nos próximos 18 meses

Foto: AFP
Sociedade 4 min. 17.06.2020 Do nosso arquivo online

União Europeia promete vacina nos próximos 18 meses

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Laboratório alemão receberá 100 milhões de euros para avançar com projeto já em testes clínicos. A vacina da "Equipa Europa" vai chegar a todos os países ao mesmo tempo.

A Europa está finalmente a pôr em prática um plano para garantir uma vacina contra o novo coronavírus, com a expetativa de a distribuir em massa nos próximos 12 a 18 meses. Esta quarta-feira é anunciada oficialmente a estratégia da Comissão Europeia que irá celebrar contratos com várias farmacêuticas e assegurar que todos os países tenham acesso de forma igualitária a uma vacina europeia. E o mais depressa possível.

Na passada quinta-feira, 11 de junho, como primeira iniciativa dessa estratégia, o Banco Europeu de Investimentos assinou com a BioNTech um contrato de financiamento de 100 milhões de euros para o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19. A BioNTech, segundo informações da própria Comissão, começou testes clínicos a uma vacina experimental em abril, tendo sido a primeira farmacêutica europeia a ir tão longe. A BioNTech é um laboratório alemão pioneiro em imunoterapia e na criação de tratamentos individualizados contra o cancro.

Atualmente, o programa BNT 162 desta farmacêutica tem quatro vacinas contra o SARS-CoV-2 a serem desenvolvidas em paralelo. A que já está a ser submetida a ensaios clínicos na Alemanha e nos EUA começou a ser desenvolvida há apenas três meses.

Contratos todas as semanas

A estratégia europeia é celebrar contratos com uma tranche generosa entregue "à cabeça" para impulsionar a fase de pesquisa e, numa fase posterior, será também dado financiamento para aumentar a capacidade de fabrico de milhões de doses em pouco tempo, já que a indústria farmacêutica europeia não tem capacidade de produção em escala. E é esta a estratégia que a Comissão Europeia vai propor a vários laboratórios que se apresentem à corrida com boas hipóteses de chegar à meta.

Atualmente, a descoberta da vacina para evitar uma segunda vaga de contaminações de covid-19 é uma corrida contra o tempo. Mas a produção de milhões de doses para garantir imunidade à população europeia de 450 milhões de habitantes é também um desafio prioritário. A China e os EUA têm capacidade de produção em massa, mas estão a trabalhar para os seus mercados internos. Aliás, as farmacêuticas norte-americanas com capacidade de produção em escala já avisaram os representantes europeus que não vão dar prioridade à Europa.

O facto de a EU estar a fazer a compra conjunta permite ter muito maior poder negocial junto das farmacêuticas e ao mesmo tempo capacidade de investimento. "E quanto mais contratos negociarmos, maiores são as chances de se conseguir um resultado", disse uma fonte da Comissão Europeia. A previsão é de fazer contratos todas as semanas, com as farmacêuticas que garantam velocidade na descoberta de uma vacina viável e segura e que assegurem capacidade de produção.


Vacina com abordagem inovadora inicia testes clínicos no Reino Unido
Segundo o grupo de cientistas do Imperial College, a vacina passou em testes pré-clínicos em animais e deu sinais de ser segura e eficaz em termos de produzir uma resposta imunológica.

Além da resistência dos grupos anti-vaxxers, que se opõem por princípio a toda a vacinação, já houve figuras públicas, como o tenista Novak Djokovic, que manifestaram desconfiança em relação aos efeitos secundários de uma vacina criada queimando as etapas do processo científico normal. Fonte da Comissão sustentou que embora o processo seja acelerado haverá "todas as garantias de segurança científica".

Por outro lado, esta iniciativa centralizada a nível europeu serve para evitar a competição entre Estados-membros. "Temos que trabalhar como a equipa Europa", salientou um técnico da Comissão. Recorde-se que a descoordenação e a ausência de um stock europeu levou os vários países a entrar em leilões por equipamentos sanitários e máscaras nos primeiros momentos da crise. E no que diz respeito a uma vacina – ainda vista como a solução para o mundo se livrar da covid-19 – o próprio presidente Donald Trump tentou, em março, aliciar com avultadas somas de dinheiro uma farmacêutica alemã, a CureVac, a criar uma vacina em exclusividade para os EUA. E a francesa Sanofi admitiu conceder acesso prioritário a Washington uma vacina que tinha em estudo, gerando um pequeno escândalo político.

Vacinas para quem?

A estratégia de imunização das populações será decidia pelas autoridades nacionais em cada país. Além de assegurar a quantidade suficiente de doses para a Europa, os acordos que serão celebrados têm como cláusula que as vacinas estarão também disponíveis para o resto do mundo a preços acessíveis.

Neste momento, a corrida internacional para encontrar uma vacina contra o Sars-CoV-2 conta com mais de 100 projetos, alguns já em testes clínicos. O dinheiro investido atinge igualmente dimensões sem precedentes.


TOPSHOT - Researchers work in a lab at the Yisheng Biopharma company in Shenyang, in China�s northeast Liaoning province on June 10, 2020. - The company is one of a number in China trying to develop a vaccine for the COVID-19 coronavirus. (Photo by NOEL CELIS / AFP)
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Este é o "primeiro tratamento comprovado que reduz a mortalidade em pacientes", revela o diretor da OMS.

No passado dia 6 de maio, a Comissão Europeia liderou uma maratona mundial de angariação de fundos que numa tarde recolheu 7,5 mil milhões de euros, com contribuições de países e individuais, como por exemplo de Madonna. E no final deste mês deverá anunciar o montante total dessa recolha.

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