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Um enorme desvio de água

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Um enorme desvio de água

Um enorme desvio de água

Um enorme desvio de água


26.09.2020

Nos últimos 40 anos, a água que enche as barragens junto à nascente do Tejo ficou reduzida a metade. Um transvase continua a desviar água do rio mais longo da Península Ibérica para irrigar o sudeste de Espanha - e o que sobra no caudal já não chega para as necessidades. As alterações climáticas agravam ainda mais a crise de escassez de água.

POR JUAN CALLEJA E RICARDO J. RODRIGUES ¦ IMAGEM DE RUI OLIVEIRA

O povo de Chillarón del Rey está revoltado. A quilómetro e meio do Tejo, a aldeia não tem água suficiente. O transvase desvia o rio para o Levante espanhol.
O povo de Chillarón del Rey está revoltado. A quilómetro e meio do Tejo, a aldeia não tem água suficiente. O transvase desvia o rio para o Levante espanhol.

“Tejo-Segura, nem uma gota a mais", lê-se no autocolante do vidro de um carro em Chillarón del Rey, uma das povoações ribeirinhas localizadas nas margens de Entrepeñas e Buendía, as primeiras barragens que existem na cabeceira do Tejo. “As pessoas estão indignadas porque estamos muito perto do rio e temos muitos problemas de falta de água. E porque a estão a levar daqui, lamenta a presidente da junta, Maribel Díaz

No Verão, a população desta aldeia de Guadalajara multiplica-se por seis - no Inverno não chega a 50 - e um depósito de água não é suficiente para todos tomarem banho ou cozinharem. "Têm de nos fornecer camiões-cisterna vindos das aldeias vizinhas", explica a autarca. É um paradoxo, considerando que se encontram a quilómetro e meio de Entrepeñas, uma enorme barragem com capacidade para 835 hectómetros cúbicos (hm3), ou seja, suficiente para abastecer uma população de mais de quatro milhões de habitantes durante um ano .

Em 1979, a construção do transvase Tejo-Segura, que leva água daqui ao Levante espanhol, operou um pequeno milagre. Converteu milhares de hectares de terras quase desérticas nas províncias de Alicante, Almeria e Múrcia num oásis de cultivo de frutas e legumes – e contribuiu decisivamente para que a Espanha fosse considerada a horta da Europa. Passados quarenta anos, a água que enche os reservatórios na cabeceira do Tejo é muito menos. Os volumes de água retidos nos reservatórios antes da criação do transvase, quando esta área era conhecida como "os mares de Castela", não voltaram a verificar-se.

"Antes do transvase, tínhamos mais de quinze nascentes de água. Agora só nos resta uma", diz Maribel Díaz. "A extracção de água da barragem é muito cara porque envolve muito tratamento e os altos e baixos do caudal requerem um sistema de bombagem muito complexo. É por isso que temos um poço", diz ela. O reservatório que utilizam funciona como uma esponja: absorve tudo, mesmo a água das nascentes à sua volta.

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O efeito 80
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O nível das barragens está a descer sucessivamente. O Tejo está a secar.
O nível das barragens está a descer sucessivamente. O Tejo está a secar.

"Nos últimos 40 anos tem havido uma redução muito clara de água na nascente do Tejo", explica Teodoro Estela, director-geral da Água de Espanha. O chefe da gestão dos recursos hídricos do Ministério de Transição Ecológica está preocupado com um problema que afecta directamente cidades ribeirinhas como Chillarón del Rey, mas também os regantes que usam o transvase Tejo-Segura e muitas outras povoações que cresceram ao longo de mais de 1.000 quilómetros por onde o rio corre, entre Espanha e Portugal.

Entre 1958 (quando Entrepeñas e Buendía entraram em funcionamento) até 1980 (quando o transvase começou a operar), a entrada média de água nas duas barragens foi de 1437 hm³. A entrada média de 1980 a 2019 foi de 737, segundo dados do Centro de Estudios y Experimentación de Obras Públicas (CEDEX) e da Confederación Hidrográfica del Tajo. Por outras palavras, nos últimos 40 anos, a água que atingiu a cabeceira do Tejo reduziu para metade. Esta queda faz parte do fenómeno conhecido como efeito 80.

"O Tejo, como muitas outras bacias do nosso país, tem cada vez menos água. Estamos a viver os riscos climáticos de uma forma muito clara e os modelos de simulação hidrológica dizem-nos que vamos ter cada vez menos recursos hídricos. Isso significa que temos de gerir o rio com mais cuidado", adverte Teodoro Estrela.

