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"Uma em cada três" mulheres do parlamento australiano sofreu assédio sexual no trabalho
Sociedade 2 min. 30.11.2021
Denúncia

"Uma em cada três" mulheres do parlamento australiano sofreu assédio sexual no trabalho

Brittany Higgins, que acusou um colega do parlamento de violação, durante uma manifestação contra a violência sexual na Austrália.
Denúncia

"Uma em cada três" mulheres do parlamento australiano sofreu assédio sexual no trabalho

Brittany Higgins, que acusou um colega do parlamento de violação, durante uma manifestação contra a violência sexual na Austrália.
AFP
Sociedade 2 min. 30.11.2021
Denúncia

"Uma em cada três" mulheres do parlamento australiano sofreu assédio sexual no trabalho

AFP
AFP
O inquérito independente foi conduzido pela Comissária de Discriminação Sexual, Kate Jenkins, depois de milhares de mulheres se terem reunido em toda a Austrália para protestar contra a violência sexual.

Uma investigação de sete meses apurou que o assédio sexual e o bullying estão disseminados pelo parlamento australiano. O relatório foi divulgado esta terça-feira e, segundo os relatos apurados, uma em cada três pessoas que trabalham no parlamento "sofreram alguma forma de assédio sexual", representando 63% das deputadas do país. "Aspirantes políticos masculinos que não deram importância ao agarrar-te, beijar-te os lábios, levantar-te, tocar-te, dar-te palmadinhas, comentários sobre a aparência, o habitual...e a cultura permitiu", disse uma das 1.700 entrevistadas. 

Uma das senadoras dos Verdes, Sarah Hanson-Young, descreveu-o como uma "exposição condenatória da cultura sexista e do assédio na política". "As estatísticas e os comentários são chocantes, mas para muitas mulheres aqui presentes não são surpreendentes e soam verdadeiros às nossas próprias experiências", referiu.   

O relatório fez 28 recomendações, incluindo uma declaração formal de reconhecimento por parte dos líderes políticos, que visa aumentar a diversidade de género e "um enfoque proactivo na segurança e bem-estar". 

O Primeiro-Ministro, Scott Morrison, indicou que o seu governo irá apoiar as 28 recomendações do relatório, que também pedem o estabelecimento de metas para o equilíbrio e diversidade de género em todas as funções parlamentares. O relatório aborda "o desequilíbrio de poder, o desequilíbrio de género, a falta de responsabilização pelo comportamento, bem como a compreensão do ambiente de trabalho desafiador e exigente" no parlamento, disse Morrison aos jornalistas em Camberra na terça-feira. 

O inquérito independente foi conduzido pela Comissária de Discriminação Sexual, Kate Jenkins, depois de milhares de mulheres se terem reunido em toda a Austrália para protestar contra a violência sexual. "Enquanto ouvimos falar de experiências positivas de trabalho no Parlamento, houve outras que partilharam experiências de intimidação, assédio sexual e agressão sexual", disse Jenkins no relatório. "Ouvimos com demasiada frequência que estes locais de trabalho não são ambientes seguros para muitas pessoas dentro deles". 

O inquérito surge no rescaldo do escândalo da alegada violação de uma funcionária parlamentar, Brittany Higgins, no gabinete de um ministro, após uma noite de copos com colegas conservadores do Partido Liberal. O caso ainda está em tribunal mas gerou um onde de exigências por uma reforma a nível nacional. Higgins saudou na terça-feira o relatório e agradeceu "às muitas pessoas corajosas que partilharam as suas histórias que contribuíram para esta revisão". "Espero que todos os lados da política se comprometam a implementar estas recomendações na íntegra", disse. 


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