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Um pequeno passo e muito menos mortes na humanidade
Editorial Sociedade 2 min. 01.04.2020

Um pequeno passo e muito menos mortes na humanidade

Um pequeno passo e muito menos mortes na humanidade

Foto: AFP
Editorial Sociedade 2 min. 01.04.2020

Um pequeno passo e muito menos mortes na humanidade

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Os balanços são mais fáceis de fazer no fim. Conhecemos ainda muito pouco do novo coronavírus, e, por muita projeção estatística que façamos, é difícil saber o que vai suceder.

A imprensa paquistanesa noticiou a morte de Rehman Shukr, de 26 anos. Era filho de Abeera Choudhry, um militar de alta patente do Paquistão. Rehman morreu, em Washington, no dia 24 de março, vítima de covid-19.

Era economista e especialista financeiro no Fundo Monetário Internacional (FMI). A 21 de março escreveu as suas últimas linhas no Facebook. Compartilhava um artigo do New York Times e questionava os efeitos do isolamento forçado como medida eficiente para o combate ao coronavírus. “A nossa luta contra o coronavírus é pior que a própria doença? É difícil decidir se o aspeto humano da doença é mais importante do que as implicações na economia e em outras áreas importantes. É muito fácil deixar a emoção guiar a política, e já vimos que é uma má ideia”.

Os balanços são mais fáceis de fazer no fim. Conhecemos ainda muito pouco do novo coronavírus, e, por muita projeção estatística que façamos, é difícil saber o que vai suceder. Mas podemos olhar para a História para pensar e refletir. A gripe espanhola aconteceu há mais de 100 anos, na altura também se discutiu se o confinamento era a melhor solução.

O primeiro caso registado da chamada gripe espanhola, data de 4 de março de 1918, foi diagnosticado um soldado americano, num campo militar que treinava tropas que partiam para as trincheiras na Europa.

Apesar disso, ainda não sabe, com certeza, em que região do mundo começou o surto. O nome de “espanhola” não identifica a origem do vírus, mas o local de das primeiras notícias publicadas. Como Espanha não era um país beligerante, não havia censura militar, e a imprensa divulgou as estranhas centenas de mortes que irrompiam pelas cidades e os campos. A gripe ficou espanhola, não porque lá tenha começado, mas por lá se ter falado livremente sobre ela.

Em setembro de 1918, Filadélfia registou os primeiros casos de gripe espanhola, diz-se que trazida por marinheiros europeus. A doença já matava na Europa, mas parecia pouco preocupante na cidade americana. No final do mês, 200 mil pessoas ocuparam as ruas da Filadélfia para participar numa festa tradicional. No final da semana, os hospitais colapsaram e 4.500 pessoas morreram vítimas da doença. As autoridades ordenaram o fecho das escolas, igrejas e bares e proibiram funerais em locais públicos. Em 12 de outubro, morreram 837 pessoas num só dia.

Filadélfia foi uma das cidades norte-americanas mais atingidas pela gripe espanhola, faleceram mais de 16 mil pessoas e meio milhão foram infetadas. No planeta morreram vítimas da gripe espanhola 50 milhões de pessoas, das quais, 675 mil nos EUA.

A menos de 1.500 quilómetros de Filadélfia, em Saint Louis, atuou-se de uma forma diametralmente oposta. Começou a proibir-se ajuntamentos dois dias depois de se terem diagnosticado os primeiros casos de gripe espanhola. O resultado foi uma epidemia mais duradoura, mas menos mortal. A diferença no tempo de resposta entre as duas cidades foi de apenas 14 dias. Tempo para decidir entre a vida e a morte.

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