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Telemóveis causam crescimento de novos ossos nos crânios dos adolescentes
Sociedade 3 min. 21.06.2019

Telemóveis causam crescimento de novos ossos nos crânios dos adolescentes

Telemóveis causam crescimento de novos ossos nos crânios dos adolescentes

Foto: Shutterstock
Sociedade 3 min. 21.06.2019

Telemóveis causam crescimento de novos ossos nos crânios dos adolescentes

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Estudo afirma que a tecnologia moderna está a causar a mudança do esqueleto humano.

Os telemóveis tomaram conta de assalto a vida moderna. Confia-se praticamente tudo nesse objeto que já é praticamente uma extensão do corpo. Contas no banco, assuntos de trabalho, encomendas de comida, pagamento de parquímetro e por aí em diante. Para os jovens, que já nasceram na era da tecnologia, começam a notar-se, inclusive, mudanças fisiológicas devido a esta dependência tecnológica.  

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Queensland pode ser a primeira vez que se documenta essa adaptação do esqueleto humano à presença da tecnologia na vida do dia-a-dia. O trabalho foi publicado na Nature Research, em 2018, mas mereceu nova atenção graças a uma investigação da BBC, "Como a vida moderna está a transformar o esqueleto humano", divulgada em junho. 

Os cientistas argumentam que os 'smartphones' ou outros dispositivos eletrónicos causam contorçao do esqueleto humano, exigindo que as pessoas inclinem a cabeça apara a frente para ver melhor os ecrãs. É por isso que os jovens surgem com espinhos que parecem pequenos chifres na parte de trás do crânio, acima do pescoço que, na verdade, são esporões ósseos causados pela inclinação e pelo deslocamento do peso da coluna para os músculos na cabeça, levando ao crescimento ósseo de tendões e ligamentos. 

Estas formações têm sido chamadas de "chifres de cabeça", "ossos do telefone" ou "inchaços estranhos". Ao Washington Post, David Shahar, um dos autores da investigação, disse que a forma com cada um chama a esta deformação "depende da imaginação. Podemos dizer que parece o bico de um pássaro, um chifre, um anzol." No entanto, o investigador alerta que este problema na coluna pode causar dores de cabeça crónicas ou dores no cimo das costas e do pescoço. 

Foto: Nature Research
Foto: Nature Research

Para os autores do artigo, a "questão importante é o que o futuro reserva para as populações de jovens adultos quando o desenvolvimento de um processo degenerativo é evidente num estágio tão inicial de suas vidas". Mark Sayers, supervisor e co-autor do trabalho, afirma que a questão não está na deformação em si mas sim que esta "é um presságio de que alguma coisa errada acontece, um sinal de que a cabeça e o pescoço não estão em configuração correta". 

Será que a solução é evitar a tecnologia para reverter o processo degenerativo? Sayers diz que não. "O que precisamos é de mecanismos que reflitam como a tecnologia se tornou importante nas nossas vidas." Por exemplo, nas escolas, deveriam ensinar-se e praticar-se estratégias de postura que podem ser usadas em todos os momentos da vida. 

Criticas ao estudo

Este estudo tem recebido várias críticas..Alguns afirmam que o trabalho é baseado em raios-x antigos, não tem um grupo de controlo, e não consegue provar a causalidade. Além disso, as pessoas que participaram no estudo tinham-se especificamente queixado de dores no pescoço e procuraram um médico, o que significa que não é claro como os resultados se aplicam ao resto da população. David Langer, diretor de neurocirurgia no Hospital Lenox Hill, disse ao The New York Times que "é mais provável ter uma doença degenerativa dos discos ou desalinhamento do pescoço do que um esporão ósseo a crescer no crânio".


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