"As temperaturas máximas e mínimas aumentaram. No que diz respeito à precipitação, em termos gerais pode dizer-se que há uma redução significativa. Ambos os factores afectam indirectamente a água disponível", esclarece Ernesto Rodríguez, responsável pelas projecções climáticas na Agência Estatal de Meteorologia espanhola (AEMET). "Quanto mais alta for a temperatura, mais evapotranspiração acontece [a água que vai para a atmosfera através da evaporação e transpiração das plantas] e mais seco fica o solo – o que significa que a terra absorve mais água e não a liberta para os rios. Portanto, num cenário de maior calor e menor chuva, isto traduz-se em menos escorrimento – a água que não é absorvida pelo solo e acaba no leito do rio".

"Mesmo que os gestores não tivessem uma bola de cristal para ver o que o futuro poderia reservar, quando os reservatórios atingissem 60% da sua capacidade deveriam ter sido mais cautelosos", argumenta Antonio De Lucas Sepúlveda, engenheiro civil e autor de uma tese de doutoramento na qual faz uma análise exaustiva do transvase e da gestão da bacia do Tejo. "Não se aperceberam da redução das entradas de água e continuaram a permitir as saídas usando os números anteriores a 1980, que foram anos particularmente húmidos. A partir de 1979, começou um período de seca", assinala.

Dependendo do volume de água que exista em Entrepeñas e Buendía no início de cada mês, uma quantidade máxima anual de 650 hm3 pode seguir para o transvase Tejo-Segura. As barragens de Entrepeñas e Buendía têm uma capacidade máxima anual de mais de 2.500 hm3. Mas, em 40 anos, a média anual de água transferida foi de apenas 325 hm3 – e o único ano hidrológico em que mais de 600 hm3 foram transferidos foi em 2019-2020, com 620. Desde 1979 até junho de 2020, as barragens de Entrepeñas e Buendía juntas têm uma média mensal de 749 hm3 de água.

O resto, até um máximo de 365 metros cúbicos por ano, segue o curso do rio até à região de Madrid - segundo um decreto real de 2014. "Quando o Tejo passa por Aranjuez [Madrid], chega muito esgotado. Temos um problema muito sério com a redução da água, e se a isto acrescentarmos um transvase que leva quase 100% da água que chega à cabeceira, vemos que estamos a caminhar para um cenário de um rio praticamente morto", critica Miguel Ángel Sánchez, porta-voz da Plataforma em Defesa dos Rios Tejo e Alberche.

"Temos de começar a tomar conta do Tejo. Devolver-lhe a água e, é claro, aplicar urgentemente soluções no Levante. As alterações climáticas não respeitam ninguém. O Tejo está morto neste momento e a transferência de água está condenada", diz Sánchez.

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Um pomar no deserto
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De um lado, os terrenos irrigados pelo transvase, do outro o deserto natural. É assim o Levante espanhol.
De um lado, os terrenos irrigados pelo transvase, do outro o deserto natural. É assim o Levante espanhol.

Um trabalho hidráulico colossal de aquedutos, canais e túneis subterrâneos cumpre uma distância de 292 quilómetros para transportar água da cabeceira do Tejo para o coração da horta da Europa. "Sou o filho das amendoeiras", diz José Vicente Andreu, 56 anos, ao mostrar-nos a terra que trabalha desde 2010, quando se tornou um produtor agrícola especializado em citrinos. A vedação que delimita a propriedade de Villamilagros, na região de Alicante, é como uma linha do tempo. No exterior, uma grande extensão de terra árida e antiga, na qual só podem crescer árvores de fruto secas, como amendoeiras; no interior, 20 hectares de cultivo de clementineiras e laranjeiras irrigadas com água do transvase.

Este engenheiro agrícola pertence à quinta geração de uma família de agricultores de Torremendo, uma povoação na região de Vega Baja del Segura, em Valência. A água proveniente do transvase traçou-lhe um destino diferentes dos seus progenitores. "Os meus pais cultivavam trigo, cevada, azeitonas, amêndoas... Pura subsistência".

José Vicente Andreu, agricultor
José Vicente Andreu, agricultor

"Posso sustentar-me porque mudei para a agricultura biológica, com cada vez maior procura na Europa", enfatiza José Vicente, que cultiva terras alugadas a agricultores que se reformam porque não têm descendência que queira trabalhar a terra. Ou simplesmente porque o esforço não compensa: "Os preços não lhes parecem competitivos e os rendimentos não os compensam pelo aumento dos custos, tais como água dessalinizada para irrigação".

