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Uma das duas vacinas contra o sarampo esgotada no Luxemburgo

Uma das duas vacinas contra o sarampo esgotada no Luxemburgo

Foto: AFP
Sociedade 5 min. 02.04.2019

Uma das duas vacinas contra o sarampo esgotada no Luxemburgo

Catarina OSÓRIO
12 casos de sarampo foram registados nas últimas semanas no Grão-Ducado. O ministro da Saúde, Étienne Schneider, fala em "pequena epidemia".

(Notícia atualizada a 03.04.2019, às 15:24.)

A vacina quadrivalente contra o sarampo, rubéola, papeira e varicela (RORV, na sigla francesa) administrada em crianças está em rutura de stock. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde luxemburguês ao Contacto que acrescenta que a vacina - que é administrada em duas doses separadas entre os 12 e os 23 meses de idade - estará disponível a partir de 15 de abril. O executivo referiu, no entanto, que a vacina tripla contra o sarampo, rubéola e papeira (ROR, na sigla francesa) - sem a proteção contra a varicela - continua disponível no país. Esta última é normalmente administrada aos adultos nascidos após 1980 que não tenham tomado as duas doses da vacina na infãncia.

No quadro do plano nacional de vacinação, a imunização contra o sarampo e as outras doenças acima referidas já é gratuita para as crianças, mas o governo estendeu-a na semana passada aos adultos devido a um recente surto de sarampo no Grão-Ducado, sobretudo os nascidos após 1980 que não fizeram esta imunização. Também na semana passada, o ministro da Saúde, Étienne Schneider, informou que o país já contabilizava 12 casos da doença, caracterizando a situação de "pequena epidemia", em resposta a uma pergunta parlamentar da deputada Nancy Arendt (CSV). 

Na origem do surto estará uma criança que passou recentemente férias numa estância de inverno em Val Thorens, em França, onde vários jovens foram esquiar. Os restantes casos são o resultado do contágio do primeiro e aconteceram já na Escola Europeia de Mamer. Segundo o governo, estes dizem respeito a crianças e jovens não foram vacinadas com a dosagem recomendada contra o vírus. 

Em 2018, o Luxemburgo registou apenas quatro casos de sarampo. Em abril de 2019, com 12 casos identificados, o balanço vai certamente ser mais elevado no final deste ano. Relembra-se que até aos dois anos de idade é recomendada a toma de duas doses da vacina quadrivalente, que agora se encontra esgotada, de forma a obter a imunidade completa. Segundo os dados disponibilizados pelo Ministério, em 2018, a primeira dose tinha uma taxa de cobertura de 98,7% (apesar de em 2012 ser de 99%), sendo que na segunda dose a taxa baixa era de 90% (ainda assim mais elevada do que em 2012 - 87,2%). 

Governo que não quer tornar vacina obrigatória

Questionado há duas semanas pelo Contacto sobre este surto, o ministro Étienne Schneider referiu que não considerava necessário tornar a vacinação obrigatória, tal como o fizeram recentemente França e Itália devido ao aumentos exponencial de casos de sarampo. A Alemanha pondera fazer o mesmo. O ministro justifica que nos casos francês e italiano as taxas de cobertura da vacina tinham caído de forma abrupta em 2018, o que originou os surtos da doença. 

O governante não descartou, porém, que o governo luxemburguês possa "tomar medidas futuras ou alterar políticas consoante o desenrolar da situação" no Grão-Ducado.

Apesar de a vacinação não ser obrigatória no país, as autoridades de saúde recomendam a imunização das crianças até aos 23 meses de idade com as duas doses da vacina única contra o sarampo, a papeira, a rubéola e a varicela (RORV), uma dose aos 12 meses e outra entre os 15 e os 23. Os adultos nascidos depois de 1980 que não tomaram esta vacina são também aconselhados a fazê-lo (neste caso apenas a ROR), agora também de forma gratuita. 

Os surtos de sarampo atingiram valores recorde em 2018. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), houve mais de 82 mil casos que resultaram em 36 mortes, um aumento de 50% em relação a 2017. Países como França, Grécia, Itália, Rússia, Sérvia, Geórgia e Ucrânia registaram milhares de infetados só em 2018, sendo que em alguns países os surtos não parecem abrandar. Na Ucrânia, por exemplo, só nos primeiros três meses de 2019 já há quase 25 mil infetados e 11 mortes, de acordo com os números do governo.

Em entrevista recente ao Contacto, a diretora-adjunta da Direção da Saúde do Grão-Ducado, Françoise Berthet, alertava para a importância da "proteção coletiva da vacinação" que no caso do sarampo só é assegurada se, no mínimo, 95% da população for vacinada. "No caso do sarampo, se 95% da população é vacinada, a transmissão dos vírus é interrompida visto que as pessoas vacinadas constituem uma ‘barreira’ mesmo para quem não está vacinado", explicou. Caso contrário, o vírus continua 'em circulação' com o potencial risco de causar surtos. 

Há várias semanas, o Contacto noticiou a existência de um movimento antivacinação no Luxemburgo que refere existirem cada vez mais pais interessados em não vacinar os filhos. Questionado sobre esta associação, o Ministério da Saúde recusou-se a fazer qualquer comentário, apesar de referir a existência de "desinformação nas redes sociais" sobre a vacinação, na resposta parlamentar enviada à deputada Nancy Arendt. 

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