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TPC. Ministro não quer uma “escola depois da escola”
Sociedade 3 min. 05.08.2022
Educação

TPC. Ministro não quer uma “escola depois da escola”

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TPC. Ministro não quer uma “escola depois da escola”

Foto: Shutterstock
Sociedade 3 min. 05.08.2022
Educação

TPC. Ministro não quer uma “escola depois da escola”

Diana ALVES
Diana ALVES
Claude Meisch quer que a ajuda aos trabalhos de casa – que já é prestada em algumas estruturas – seja generalizada e harmonizada em todos os SEA.

Os trabalhos de casa são parte integrante do sistema de ensino luxemburguês - palavras do ministro da Educação, Claude Meisch, que considera os deveres para casa produtivos, se forem em quantidades razoáveis. 

Em resposta a uma questão sobre o anunciado projeto de ajuda aos trabalhos para casa (TPC), Claude Meisch defendeu a manutenção dos deveres – que deverão passar a ser feitos nos chamados Serviços de Acolhimento e Educação (SEA, na sigla em francês). Ou seja, nas chamadas ‘maisons relais’, assistentes parentais e outras estruturas de acolhimento extracurricular.

O ministro faz referência a estudos internacionais que demonstram o “valor acrescentado dos trabalhos de casa enquanto ferramenta para consolidar e aplicar os conteúdos aprendidos na escola”. Meisch acrescenta que os resultados do estudo Pisa 2018 confirmam também a importância dos TPC, embora saliente que “demasiados trabalhos de casa possam ter um efeito negativo porque os alunos deixam de ter tempo suficiente para atividades extracurriculares importantes que contribuem igualmente de forma significativa para o seu desenvolvimento”. 

Outra das desvantagens dos TPC prende-se com as desigualdades sociais, já que, por vezes, os alunos oriundos de meios desfavorecidos não dispõem de material ou de um local calmo onde fazer os deveres. É por essa razão que Claude Meisch decidiu avançar com o conceito generalizado de ajuda aos trabalhos de casa nos SEA. 

“A extensão da ajuda aos deveres é justificada pela vontade de lutar contra as desigualdades sociais, mas uma 'escola depois da escola' teria precisamente o efeito contrário”, disse o ministro. Meisch insiste, por isso, que os trabalhos de casa devem ser limitados a exercícios de repetição ou aprofundamento da matéria, que o aluno deve ser capaz de fazer de forma autónoma, e não devem servir para o aluno aprender coisas que não foram dadas nas aulas.

No que toca ao combate às desigualdades, um dos grandes propósitos do novo conceito é aliviar as famílias, sobretudo aquelas que não dominam as línguas do sistema de ensino nacional e que, por essa razão, acabam por não conseguir ajudar os filhos com os deveres. No documento, Meisch defende o projeto de ajuda aos deveres, sublinhando que o objetivo é que os SEA ofereçam aos alunos um ambiente calmo e sereno, orientando-os e esclarecendo eventuais dúvidas de compreensão dos exercícios

Correção dos TPC continuará a ser feita na sala de aula

Sobre a anunciada ajuda aos trabalhos de casa, Claude Meisch esclarece que se trata de um novo conceito baseado no dispositivo já existente. O objetivo é que todos os Serviços de Educação e Acolhimento ofereçam aos alunos do segundo ao quarto ciclo do ensino fundamental “um ambiente calmo e sereno, propício à execução dos trabalhos de casa”. 

O pessoal destas estruturas apoia e aconselha o aluno na organização do seu trabalho. No final, verifica se o aluno fez todos os exercícios. Quaisquer dificuldades devem ser indicadas no e-Bichelchen, uma espécie de diário de turma digital acessível aos funcionários dos SEA, professores e pais.

Claude Meisch frisa que o que está em causa é apenas uma “ajuda aos TPC”. A correção dos exercícios continuará a ser da competência dos professores e a ser feita na sala de aula. Se o aluno tiver dificuldades numa matéria específica, é ao professor que se deve dirigir.

A ideia do ministro da Educação é que a ajuda aos TPC – que já é prestada em algumas estruturas – seja generalizada e harmonizada em todos os SEA. Para garantir a sua qualidade, o novo dispositivo será avaliado pelo Observatório da Infância, da Juventude e da Qualidade Escolar. 

Meisch lembra também que todos os funcionários que intervierem no contexto da ajuda aos deveres terão de seguir uma formação de base. Com este projeto, o ministro quer também melhorar a comunicação entre todos os parceiros escolares: professores, alunos, pais e pessoal docente.

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