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Um outro mundo é possível
Editorial Sociedade 2 min. 07.04.2021

Um outro mundo é possível

Crianças com viseiras contra a pandemia durante uma aula de artes marciais em Kolkata, na Índia.

Um outro mundo é possível

Crianças com viseiras contra a pandemia durante uma aula de artes marciais em Kolkata, na Índia.
Foto: AFP
Editorial Sociedade 2 min. 07.04.2021

Um outro mundo é possível

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A pandemia está a agravar as desigualdades sociais em todo o mundo. Mas esta pode ser a oportunidade de criar um novo paradigma de uma sociedade mais justa, igualitária e que respeite a natureza.

"As alternativas não faltam no mundo. O que de facto falta é um pensamento alternativo de alternativas". A frase do sociólogo Boaventura Sousa Santos que entrevistamos esta semana resume bem a encruzilhada em que nos encontramos. 

Para o sociólogo, a pandemia poderia ser a oportunidade para lançar um novo modelo de sociedade, mais igualitária e respeitante da natureza. Mas a maioria dos países está a optar por outras respostas: ou pelo negacionismo ou por uma solução neutra. Na entrevista ao correspondente do Contacto em Portugal, Nuno Ramos de Almeida, o sociólogo sublinha que "a covid-19 muda completamente as nossas formas de relacionamento e de relações sociais, muito mais que podemos imaginar agora". E sublinha que se "vamos viver numa pandemia intermitente, temos de mudar muita coisa em termos de paradigma social em que vivemos".

O problema é conseguir pensar fora da estrutura de dominação em que vivemos, o que nos impede de traçar outro paradigma. A violência simbólica, que Pierre Bourdieu teorizou a que estamos sujeitos dificilmente permitirá construir um outro mundo possível. Mas vale a pena tentar.

Quando já estamos fartos de pandemia, confinamento podemos olhar para o outro lado do mundo onde tudo parece já ter passado. Na Austrália e Nova Zelândia, a resposta à covid-19 foi mais drástica mas parece ter dados os seus frutos. Na edição desta semana conhecemos portugueses que vivem nesses territórios onde os ajuntamentos voltaram a ser possíveis.

Por serem ilhas e terem fechado desde logo as fronteiras aéreas e marítimas, são algumas das razões que explicam o sucesso da estratégia seguida por estes países. Além deste isolamento, na Austrália "os serviços são muito bem organizados, as decisões foram tomadas e aplicadas rapidamente, como o confinamento logo aquando dos primeiros casos, e as medidas foram eficientes, mesmo os confinamentos breves para controlar os contágios", diz Ana Morais, uma portuguesa a viver na Austrália à jornalista Paula Santos Ferreira.

Mais perto, em Portugal, há quem também tenha passado ao lado do confinamento. Como os 13 habitantes de Codeçal, uma aldeia perdida na serra de Montemuro. Uma reportagem de Ana B. Carvalho dá-nos a conhecer o quotidiano dos seus habitantes tão diferente de quem vive nas grandes cidades.

Mas de Portugal chegam também boas novas da segunda fase de desconfinamento, com a abertura das esplanadas que o Luxemburgo vai viver já a partir desta quarta-feira. Mas nesta edição há uma história surpreendente que nos revela que o Luxemburgo também já foi um país de emigrantes.

A reportagem de Ricardo J. Rodrigues foi descobrir a história de emigrantes luxemburgueses que ajudaram a construir o Brasil. Porque as migrações são e vão continuar a ser um dos motores de desenvolvimento das civilizações.

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