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Um em cada quatro portugueses não quer ser vacinado contra a covid-19
Sociedade 3 min. 08.08.2020

Um em cada quatro portugueses não quer ser vacinado contra a covid-19

Um em cada quatro portugueses não quer ser vacinado contra a covid-19

Foto: AFP
Sociedade 3 min. 08.08.2020

Um em cada quatro portugueses não quer ser vacinado contra a covid-19

Redação
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Os homens são os que se mostram mais dispostos a vacinarem-se (78%), assim como indivíduos com alta escolaridade (78%), conclui sobre Portugal, o estudo feito em sete países.

Apesar de um em cada quatro portugueses não querer ser vacinado contra a covid-19 e terem dúvidas em relação a ser possível haver imunização por vacinação, são muito mais os que pretendem vacinar-se: cerca de 75%. Estas são algumas dos dados retirados de um estudo feito em sete países europeus.

As conclusões do estudo, em que participou a Nova BSE, mostram também que 70% dos portugueses estão "completamente confiantes" de que a vacina contra a covid-19 será segura, subindo a percentagem de confiança nos que têm entre 55 e 64 anos, entre os quais 79% acreditam na sua segurança.

Investigadores da Nova SBE juntaram-se a equipas da Universidade de Hamburgo, da Rotterdam Erasmus University e da Bocconi University para perceber como a população europeia olha para a pandemia e até que ponto confia nas decisões dos responsáveis políticos.

Para isso, realizaram um estudo online em duas fases, que abrangeu, em cada uma delas, mais de 7.000 participantes de sete países europeus (Alemanha, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido) tendo em conta a região, idade, género e educação.

Entre a primeira vaga de inquéritos, que decorreu entre 02 e 15 de abril de 2020, e a segunda, realizada entre 09 e 22 de junho, os portugueses mantêm-se como os europeus que demonstram maior vontade de virem a ser vacinados contra a covid-19 (75%).

Foi observado nos inquiridos, com idades entre os 55 e 64 anos, um ligeiro aumento na disposição de se vacinarem (6 pontos percentuais).

"Os homens são os que se mostram mais dispostos a vacinarem-se (78%), assim como indivíduos com alta escolaridade (78%). Além disso, aqueles que conhecem alguém oficialmente diagnosticado com covid-19 estão mais dispostos a vacinar-se do que aqueles que não conhecem ninguém com covid-19 (81% vs 74%)", refere a Nova BSE.

 As respostas não surpreendem o co-autor do estudo, Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE. "Tradicionalmente, Portugal tem conseguido sempre alcançar elevadas taxas de vacinação, mostrando ao longo do tempo uma confiança elevada das pessoas nas vacinas e nas recomendações do SNS [Serviço Nacional de Saúde] para vacinação", explica ao diário Público, por escrito, Pita Barros. “Estes resultados estão em linha com os de inquéritos anteriores que mostram que Portugal é o país da Europa que mais adere à vacinação”, corrobora o bioquímico e divulgador de ciência David Marçal. "Tive alguma esperança no início de que a pandemia iria implicar uma inversão e um golpe no movimento anti-vacinação e ainda não perdi essa esperança. Toda esta relutância em relação à vacinação é chorar de barriga cheia".  

Relativamente à possibilidade de a vacina poder não estar disponível em número suficiente para que todos sejam vacinados imediatamente, os portugueses defendem que a prioridade a quem deve ser administrada deve ser definida por uma equipa nacional de especialistas (73%), pelas organizações de saúde que administram a vacina (68%) e pelo Ministério da Saúde (52%).

Para a grande maioria dos portugueses, o acesso prioritário à vacina contra o coronavírus SARS-Cov-2, que provoca a doença covid-19, deve ser dado a pessoas com maior risco de infeção, por exemplo, pessoas que cuidam de alguém que está doente com covid-19 ou pessoas em profissões vitais (91%) e a indivíduos mais vulneráveis (89%).

No geral, a maioria dos inquiridos discorda que a vacina deve ser administrada numa base de "primeiro a chegar primeiro a ser servida" (68% contra).

Dois terços discordam que pessoas que são geralmente saudáveis e vivam um estilo de vida saudável (66% contra) ou que possam pagar do seu bolso (61% contra) tenham prioridade na administração da vacina.

Além disso, 42% dos portugueses concordam que as características pessoais de uma pessoa não devem desempenhar um papel na decisão de quem é vacinado primeiro.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 715 mil mortos e infetou mais de 19,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.746 pessoas das 52.351 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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