No total, tem 150 hectares e produz anualmente cerca de 2.000 toneladas de limões orgânicos, toranjas, tangerinas, bem como vários hectares de amêndoas e azeitonas. Como a maioria dos empresários agrícolas nas terras irrigadas pela transferência, José Vicente exporta uma grande parte da sua colheita para países europeus. Durante anos, a Espanha foi o principal produtor de fruta e o segundo maior produtor de vegetais de entre todos os estados membros - com 40% do total e 17,3%, segundo dados do Eurostat em 2017 - e vende 93% da sua produção para o mercado europeu para exportação.

À exceção deste Inverno, os 80.000 regantes que, como José Vicente, fazem uso da água do transvase sofreram longos anos de seca. Durante o ano hidrológico de 2013-2014 - um período de 12 meses de Setembro a Outubro do ano seguinte - e até Setembro de 2019, tiveram de irrigar com uma elevada percentagem de água dessalinizada, uma vez que não havia suficiente água doce a ser transferida da cabeceira do Tejo.

"Entre 2013 e 2015 passámos 18 meses sem ver chuva", acrescenta. Olha para baixo quando recorda a campanha de 2017-2018, que foi particularmente dura: "Metade da água que usávamos para irrigar esta quinta foi dessalinizada, e o custos de produção duplicaram em relação aos anos em que usávamos água doce". Antes da seca, a irrigação dos 20 hectares de culturas significava um gasto de cerca de 30.000 euros por ano, mas desde que começaram a utilizar 50% de água dessalinizada, o custo subiu para cerca de 70.000 euros.

Os efeitos da seca foram agravados por uma onda de calor de quatro dias em Maio de 2018 que afectou gravemente a colheita. "O pequeno limão, que ainda estava a amadurecer, começou a morrer. Perdi 40% da colheita, cerca de 300 toneladas [150.000 euros]", lamenta. "Há também ondas de calor em meses como Novembro ou Fevereiro, com dias em que as temperaturas excedem os 30 graus". Nestas alturas do ano, são as laranjas que sofrem com as alterações climáticas: florescem como se fosse Primavera, amadurecem antes do tempo mas são de má qualidade e não têm escoamento no mercado.

As situações climáticas descritas pelo agricultor de Alicante coincidem com alguns dos efeitos reais do aquecimento global que especialistas como Mar Gómez, chefe de meteorologia em Eltiempo.es, têm vindo a explicar há algum tempo: "Em Espanha estamos a caminhar para a desertificação na maior parte do território e a costa mediterrânica é uma das mais vulneráveis às alterações climáticas. Nos próximos anos vamos encontrar climas mais áridos, semi-áridos e sub-húmidos, e a parte mais árida será no sudeste da península, especialmente nas bacias do Júcar e Segura, que são áreas onde vamos ver o maior défice de precipitação".

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Doce ou salgada, a guerra da água
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Água dessalinizada entra na barragem de La Pedrera, onde se mistura com o que chega do transvase Tejo-Segura.

A barragem de La Pedrera fica a cinco minutos de carro da propriedade de José Vicente Andreu. A cor do chapéu do produtor de citrinos confunde-se com o azul turquesa de um corpo de água com uma capacidade de armazenamento de 250 hm3. "Quase metade da água do transvase Tejo-Segura chega a este reservatório e é misturada com a água da central de dessalinização de Torrevieja", explica. A partir daqui, é distribuída essencialmente pelas comunidades de irrigação localizadas na zona de La Pedrera (cerca de 30.700 hectares brutos de rega), como a de José Vicente, e Campo de Cartagena (33.079).

"A água salgada praticamente não tem minerais, e as plantas precisam deles para se alimentarem. É por isso que tem de ser misturado com água doce", queixa-se o agricultor, embora este não seja o seu principal problema. Em comparação com os 30 cêntimos que paga por um metro cúbico de água do transvase, os mesmos mil litros de água dessalinizada custam-lhe 80 cêntimos. "Não obtemos lucro suficiente para podermos pagar esses preços", acrescenta ele. Ao preço estabelecido pelo Estado para a água do transvase e da dessalinização, cada cooperativa de regantes acrescenta um preço associado à manutenção das infra-estruturas.

De acordo com os seus cálculos, José Vicente só vai precisar de 15% de água dessalinizada até ao final deste ano hidrológico, porque este inverno choveu bem. Mas a tendência para utilizar a água dessalinizada como recurso de irrigação alternativo ao transvase está a aumentar. E não só devido às alterações climáticas que apontam para um futuro com menos chuva e temperaturas mais elevadas, mas também para evitar a sobrexploração dos aquíferos.

