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Um comprimido contra a covid? Pode estar para breve
Sociedade 4 min. 05.10.2021
Nova arma

Um comprimido contra a covid? Pode estar para breve

Esta é a primeira pílula oral contra a covid-19, desenvolvida pela Merck.
Nova arma

Um comprimido contra a covid? Pode estar para breve

Esta é a primeira pílula oral contra a covid-19, desenvolvida pela Merck.
Foto: AFP
Sociedade 4 min. 05.10.2021
Nova arma

Um comprimido contra a covid? Pode estar para breve

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A primeira pílula oral para tratar doentes covid-19, aos primeiros sintomas, poderá estar disponível a curto prazo. Desenvolvida pela Merck este fármaco demonstrou reduzir para metade os internamentos. Vai agora ser pedida a sua autorização de uso à FDA.

A vacinação anti-covid conseguiu desacelerar a pandemia e diminuir mortes e hospitalizações pelo mundo. Esta é uma arma única eficaz desde que a covid-19 surgiu, há 19 meses atrás.

Contudo, a pandemia ainda não acabou como fazem questão de lembrar todos os especialistas, a ONU e pelo mundo político. Desde dezembro de 2019 que o novo coronavírus já matou quase cinco milhões de pessoas no planeta e infetou mais de 235 milhões. E continuar a morrer doentes.

Por isso, as farmacêuticas concentram esforços para melhorar vacinas e descobrir outros medicamentos que podem diminuir o impacto da covid-19 na saúde individual e nas populações.

E o primeiro comprimido oral contra uma doença da covid-19 pode, em breve, ser aprovado, segundo anunciou a farmacêutica Merck que divulgou este fármaco de toma fácil para pessoas infetadas com o SARS-Cov-2 e os resultados dos ensaios clínicos são “ bastante promissores ”.

Como o comprimido para uma gripe

O novo fármaco não substitui a vacina que continua a ser a solução principal para prevenir a doença. O antiviral comprimido é destinado a quem foi contagiado pelo novo coronavírus e deve ser tomado na fase inicial da infecção, quando surgem os primeiros sintomas. Como os medicamentos para outras infeções causadas por vírus como a gripe ou o herpes.

Os ensaios clínicos realizados pela farmacêutica Merck e pela Ridgeback Biotherapeutics com este novo fármaco em pacientes com covid-19, com sintomas moderados ou ligeiros, demonstraram que ele reduz para metade dos internamentos e as mortes.

Por isso, a Merck anunciou que vai solicitar à agência do medicamento dos Estados Unidos, a FDA, a autorização com caractere emergência para o comprimido antiviral usado em pacientes de covid-19, naquele país.

Caso seja aprovado pela FDA, o governo dos Estados Unidos já se comprometeu a adquirir 1,7 milhões de doses da pílula oral, dado que continua a ser o país do mundo com mais mortes causadas pela pandemia.

Como atua o fármaco?

E como atua o novo comprimido, chamado molnupiravir? Nos primeiros cinco dias de sintomas devem ser tomados quatro comprimidos, duas vezes por dia, durante estes dias. Os ensaios clínicos realizados junto com 775 pacientes covid-19 revelaram que nenhum grupo que tomou apenas placebo. Neste grupo do placebo oito pessoas morreram, mas não se registrou uma única morte entre os pacientes a quem foi dado o comprimido, indicou a Merck.


Vídeo. Paulette Lenert apela à vacinação contra a covid-19
A ministra da Saúde diz que atualmente há doses suficientes para vacinar toda a população.

O que o molnupiravir faz é parar o processo de replicação dos vírus dentro das células do organismo de modo que a doença não se agrave. “Impedir que o vírus se multiplique é importante porque quanto mais se reproduz, destruindo após célula, mais doente uma pessoa fica”, explicou Waleed Javaid, epidemiologista e diretor de prevenção e controle de infeções no Monte Sinai Downtown, em Nova Iorque, ao site Geografia nacional. 

Mudança no "jogo"

"Um antiviral oral que pode diminuir neste percento o risco de hospitalização é uma mudança no jogo", devido, por seu turno, Amesh Adalja, professor de Segurança de Saúde no Centro Johns Hopkins, à agência Reuters.

As opções de tratamento atuais contra a covid são administradas unicamente pelos hospitais e por via intravenosa. Um comprido oral capaz de curar a uma infecção da covid-19 será bem obtida. As terapêuticas existentes são "complicadas e logisticamente difíceis de administrar. Uma simples pílula oral seria o oposto disso", frisou Adalja.

“Excedeu o que eu penso que uma droga poderia ser capaz de fazer neste ensaio clínico”, assumiu Dean Li, o vice-presidente de pesquisa da Merck, citado pelo The Guardian. “Quando se vê uma redução de 50% na hospitalização ou morte, é um impacto clínico substancial.”


Vacina da Pfizer eficaz contra formas graves de covid-19 durante pelo menos seis meses
Fármaco é também eficaz contra todas as variantes do SARS-CoV-2 , confirma um estudo divulgado esta terça pela revista científica The Lancet.

Perante os bons resultados, o grupo independente de especialistas que monitorizou o estudo recomendou a interrupção dos ensaios uma vez que ficou fornecida que o fármaco funciona de modo a que a farmacêutica pode pedir já permissão para a entrada no mercado do medicamento.

Comprar sem receita

Atualmente há outras pilulas contra a covid a serem também já testadas, mas o comprimido da Merck é o primeiro com ensaios concluídos. Para os cientistas que trabalham noutros antivirais o resultado dos ensaios da Merck são vistos com entusiasmo. “Muito empolgante”, disse Jane Scott, da Universidade de Glasgow que coordena um estudo com outro comprimido oral contra a covid-19. “O ideal é que no futuro tenhamos um medicamento bem tolerado que as pessoas possam comprar sem receita e tomar na primeira suspeita de infeção, antes mesmo de terem o resultado do teste de volta, para que possamos tratar a Ccovid-19 mais cedo”, perspetivou esta cientista ao The Guardian.

Ao mesmo tempo que a Merck espera o sinal verde da FDA para comercializar o comprimido de toma fácil, a Agência Europeia do Medicamento, a EMA, acaba 

considerar "segura e eficaz" uma dose de reforço da vacina Pfizer para uma população em geral, pelo menos seis meses após uma segunda dose, mas sem adiantar datas para a terceira vacina anti-covid. Contudo, a  EMA admite que, neste momento, não pode fazer uma recomendação precisa quanto à data e quem se destina uma terceira dose da vacina. C ada país deve decidir sobre a aplicação deste reforço, indicou a EMA.

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