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Travão no consumismo. Várias marcas boicotam a Black Friday
Sociedade 4 min. 25.11.2022
Descontos

Travão no consumismo. Várias marcas boicotam a Black Friday

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Travão no consumismo. Várias marcas boicotam a Black Friday

Oliver Berg/dpa
Sociedade 4 min. 25.11.2022
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Travão no consumismo. Várias marcas boicotam a Black Friday

Redação
Redação
Num apelo ao consumidor para "comprar menos mas comprar melhor", há marcas que recusam este dia de descontos massivos em vários setores.

A Black Friday, nesta última sexta-feira de novembro, inaugura o período de compras de Natal com grandes descontos e é um dos expoentes máximos do consumismo mundial.

No entanto, esta data já não é o dia mais esperado do ano para várias marcas, que optaram por ignorar este dia de descontos em nome de um consumo mais consciente. 

Pela primeira vez, o eBay France não oferece quaisquer descontos em novos produtos na Black Friday, apesar das previsões de que este evento global de compras continua a ser um grande sucesso. Mais de metade dos franceses planeia comprar hoje, 30% recusam-se a fazê-lo e 15% ainda estão indecisos, revelou um estudo do Harris Interactive institute.

O site eBay France avaliou o sacrifício financeiro deste bloqueio mas "a aposta é no crescimento a longo prazo" de produtos em segunda mão, explicou à AFP Sarah Tayeb, vice-diretora.  


Esta sexta-feira e durante o fim de semana há muitos descontos da Black Friday.
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No setor da moda, estão a surgir iniciativas semelhantes, como no Vestiaire Collective, uma plataforma de venda em segunda mão, que proibiu 27 marcas "ultra fast fashion" (SheIn, Topshop, etc.) "na véspera da Black Friday", libertando 5% do seu catálogo. Também a Back Market e a Leboncoin lançaram campanhas de marketing em que explicam que "a Black Friday é todo o ano" nos seus sites de produtos em segunda mão. 

Este compromisso foi saudado por associações, incluindo a Extinction Rebellion (XR), que está "encantada" com este "passo em frente na visão da sociedade sobre a Black Friday", disse Isabelle MegaPinthea da XR. "O facto de o boicote estar a ser comunicado é também um argumento de venda para as marcas e ajuda a aumentar a consciência", diz a ativista.  

Green Friday

Desde 2018, as 500 estruturas que compõem o coletivo da Green Friday participam numa vasta operação de boicote ao evento, proibindo descontos nas suas lojas e doando 10% do seu volume de negócios nesse dia a associações. 

Uma escolha que "por vezes vai contra a economia" mas que o deixa "orgulhoso", diz Thibaut Ringo, diretor-geral da Altermundi e cofundador da Green Friday. O chefe da rede de lojas salienta que o facto de não ter acionistas para pagar é um modelo que permite "investir em novos projetos". 

 E, do lado do consumidor, podemos dar-nos ao luxo de comprar mais caro?  "Compre menos, mas compre melhor", é a resposta comum das empresas entrevistadas pela AFP. Alguns consumidores já o fazem, como Mickaël Adioko, 27 anos e analista de dados, que disse à AFP que "compra quando é preciso". 

Em frente a uma Fnac em Paris ocidental na altura da Semana da Sexta-feira Negra, Alexis Garin, que trabalha em marketing, rejeita o evento por razões "éticas". 

No entanto, com um clima económico difícil, as marcas parecem mais relutantes em jogar o "jogo perigoso" do boicote este ano, diz Edouard Nattée, fundador e presidente da Fox Intelligence pela NielsenIQ. "Em 2020 e 2021, estávamos num contexto de comércio eletrónico absolutamente louco, com números anormais (...) e limites de stocks", enquanto que em 2022, é o contrário, explica Nattée. "Este ano, é mais difícil para todos, (...) mais difícil de tomar (tais) decisões".

Blue Friday, em defesa dos oceanos

A Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI-UNESCO) apresenta hoje em Veneza, Itália, a iniciativa Blue Friday (em resposta à  em Black Friday) em defesa dos oceanos.

Este ano e pela primeira vez, a COI-UNESCO lança a “Blue Friday”, hoje e sábado, para “transformar um evento puramente consumista num momento de reflexão dedicado à salvaguarda e à restauração do Mar Mediterrâneo, através de iniciativas de alfabetização oceânica”.

O evento tem início em Veneza mas fonte da COI-UNESCO disse à Lusa que “obviamente o objetivo é levar o momento para todo o mundo, sensibilizando o maior número possível de pessoas para a proteção dos oceanos”, e mostrando que é possível consumir e produzir de forma mais sustentável.

A iniciativa pretende ser uma oportunidade para propor soluções concretas para as ameaças a todos os ambientes marinhos, não apenas ao Mediterrâneo, explicou também a fonte.

Em Veneza serão organizadas mesas redondas sobre economia verde e azul, com a participação de empresas internacionais, falar-se-á de “design” e moda sustentáveis, e refletir-se-á sobre o efeito que as escolhas dos consumidores podem ter no meio ambiente, em especial nos oceanos.

A “Blue Friday” é organizado no âmbito da Década das Nações Unidas da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), criada para promover o papel da ciência dos oceanos para fomentar um desenvolvimento mais sustentável.

A COI-UNESCO foi criada em 1960 para estudar a proteção do ambiente marinho, a pesca e os ecossistemas bem como as mudanças provocadas pelas alterações climáticas.


(Com agências*)

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