Uma investigação da Datadista de 2019 revelou como as águas subterrâneas têm sido sobrexploradas durante décadas para irrigar as terras da bacia do rio Segura. Abrir poços era uma forma de não só suprir as necessidades durante os anos de seca, quando não havia água suficiente a descer o transvase, mas também nos anos em que tiveram um abastecimento que vinha do Tejo era ótimo.

Em 2005, o Governo espanhol elaborou um novo Plano Hidrológico Nacional que cancelou o anterior, com o fim de pôr fim à sobreexploração dos aquíferos e promover a água dessalinizada como recurso hídrico alternativo face à necessidade de água doce.

"Dos 80 hm3 que somos capazes de dessalinizar, quase 90% da nossa produção é destinada à rega", diz Javier Zapatera, gestor da fábrica de dessalinização de Torrevieja, a maior da Europa e propriedade do estado espanhol. Desde que começou a operar em 2015 para aliviar a escassez de água devido à seca, produziu um total de 230 hectómetros cúbicos, dos quais 193 foram para irrigação e 36 para abastecimento humano. "Pediram-me 250 hm3 para o próximo ano, mas não temos essa capacidade", diz Zapatera. A empresa pública que gere esta fábrica já abriu um concurso público para expandir a fábrica e aumentar a capacidade de produção para 120 hm3.

Para além de Torrevieja, quase dez instalações de dessalinização abriram nos últimos anos no Levante espanhol para abastecer a população e para a agricultura. As plantas Águilas e Valdelentisco são também públicas, e a maior parte da sua produção é utilizada para irrigação. Estão também em fase de expansão, tendo em conta o aumento da procura.

Lucas Jimenez preside à união dos regantes do transvase Tejo-Segura.
Lucas Jimenez preside à união dos regantes do transvase Tejo-Segura.

"Pode a dessalinização substituir o transvase? É claro. Agora, se aumentarmos o volume de água dessalinizada, o preço deixa de ser compatível com a agricultura no Levante", reitera Lucas Jiménez, presidente da União Central de Rega do Aqueduto do Tejo-Segura (Scrats). "Será isso tecnicamente possível? Sim, mas não só aqui, também na região de Castilla la Mancha, que se queixa da falta de água. Podemos criar aqui instalações de dessalinização e empurrar a água para onde quisermos", diz o representante da maior união de regantes em Espanha.

Há um ar combativo no seu tom. Jiménez luta há anos a nível político para defender a importância do transvase face às questões que se levantam sobre a sua viabilidade – por causa da escassez de água na nascente do Tejo e por causa dos efeitos das alterações climáticas. "O controlo que temos sobre a água não é saudável. Produzimos rentabilidade, mas lutamos contra a escassez e os preços exorbitantes da água. Regamos mais, sim, mas na bacia do rio Segura também reutilizamos cerca de 110-115 hm3".

"A reutilização da água na bacia do rio Segura fez grandes progressos, mas não pode ser a fonte alternativa de recursos", diz Teodoro Estrela, director-geral da Água. Para a Estrela, o foco deve estar em outras alternativas, tais como o uso de água dessalinizada. "Acredito que a dessalinização integrada, ligando diferentes instalações de dessalinização na mesma área, já contribui muito para resolver o problema da escassez".

Relativamente às críticas da SCRATS pelo elevado custo da água dessalinizada, Estrela afirma que é verdade que a sua utilização para irrigação custa mais do que a utilizada para abastecimento, mas sublinha que os custos da dessalinização têm vindo a diminuir consideravelmente. "Há alguns anos atrás falávamos de um custo de um euro por metro cúbico, mas reduzimos esse custo para metade".

O transvase Tejo-Segura pode muito bem ter os dias contados.
O transvase Tejo-Segura pode muito bem ter os dias contados.

O transvase Tejo-Segura é viável num futuro com maior escassez de água? “O que eu sei é que cada vez menos podemos desviar água para o transvase”, responde Estrela.

A cerca de 200 quilómetros de carro de Entrepeñas e Buendía, a água que chega a Talavera de la Reina (Toledo), depois de passar por Madrid, vem pouca e de má qualidade. O Tejo começa a morrer aqui, ainda longe de Lisboa, onde o rio encontra o Atlântico. O maior rio da Península Ibérica não compreende as guerras políticas. Só precisa de mais água .

A série "Tejo: como matar um rio" foi feita ao abrigo da bolsa Reporters in the Field, promovida pela associação n-ost e pela Fundação alemã Robert Bosch, e é publicada simultaneamente no jornal luxemburguês Contacto, no Diário de Notícias e no espanhol El País.

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