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Uma das maiores colecções de arte rupestre pré-histórica descoberta na Amazónia
Sociedade 3 min. 30.11.2020

Uma das maiores colecções de arte rupestre pré-histórica descoberta na Amazónia

Uma das maiores colecções de arte rupestre pré-histórica descoberta na Amazónia

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 30.11.2020

Uma das maiores colecções de arte rupestre pré-histórica descoberta na Amazónia

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Aclamada como "a Capela Sistina dos Antigos" pelos arqueólogos, está recheada de dezenas de milhares de pinturas de animais e humanos criadas há cerca de 12.500 anos na floresta tropical amazónica, na Colômbia.

A descoberta foi feita há um ano por uma equipa britânico-colombiana, financiada pelo Conselho Europeu de Investigação. O seu líder é José Iriarte, professor de arqueologia na Universidade de Exeter e um dos principais especialistas em história amazónica e pré-colombiana. No entanto, o tesouro manteve-se em segredo até agora, por ter sido filmado para a série "Mistério da Selva: Os Reinos Perdidos da Amazónia" do canal britânico Channel 4, que irá para o ar em dezembro deste ano.

Tratam-se de dezenas de milhares de pinturas da Idade do Gelo, ao longo de penhascos que se estendem por quase 12 quilómetros na Colômbia, que vão dar informações aos cientistas sobre pessoas e animais que viviam na área há 12.500 anos. 


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O achado encontra-se na Serranía de la Lindosa, na floresta amazónica Colombiana onde, juntamente com o parque nacional de Chiribiquete, tinham sido encontradas outras artes rupestres. A apresentadora do documentário, Ella Al-Shamahi, arqueóloga e exploradora, disse ao The Observer: "O novo sítio é tão novo que ainda nem sequer lhe deram um nome". 

A sua data baseia-se em parte nas representações de animais da Idade do Gelo agora extintos, tais como o mastodonte, um parente pré-histórico do elefante que não habita a América do Sul há pelo menos 12.000 anos. Há também imagens do paleolama, um camelídeo extinto, bem como de preguiças gigantes e cavalos da idade do gelo. 

Estes animais foram todos vistos e pintados por alguns dos primeiros humanos a chegar à Amazónia. As suas imagens dão um vislumbre de uma civilização antiga e perdida, com desenhos "tão bem feitos" que deixam pouca margem para dúvida de identificação. Segundo José Iriarte, líder da investigação, a escala das pinturas é de tal ordem que vão ser necessárias várias gerações de investigadores para as estudar. 

"Os quadros são tão naturais e tão bem feitos que temos poucas dúvidas de que esteja a olhar para um cavalo, por exemplo. O cavalo da era do gelo tinha uma cara selvagem e pesada. É tão detalhado, que até podemos ver o pêlo do cavalo. É fascinante", descreve o investigador. "Estas pinturas têm uma cor terracota avermelhada. Também encontrámos pedaços de ocre que rasparam para as fazer", acrescentou. 

As imagens incluem peixes, tartarugas, lagartos e pássaros, bem como pessoas a dançar e de mãos dadas, entre outras cenas. Uma figura usa uma máscara parecida com uma ave com um bico. 

Algumas das pinturas encontram-se a tão elevada altitude que apenas de drones foi possível explora-las.  Iriarte acredita que a resposta reside em representações de torres de madeira entre as pinturas, incluindo figuras que aparecem para saltar delas (em estilo bungee jump). 

"É interessante ver que muitos destes grandes animais aparecem rodeados por pequenos homens com os braços erguidos, quase em adoração a estes animais", comentou José Iriarte. Observando que as imagens incluem árvores e plantas alucinógenas, acrescentou que  "para os povos amazónicos, os não-humanos como os animais e as plantas têm espírito e comunicam e envolvem as pessoas de forma cooperativa ou hostil através dos rituais e práticas xamânicas que vemos retratadas na arte rupestre". 

A descoberta foi apenas possível devido aos tratados de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o governo, depois de 50 anos de guerra civil. O território onde as pinturas foram encontradas pertencia a uma zona completamente fora dos limites de segurança e, mesmo assim, segundo a produção da série ainda foi necessário envolver negociações cuidadosas para entrada no local. 

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