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UE. Mais de 400 mil mortes prematuras todos os anos devido à poluição do ar
Sociedade 6 min. 08.09.2020 Do nosso arquivo online

UE. Mais de 400 mil mortes prematuras todos os anos devido à poluição do ar

UE. Mais de 400 mil mortes prematuras todos os anos devido à poluição do ar

Foto: AFP
Sociedade 6 min. 08.09.2020 Do nosso arquivo online

UE. Mais de 400 mil mortes prematuras todos os anos devido à poluição do ar

A poluição ambiental está ligada ao surgimento de doenças, incluindo cancro, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, doenças respiratórias e perturbações neurológicas, revela um estudo da Agência Europeia do Ambiente (AEA).

De acordo com o relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA),"Ambiente saudável, vida saudável: o modo como o ambiente influencia a saúde e o bem-estar na Europa", parte significativa dos encargos com doenças na Europa "continua a ser atribuída à poluição ambiental resultante da atividade humana". 

A poluição atmosférica é "o principal fator ambiental ligado ao aparecimento de  doenças, com cerca de 400 mil mortes prematuras atribuídas à poluição atmosférica ambiental anualmente na UE", lê-se no relatório . 

A má qualidade do ar relacionado com a queima de combustíveis sólidos resulta em quase 26 000 mortes prematuras por ano em toda o Espaço Económico Europeu (que inclui Noruega, Islândia e Liechtenstein). O relatório vai ainda mais longe apontando que "existem provas prematuras que sugerem que a exposição a longo prazo à poluição do ar pode aumentar a suscetibilidade à covid-19", mas afirmam ser necessária mais investigação.

O ruído é o segundo fator ambiental mais significativo, com a exposição à poluíção sonora a causar 12 000 mortes prematuras anualmente e a contribuir para 48 000 novos casos de doenças cardíacas isquémicas.

Segundo a AEA, a natureza fornece a base para a boa saúde e bem-estar da população europeia. Ar limpo, água e alimentos são essenciais para sustentar a vida. Os ambientes naturais proporcionam a recreação, relaxamento e interação social e as matérias-primas alimentam os sistemas de produção de forma a proporcionar o conforto da vida contemporânea. 

No entanto, desde as habitações, aos locais de trabalho, ou ambiente exterior, quando se come, brinca, pratica desporto ou até a dormir, a exposição do ser humano à poluição é constante. 


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O ambiente urbano caracteriza-se pela presença de múltiplos fatores de stress, sendo as pessoas nas cidades mais expostas à poluição atmosférica, ao ruído e aos produtos químicos, ao mesmo tempo que têm menos acesso ao espaço verde do que as pessoas em ambientes rurais. 

Os impactos das alterações climáticas na saúde são complexos e incluem os perigos imediatos de eventos climáticos extremos, tais como ondas de calor, frio extremo e inundações, bem como água e alimentos.  Em particular, sabe-se que a poluição atmosférica e as altas temperaturas atuam em sinergia, levando a um aumento da morbilidade e mortalidade. 

Em 2012, 13 % de todas as mortes (630 000 pessoas), na UE foram atribuíveis ao ambiente, denunciou um estudo da OMS publicado em 2016. "Estas mortes são evitáveis e podem ser significativamente reduzidas através de esforços para melhorar a qualidade ambiental", apontava na altura o relatório. 

Disparidades ao nível europeu

O fardo das doenças de origem ambiental está desigualmente distribuído na Europa, com a percentagem de mortes atribuíveis a fatores ambientais a variar de um mínimo de 9% na Noruega e Islândia a 23% na Albânia e 27% na Bósnia- Herzegovina. Segundo os autores do relatório a poluição ambiental está ligada ao aparecimento de uma extensa lista de doenças: cancro, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, doenças respiratórias e perturbações neurológicas.

E os mais afetados parecem ser mais uma vez os mais desfavorecidos: pobres, as crianças, os idosos e as pessoas com problemas de saúde. "As pessoas mais vulneráveis da sociedade são as mais duramente atingidas por fatores de stress ambiental", aponta o estudo. Estas estão expostas a uma maior carga de poluição, com os cidadãos das regiões europeias mais pobres expostos a elevados níveis de poluição atmosférica e sonora e a fenómenos de temperaturas extremas. 

"Os níveis mais elevados de exposição a fatores de stress ambiental e o maior peso dos impactos na saúde exacerbam as desigualdades existentes na saúde", acrescenta a AEA. E insiste na necessidade de tomar medidas ao nível do bloco europeu. "Embora vejamos melhorias no ambiente na Europa e uma clara focalização do Pacto Ecológico num futuro sustentável, o relatório indica que é necessária mais ação para proteger os mais vulneráveis, argumentando que a pobreza está frequentemente associada à vivência em más condições ambientais e em más condições de saúde. "Todas estas relações devem ser tomadas em conta numa abordagem integrada para uma Europa mais inclusiva e sustentável", comentou Hans Bruyninckx, diretor executivo da AEA. 

Por outro lado, o ambiente urbano caracteriza-se pela presença de múltiplos fatores de stress, sendo as pessoas nas cidades mais expostas à poluição atmosférica, ao ruído e aos produtos químicos, ao mesmo tempo que têm menos acesso ao espaço verde do que as pessoas em ambientes rurais.


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As pessoas são expostas a múltiplos fatores de stress ambiental de cada vez, que se combinam e, em alguns casos, actuam em sinergia, causando impactos na saúde. Em particular, sabe-se que a poluição atmosférica e as altas temperaturas atuam em sinergia, levando a um aumento da morbilidade e mortalidade. 

"Existe uma relação clara entre o estado do ambiente e a saúde da nossa população. Todos temos de compreender que, ao cuidar do nosso planeta, contribuímos para salvar não só os ecossistemas, como também a vida das pessoas, especialmente das mais vulneráveis. A União Europeia está empenhada em seguir esta abordagem e, com a nova Estratégia de Biodiversidade, o Plano de Ação para a Economia Circular e outras iniciativas futuras, estamos a caminho de construir uma Europa mais resiliente e mais saudável para os cidadãos europeus e não só", afirmou Virginijus Sinkevičius, Comissário para o Ambiente, Oceanos e Pescas.

"Covid-19 é exemplo flagrante das ligações inextricáveis entre a saúde humana e a saúde do ecossistema"

Para os investigadores, a pandemia da covid-19 "constitui um exemplo flagrante das ligações inextricáveis entre a saúde humana e a saúde do ecossistema". Visto que a doença surgiu em morcegos e chegou aos humanos através de um mercado de peixe e outros animais, a AEA lembra que a emergência de tais agentes zoonóticos patogénicos está ligada à degradação ambiental e às interações humanas com os animais no sistema alimentar. 

Outros fatores, como a exposição à poluição atmosférica e o estatuto social, parecem afetar as taxas de transmissão e mortalidade de formas ainda não totalmente compreendidas, acrescentam os especialistas.

"A covid-19 foi mais uma chamada de atenção, que nos permitiu reconhecer de forma contundente a relação entre os nossos ecossistemas e a nossa saúde, assim como a necessidade de encarar o facto de que a forma como vivemos, consumimos e produzimos é prejudicial para o clima e tem um impacto negativo na nossa saúde", afirmou Stella Kyriakides, Comissária para a Saúde e Segurança dos Alimentos. 

"Desde a nossa Estratégia do Prado ao Prato, em defesa de um sistema alimentar sustentável e saudável, até ao futuro Plano Europeu de Luta Contra o Cancro, assumimos um forte compromisso de proteger a saúde dos nossos cidadãos e do nosso planeta", conclui a comissária.

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